
Cecily von Ziegesar - It Girl 3  

Garota sem limite




A Waverly Academy est pegando fogo! O charmoso Easy Walsh agora 
namorado de Jenny, mas, infelizmente, ele era o ex da bela Callie, colega de quarto
da sua atual. Tinsley,  claro, usa a traio em seu benefcio e, para piorar, as
amigas no dividem mais o mesmo quarto: Jenny ficou com Callie e Tinsley com
Brett! Mas se no amor e na guerra vale tudo, o que vai acontecer quando Easy for
ver Jenny no meio da noite e encontrar Callie? E se um segredo misterioso de
Tinsley for revelado?
Oh, que teia emaranhada tecemos, quando decidimos
engendrar mentiras!
-- Sir Walter Scott
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AS WAVERLY OWLS NO BEIJAM MENINOS EM PBLICO.
Uma chuva fria e cinzenta salpicava as imensas vidraas do estdio de belas-artes. Em
vez de se concentrar na enorme folha de papel jornal esparramada na mesa diante dela,
Jenny Humphrey viu-se pensando na cena de amor de Ponto final, quando Jonathan
Rhys Meyers praticamente devora com a boca a cabea de Scarlett Johansson debaixo
de um dilvio no campo.  claro que, se fosse com ela, seria o sexy primeiranista da
Waverly Academy Easy Walsh devorando a cabea dela. (E, como no filme, seria vero
no interior da Inglaterra e no um dia de outono gelado no norte do estado de Nova
York.) O primeiranista sexy da Waverly Academy Easy Walsh -- que por acaso era seu
namorado.
Na semana passada, a Sra. Silver de cabelo frisado convidou Jenny, Easy e Alison
Quentin para participarem de seu curso eletivo de Desenho de Figura Humana nas
tardes de quarta-feira. Ela os havia puxado de lado depois da aula de retratos e, com
uma voz orgulhosa e um brilho nos enrugados olhos azuis, disse, Vocs so meus
astros. Ao participarem do curso de Desenho de Figura Humana, raciocinou ela, eles
poderiam compreender melhor o corpo e aprimorar os talentos j impressionantes.
Jenny ficou emocionada -- era totalmente lisonjeiro se ver destacada depois de apenas
algumas semanas de aula e ouvir que era talentosa. E a idia de ter que passar um
tempinho a mais com Easy tambm no doa nadinha.
Ao chegar ao estdio depois do almoo, Jenny sentou-se perto da porta. No meio da
sala, havia uma grande plataforma a cerca de trinta centmetros do cho, com uma nica
cadeira. As mesas estavam dispostas em semicrculo em torno da plataforma. Seus
olhos varreram a sala, na esperana de ver a adorvel cabea de cachos castanhos
escuros de Easy. Ela reconheceu algumas pessoas. Parker DuBois, o veterano da Frana
(ou era da Blgica?), sobre o qual as meninas estavam sempre cochichando, uma
indiana alta de seu time de hquei de grama, uma garota que ela e Brett passaram a
chamar de a Dama de Preto. Por fim ela localizou Easy perto dos armrios de
suprimentos. Ele a estava fitando enquanto ela vasculhava a sala e lhe deu um pequeno
aceno, fazendo seu corao palpitar. Como se ele j no estivesse palpitando.
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Quando no estava sonhando acordada com os olhos na vidraa chuvosa, Jenny achava
a aula de duas horas maravilhosamente desafiadora. A cada cinco minutos, a Sra. Silver
pedia a um aluno diferente para subir e posar segundo suas instrues. Totalmente
vestido,  claro, ento no era realmente uma coisa que constrangesse, embora Jenny
no gostasse da idia de toda a turma desenhando seus peitos gigantescos. Por sorte, ela
no foi chamada. Mas Easy foi. A Sra. Silver o fez sentar na cadeira e amarrar os
sapatos, e Jenny no conseguiu deixar de pensar que desenharia melhor se ele tirasse a
camisa. Antes do fim da aula, a Sra. Silver circulou pela sala e escolheu os melhores
esboos do dia (de Easy, Parker e da Dama de Preto) para a exposio da galeria dos
alunos na sexta-feira, que no por acaso coincidia com o Fim de Semana do Conselho
Diretor da Waverly.
Quando os alunos foram dispensados, o vento estava mais intenso e l fora parecia uma
completa mono. Ainda bem que ela estava com as galochas Jeffery Campbell com seu
moderno desenho multicor floral. Uma graa, sim -- mas prtico tambm. Ela leu na
revista Real Simple, numa tarde chuvosa em que passou folheando os peridicos na
biblioteca da Waverly (em vez de decorar conjugaes verbais em latim), que era bom
para a psique vestir alguma coisa brilhante e colorida em dias midos e melanclicos.
Jenny tomara a fundo o conselho e o usou como uma desculpa para comprar as galochas
e uma adorvel capa de vinil vermelho Benetton que achou online -- era de tamanho
infantil e ficou meio apertada no peito, mas us-la lhe dava vontade de sorrir.
At parece que ela precisava de mais um motivo.
Jenny se levantou e retirou as alas da mochila das costas da cadeira.
-- Deixou cair alguma coisa? -- Ela ouviu uma voz baixa falar atrs dela enquanto algo
tocava delicadamente suas costas. Jenny girou o corpo e l estava Easy, brandindo seu
guarda-chuva rosa-claro como uma espada de esgrima.
-- Quer emprestado? -- ofereceu ela, recuando um passo para deixar que o resto da
turma sasse.
-- No  bem a minha cor. -- Easy largou a bolsa de carteiro de lona no cho e vestiu o
blazer marrom da Waverly. O manual da Waverly, que Jenny estudara religiosamente
antes de chegar ao colgio interno at perceber que ningum o levava a srio, dizia que
todos os blazers da Waverly tinham de estar adequadamente conservados. Sabe-se l
o que isso queria dizer. Jenny tinha certeza de que o blazer de Easy, com seu timbre
meio descosturado, punhos pudos e um amarrotado permanente, no seguia essa regra.
-- No sei no. Voc fica bem de marrom, e marrom fica s a alguns tons do rosa no
crculo cromtico da Sra. Silver -- brincou ela, pegando o guarda-chuva dele.
Ele se inclinou para ela como quem conspira.
-- Voc fica tima em todas as cores.
Jenny tossiu para disfarar o sorriso de pateta que sentiu abrir em seu rosto.
-- E -- continuou Easy -- voc fica especialmente gata com cinza carvo nas
bochechas. -- Ele colocou a mo na parte inferior das costas de Jenny e a levou para
fora do estdio.
-- Como ? -- Jenny olhou seu reflexo em uma das caixas de exposio de escultura
que ladeavam o corredor. Havia um borro cinza na bochecha direita. Ai! L estava ela,
pensando que seria romntico se estivesse sozinha no estdio de belas-artes com Easy, e
o tempo todo ele estava se perguntando quando ela ia perceber a sujeira na cara. Jenny
rapidamente pegou um leno no bolso dos jeans e passou na bochecha. Ela precisava de
um pouco de gua, mas no ia cuspir na frente de Easy. Nojento. Ela deu de ombros e
andou ousadamente pelas portas principais, saindo na tarde chuvosa. -- A chuva vai
lavar.
Ela abriu o guarda-chuva e o segurou acima da cabea dos dois enquanto eles desciam a
escada do prdio de belas-artes.
-- Aonde voc vai agora? -- perguntou Jenny, andando na ponta dos ps para dar a
Easy um pouco mais de espao. Embora j pudesse sentir o cabelo encrespando com a
umidade, Jenny podia apreciar a beleza do chuvisco gelado. O ptio da Waverly ainda
conseguia ficar estonteante -- a grama parecia artificialmente verde, e todos os tons
vivos de vermelhos e laranja dos enormes carvalhos estavam encobertos numa linda
nvoa cinzenta. Parecia um carto-postal. E ela morava ali.
Easy deu um tapinha no bolso da camiseta listrada de marrom e branco Abercrombie &
Fitch. Era to fina que provavelmente se desintegraria na prxima vez em que fosse
lavada. Jenny reprimiu o impulso de passar as mos pelo peito dele -- para sentir a
camiseta,  claro.
--  melhor dar um pulo nos estbulos e ver a Credo. Ela fica meio nervosa com a
chuva.
-- D uma cenoura a ela por mim. -- O dia em que conheceu Credo foi a primeira vez
em que Jenny montou num cavalo na vida -- ou beijou Easy Walsh. O tempo parecia
voar na Waverly. Cerca de uma semana e meia se passou desde que Easy voltou mais
cedo da festa do Caf Society de Tinsley Carmichael em Boston e levou Jenny at o
penhasco para ver o sol nascer. Eles conversaram, se beijaram e se abraaram. Foi...
celestial. Foi uma daquelas coisas que voc no espera que um dia v acontecer ou, pelo
menos, no se voc  uma segundanista baixinha de cabelos crespos e peitos gigantes
chamada Jenny Humphrey.
Easy sorriu para Jenny e chutou um dos refletores molhados que iluminavam as
topiarias retorcidas que circundavam o prdio.
-- Voc podia vir comigo -- sugeriu ele, um olhar tmido cruzando seu rosto, como se
ele estivesse pensando em fazer em algum, que no Credo, uma longa e agradvel
massagem.
Jenny girou o guarda-chuva no alto, brincalhona. Mais uma tarde chuvosa nos estbulos
com Easy -- sozinhos? Parecia tentador demais. Ela sacudiu a cabea devagar.
-- Sabe que eu adoraria ir, mas no deve ser uma boa idia. Tenho um trabalho enorme
de ingls para entregar na sexta e tenho que passar um tempo sendo produtiva com meu
laptop na biblioteca.
Ela no queria parecer uma mala, mas estava tirando boas notas e queria continuar
assim. Jenny pousou a mo livre na cintura de Easy; o contato com a pele dele lhe
provocou uma descarga de adrenalina maior do que a que ela sentiu quando marcou o
primeiro gol no jogo do fim de semana passado contra a Briarwood Academy. Pera, ela
estava dispensando o cara para estudar? Mas essa garota  maluca?
-- Acho que posso esperar -- disse Easy no lindo sotaque arrastado do Kentucky. -- J
que voc insiste. -- Seus olhos azulescuro encontraram os de Jenny e um arrepio lhe
correu pela espinha at os dedes dos ps em suas galochas berrantes.
-- Vamos fazer alguma coisa bem divertida no fim de semana -- prometeu Jenny
enquanto eles seguiam pelo caminho de cascalho para o Dumbarton. -- Vamos cavalgar
na sexta e depois jantar. Quem sabe eu posso experimentar um meio-galope?
Easy sorriu.
-- timo. Vou dizer a Credo que voc estar pronta para um desafio.
-- No! -- gritou Jenny, batendo o quadril em Easy e expulsando-o da proteo do
guarda-chuva. -- A ltima vez j foi desafio suficiente.
Easy mergulhou de volta  proteo do guarda-chuva e passou o brao no dela.
-- Ento vou acompanh-la at seu quarto.
S a meno da palavra quarto a fez enrijecer. Em parte, ou talvez grande parte do
motivo para a recente dedicao aos estudos de Jenny se devia ao fato de ela ficar
apavorada com a possibilidade de ficar sozinha com a colega de quarto, Callie Vernon.
At a biblioteca velha e abarrotada parecia uma alternativa mais animadora.
Antes Jenny morava em um quarto com Callie, Tinsley e Brett Messerschmidt. Mas
depois que Tinsley e Callie foram flagradas voltando de fininho para a Waverly aps a
festa que deram na sute presidencial no Boston Ritz-Bradley, o reitor Marymount
separou as meninas. A primeira semana depois que Brett e Tinsley se mudaram do
quarto 303 para o 121 do Dumbarton foi a mais desagradvel na vida de Jenny -- pior
ainda do que a vez em que ela ficou menstruada num acampamento nos bosques de
Vermont com o pai e teve que usar os antigos absorventes que pareciam fraldes
vendidos na loja mais prxima. Callie tinha um jeito humilhante de olhar atravs de
Jenny, no como se a ignorasse, mas como se ela sequer existisse. Provavelmente era a
nica maneira de Callie lidar com o fato de que sua nova colega de quarto tinha roubado
o corao de seu namorado. Se Jenny fizera ou no de propsito, no tinha importncia
para Callie. Ela fez e pronto.
Num fim de tarde, Jenny voltava da biblioteca e encontrou Callie enfiando as roupas
recm-lavadas no armrio. (Toda a galera rica manda lavar a roupa na Fluff 'n' Fold da
cidade. Jenny se sentia uma plebia total por usar as mquinas do poro.) Ela percebeu
que as mechas normalmente longas e louroarruivadas de Callie tinham sido cortadas em
camadas pouco abaixo dos ombros. Depois de se debater muito, Jenny enfim disse,
Caraca, seu cabelo est incrvel! e foi totalmente sincera. Mas Callie limitou-se a
bocejar e procurar manchas de batom nos dentes pelo espelho.
Desde o fim de semana de Boston, a nica vez em que Callie falou com ela foi
desagradvel, para dizer o mnimo.
-- Esse vestido  novo? -- perguntara Jenny numa tarde, esperando resposta nenhuma,
como sempre. Afinal, a pergunta era insensata. Desde o rompimento com Easy, todas as
roupas de Callie eram novas. Sacolas amarfanhadas da Saks, Barneys e Anthropologie
formavam uma pilha alta na lixeira todo dia, e caixas de sapatos da Missoni e Michael
Kors estavam comeando a se empilhar, ainda fechadas, ao lado da porta do armrio de
Callie. Callie se virou, o cabelo novo caindo no lugar certo como se tivesse nascido
desse jeito, e disse, como uma rainha:
-- . E se houvesse alguma chance de caber em voc, eu ficaria preocupada de voc
roubar -- antes de marchar para fora do quarto, deixando Jenny de boca escancarada.
E ento ela fazia o mximo para dar a Callie o espao que ela precisava, adquirindo o
hbito de acordar cedo, tomar banho, vestir-se e escapulir, tudo antes que Callie
chegasse a tirar dos olhos a mscara de seda roxa e sasse da cama. Era um jeito de
viver exaustivo e clandestino, e Jenny estava ficando cansada de sempre ter de deduzir
quando Callie estaria fora do quarto para ela poder se esgueirar para dentro.
-- Voc est bem? -- Easy levantou a gola do blazer para se proteger da chuva. A gua
empoava no alto de seu Doc Martens de cor indefinida -- pretos? Vermelho-escuro?
Cobertos de terra? Um cadaro amarelo e pudo caa frouxo e se arrastava atrs dele, j
enlameado, enquanto ele arrastava os ps no cascalho do passadio com a ponta do
sapato. At os sapatos dele eram lindinhos.
-- Acho que sim. -- De repente Jenny largou o guardachuva na grama ao lado da
passagem e ergueu o rosto para o cu chuvoso, deixando que as gotas frias cassem em
sua pele. Ela sentia falta de Nova York, um pouquinho. Suas novas galochas seriam
perfeitas para esparramar a gua das poas que neste momento deviam estar se
formando na frente de seu prdio na West End Avenue com a rua 99.
Easy no pareceu se importar com o banho improvisado. Aproximou-se e, quando virou
o rosto para ele, Jenny viu seus olhos faiscando com a chuva, um cacho castanho escuro
colado em sua testa.
-- Voc  to, to bonita. -- Ele se inclinou para baixo e passou delicadamente o nariz
no dela, antes de beij-la.
A verdade era que ela tambm odiaria ver outra garota com Easy. No podia culpar
Callie. Apesar de seu lindo corte de cabelo e roupas novas e da moda, Callie ainda
estava magoada. Mas Jenny no pde evitar. Easy era incrvel e, se ela tivesse de
desistir de sua amizade com Callie para ficar com ele, assim seria. Ele valia totalmente a
pena.
-- Voc est tocando -- murmurou Jenny suavemente, afastando-se de Easy enquanto
sentia o telefone vibrar no bolso do blazer dele.
-- No ouvi nada. -- Easy sorriu, colocou as duas mos na cintura de Jenny e a puxou
para ele.
-- E se for importante?
-- Mais importante do que isso? -- murmurou ele. -- Impossvel!
E eles ficaram assim, beijando-se na chuva, na frente do Dumbarton, por um bom
tempo. Jenny subiu no primeiro degrau da escada e ainda teve que erguer um pouco o
queixo para encontrar o olhar de Easy. E pela milionsima vez, ela afugentou a idia de
que devia ter sido mais fcil para Callie beij-lo -- ela era uns 17 centmetros mais alta
do que Jenny.
Mas se ela estava tendo tanta dificuldade para no pensar em Callie e Easy, e se era ela
que estava com ele, a coitada da Callie devia mesmo se torturar com isso. Ou talvez
fosse melhor ter Easy uma vez e depois perd-lo do que jamais t-lo. Jenny no tinha
certeza. E ela sem dvida no queria descobrir.
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AlanStGirard: Acabo de ver um momento intenso: Marymount tomando uma xcara de
ch com a Srta. Rose no CoffeeRoasters -- no foi ela que vc flagrou se agarrando com
ele no Ritz?
TinsleyCarmichael: Voc  to eloqente. Mas no.
AlanStGirard: Por que no conta, droga?
TinsleyCarmichael: Pq os segredos valem mais do q as fofocas, bobo. E tenho a
sensao de que esta informao pode vir a calhar um dia desses.
AlanStGirard: Sabe de alguma sujeira minha?
TinsleyCarmichael: R. Se vc soubesse... Apenas fique na minha lista branca, ASG.
2
UMA WAVERLY OWL TIRA PROVEITO DE EVENTOS FORTUITOS
- E ai, princesa  gritou Heath Ferro enquanto, num rompante, abria a porta do quarto
no segundo andar do alojamento Richards que dividia com Brandon Buchanan, os
Pumas vinyage azul-marinho ensopados e guinchando alto no antes limpo piso de
carvalho.  Ai.  piou ele quando viu as cortinas fechadas e Brandon enroscado sob o
cobertor extremamente afetado de chenille pssego.  A Bela Adormecida ainda est
dormindo?
Babaca, xingou Brandon no travesseiro. Talvez uma pessoa normal com autopercepo
entrasse um quarto, percebesse as cortinas fechadas, o aparelho Hummacher Schlemmer
Sound Osis sintonizado em Noite de vero, o corpo sob as cobertas a pensasse,
Talvez eu no deva estar fazendo barulho feito um idiota. Ao que parecia, era demais
pedir isso a Heath.
- V se foder, Ferro  grunhiu Brandon enquanto levantava a cabea do travesseiro para
fuzilar Heath com os olhos. O problema de Heath  ou um dos seus problemas  era que
ele era ocupado demais consigo mesmo para dar a mnima se o colega de quarto estava
dormindo, estudando ou afundando em autopiedade. Heath s foi produzido em um
volume: alto.
- No tem treino, cara?  Heath acendeu a lmpada e a toca escura foi inundada de luz
fluorescente. Brandon puxou a coberta para cobrir o rosto.
Treino. , ele tinha treino. E como era o capito jnior do time de squash, devia tirar a
bunda da cama e aparecer. Mas a idia de bater uma bola de borracha idiota num espao
de 5 x 5 metros com outro cara suado  bom, bom, ele no estava a fim disso hoje.
Brandon tinha surpreendentemente matado a ltima aula do dia  o dia cinzento e
chuvoso o deprimiu e o fez querer ficar enroscado na cama aconchegante, tirando um
longo cochilo para talvez no acordar nunca mais.
T legal, isso era meio mrbido. Mas ele se sentia assim desde o fim de semana
retrasado, quando Callie Vernon o humilhara completamente ao mandar, na frente de
todos na festa do Ritz-Bradley, que ele assistisse a um filme porn gay.  claro que ele
tinha sido meio superprotetor demais  mas Callie estava bancando a completa imbecil,
pulando na mesa e tirando as roupas feito uma bbada para tentar acompanhar Tinsley.
Brandon sempre ficava irritado ao ver o pouco respeito que Callie tinha por si mesma e
o quanto ela estimava o possvel sociopata Tinsley. Ele no conseguia evitar  era
mortal para ele ver Callie agindo como um clone desmiolado. Ele pedira a ela para
voltar ao quarto dele para conversarem com privacidade. Ou talvez fazer um pouquinho
mais do que conversar. Mas Callie fez pouco dele, gritando para que a deixasse em paz.
Bom, se era assim que ela queria, tudo bem. Ele estava cansado de ficar obsecado por
Callie. Alm disso, ela claramente no superou o metido a artista do Easy Walsh. Ele
sabia que a nica razo para ela subir naquela cmoda e faezr o pequeno strip-tease era
ter flagrado Easy admirando o corpo de Tinsley e isso a matou. Brandon achava Tinsley
e Easy repugnantes  e  claro que Callie idolatrava os dois. Ele no ia esperar que ela
percebesse que eles eram sebosos desalmados e voltar correndo para ele.
Se ao menos ele tivesse alguma coisa melhor para fazer...
Brandon atirou para longe o cobertor ultramacio e ficou descalo no choo frio de
madeira. J estava vestido para o treino, com o moletom Adidas azul-marinhocom
faixas laranja nas laterais e uma das camisetas Lacoste brancas que comprou s dzias 
gostava de us-las para treinar, mas depois que as axilas ficavam com manchas de suor,
ele as jogava fora.
- No fique de calcinha froxa, Ferro. Eu s estava tirando uma soneca.
- Voc disse calcinha e soneca na mesma frase!!  Heath riu como um manaco
enquanto tirava a camiseta branca Diesel, ensopada de chuva, com as palavras EM
PNICO MORAL impressas na frente, enrolava e atirava na cabea de Brandon. Que
timo. Era difcil imagina a moral de Heath em pnico  ele no tinha nenhuma.
Brandon atravessou o quarto at a cmoda, suspirando ao pisar nas pegadas lamacentas
deixadas por Heath, e pegou na gaveta um par de meia de ginstica Adidas brancas
elegantemente enroladas. Sua resposta mordaz a heath foi eliminada indefinidamente
pelo chiado do seu Treo preto na mesa de carvalho do lado.
Callie? Brandon abriu o celular e voi o nmero do pai. Reprimindo um gemido, ele
atendeu.
- Boa tarde, pai.
- Voc parece sonolento.  A voz sonora do Sr. Buchanan continha um toque de
acusao.  Espero no t-lo acordado. Mas nem imagino por que voc estaria
dormindo no meio de um dia de aula.
Que timo. Ele parecia ainda mais frio do que o normal. Deve ser a esposa megapiranha
de vinte e poucos anos e interesseira limpando os bolsos dele.
- Eu estava me arruando para o treino. Alguma coisa errada?  o Sr. Buchanan era um
homem fatigada, mais velho do que a idade que tinha, mas Brandon pensava que  isso
que acontece quando se comea uma nova famlia quando, legalmente, j se est na
terceira idade. Os fedelhos dos irmos gmeos de Brandon, Zachary e Luke, eram mais
irritantes que Tom Cruise drogado. No admira que o pai trabalhasse tanto.
O Sr. Buchanan ignorou a pergunta do filho ou no a ouviu.
- Vou jantar com o reitor Marymount nesta sexta-feira. Gostaria que voc fosse. Leve a
Callie.
O reitor Marymount? De que porra o pai dele estava falndo?
- Voc vir... aqui?  perguntou Brandon, confuso.
O Sr. Buchanan suspirou e Brandon pde ouvir um barulho de trem ao fundo. Ele devia
estar indo da cidade para Greenwich.
- Brandon, espero que preste mais ateno a seus estudos do que a seu pai. Eu tenho
reunies do conselho diretor na Waverly o fim de semana todo. Eu lhe contei sobre isso
h meses.
- Fim se Semana do Conselho Diretor  repetiu Brando.  Desculpa, eu esqueci 
acrescentou ele, embora soubesse que o pai jamais mencionou o fato. Era sempre
melhor assumir a culpa do que esperar que o pai admitisse a dele. Mas que merda 
jantar com o reitor Marymount? Ser que ele realmente merecia esse tipo de castigo? E
Callie?
Pelo visto ele no era o nico esquecido aqui.  Hummmm... E talvez voc tenha
esquecido que eu terminei com Callie... tipo h um ano?
- Voc nunca me disse nada  resmungou o sr. Buchanan depois de uma pausa.  Muito
bem, ento. Leve outra pessoa. No quero que sejuamos s ns trs. Isso seria... muito
montono, no concorda?
Voc acha?
- , tudo bem, vou levar algum.  Os pais so umas aberraes.  Olha, pai, tenho de ir
para o treino.
- Tudo bem, espero que vena. Faa reserva para as oito horas naquele lugar... aquele
francs.  O Sr. Buchanan desligou antes que Brandon pudesse repetir que era um
treino, e no um jogo. No se vence num treino.
- Voc disse mesmo as palavras mgicas?  perguntou Hetah nop segundo em que
Brandon atirou o telefone na bolsa de nylon do squash. Heath estava sorrindo como uma
criana de 5 anos que acabara de ouvir o jingle de um caminho de sorvete.
- Hein?
- Fim de Semana do Conselho Diretor  repetiu Heath, a expresso elevada se
espalhando pelo rosto. Ele ainda no tinha vestido uma camisa e estava parado no meio
do quarto s com um calo de futebol vermelho da Nike coberto de manchar de grama.
 Sabe o que isso significa.
- Sei, Um bando de gente antiquada rica e convencida vem  cidade e faz com que os
pobres filhos sobrecarregados comam pernas de sapo no L Petit Coq com a porra do
reitor. Significa tortura.
- No, imbecil  interrompeu Heath, pegando uma bola de futebol e fazendo
embaixadinhas habilidosas com o joelho.  Significa que um bando de gente antiquada
rica e convencida vem  cidade, e todo mundo fica to ocupdo fazendo de tudo para que
els fiquem felizes que nem percebem o que esto fazendo as porras dos alunos mais-
inteligentes-do-que-eles-pensam. E isso  Hetah sorriu  significa feeees-TA!  Ele
concluiu chutando a bola na estante de Brandon e fazeno o que estava na prateleira de
cima escorregar para o cho.
Brandon revirou os olhos. Heath vinha sendo meio impossvel desde o final de semana
de Boston, quando a sociedade secreta de Tinsley tomou a brilhante deciso de fazer de
Haeth o prximo alvo masculino. Como se seu ego gigantesco pudesse inflr mais.
Brandon saiu da festa cedo, depois que Callie o sacaneou de forma humilhante na frenet
de todos, mas ouviu boatos sobre o que aconteceu depois. Supostamente, callie Tinsley
e Heath subiram no terrao e danaram ali nus... Mas ningum parecia ter certeza. S do
que sabia era que quando todos acordaram de ressaca e seminus no cho do quarto do
hotel de manh os trs tinham ido embora. Parecia trs suspeito para Brandon, mas ele e
Callie no estavam exatamente se falando  e a ltima coisa que ele queria no mundo
era ouvir que ela realmente fez alguma coisa to idiota quanto dormir com Heath Ferro.
Porque ela no teria feito isso, n?
Heath pegou o Blackberry e apertou um boto na discagem rpida.
- J est tentando marcar um encontro para o fim de semana?  zombou Brandon,
colocando o bluso impermevel amarelo vivo. Na verdade, era ele que precisava de um
encontro. Quem no mundo ele ia convidar para ir jantar com o pai e o reitor
Marymount?
- At parece  brincou Heath.  estou ligando para meu amigo da Rhinecliff Liquors. O
que  uma festa sem uns refrescos?
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SageFrancis: A Smail j liberou do treino?
BennyCunningham: Acabei de checar meu mail... vamos no encontar na Lasell, 4 em
ponto.
SageFrancis: A Stairmaster com a melhor vista dos gatos do futebol
fazendoalongamento  minha!
BennyCunningham: No sei como um ginsio nojento de suor poder deixar vc
excitada...
SageFrancis: Isso porque vc nunca ficou com ningum num chuveiro do vestirio
masculino.
BennyCunningham: Ah, ? Com quem?
SageFrancis: Acho que vai ter que esperar por outro jogo da verdade para descobrir.
3
UMA WAVERLY OWL NO MEXE NOS PERTENCES DA COLEGA DE
QUARTO  ELA PODE ENCONTRAR ALGUMA COISA.
Os dias de chuva sempre deixavam Callie Vernon insuportavelmente sonolenta e ela
mal conseguia manter os olhos abertos durante a aula de histria americana avanada,
algo que o Sr. Wilde, o pedante professor de trinta e poucos anos, parecia no perceber.
Normalmente, sua voz grave de bartono e o sorriso sempre meio torto eram suficientes
para prender a ateno de Callie, mas no quando as duas da tarde pareciam nove da
noite  caa um dilvio l fora. O treino de hquei foi cancelado, o que parecia bom,
mas na verdade no era nenhuma ddiva, em nenhum sentido da palavra. Treino
cancelado significava que todos tinham de ir para o Lasell, o centro de educao fsica
antiquado, e passar uma hora nas esteira e outros aparelhos, que Callie odiava. Por mais
magra que quisesse ser, ela no suportava andar sem sair do lugar enquanto todas
piavam atravs do vidro para os meninos que corriam pelo ginsio. Alm disso, o Lasell
cheirava a chul. E num dia de chuva como esse, todos os outros times tambm teriam o
treino cancelado e o ginsio estaria cheio de meninos gatos, suados e fedorentos.
O Sr. Wilde dispensou a turma. Callie, piscando rapidamente para se livrar do sono,
passou por ele na soleira da porta; ele abriu seu sorriso torto.
- Parece que voc precisa de um cochilo.  Isso contava como permisso de um
professor para matar o treino, no ? Ou pelo menos para se atrasar?
E assim, uma hora depois, quando acordou de sua siesta da tarde, uma palavra que sua
me lhe ensinara a usar em vez de cochilo (porque esta ltima tinha uma conotao de
preguia), Callie bocejou e pulou para fora da cama, vestida somente com a calcinha
preta Calvin Klein e uma camisetinha stretch da mesma cor. Podia andar por ali nua, se
quisesse, uma vez que agora praticamente morava sozinha. Desde que Tinsley e Brett se
mudaram, ela mal via Jenny. Callie acordava todo dia em um quarto vazio e se arrastava
para a cama aps sua rotina noturna de Pilates, depois de passar o dia todo sem que
visse a colega de quarto baixinha e peituda. E era exatamente assim que ela queria que
fosse.
Ela podia ter desconfiado de que Jenny estava dormindo em outro lugar  uma idia que
a teria deixado louca de cime, como se a baixinha Jenny Humphrey consaeguisse
entrar de fininho no alojamento dos meninos toda noite e fazer sexo ilcito e selvagem
com Easy Walsh. Mas felizmente, toda manh, o cheiro no ar de ginseng e mel da loo
Frederic Fekkai Curl Enhacing garantia a Callie que a pestinha da colega que roubava
namorados tinha dormido na prpria cama. Ou talvez ela fosse s do tipo que acorda
supercedo.
Jenny na verdade parecia ter medo dela. E devia ter mesmo.
No que a vida de Callie no tivesse melhorado sem Easy Walsh. Desde que eles
terminaram (ela se convencera de que era mtuo e de que ela no levara um chute na
sua bunda magrela), Callie conseguira tirar A em sua ltima prova de biologia, marcar
seis gols nos ltimos dois jogos de hquei e paquerar cada cara bonitinho e solteiro do
campus. Na quinta passada, ela recebeu permisso especial para pegar o trem para
Manhattan para uma emergncia mdica e passou a tarde na Bergdorf-Goodman,
seguida de liquidaes no Garment District. Ao sair do trem na estao de Rhinecliff, os
braos carregados de sacolas de roupas Theory (prvia da coleo!), com as novas
espadrilles plataforma Christian Louboutin de lao sexy no tornozelo e adorveis
borboletas bordadas na ponta, o cabelo com o novo corte, louro e mais curto com cheiro
do Red Door Salon e sibilando no ombro, ela se sentiu... mais leve. E livre! Embora
teria se sentido muito mais leve se Easy no estivesse namorando a colega de quarto.
Melhor ainda, se ele no estivesse namorando ningum.
Callie olhou-se no espelho da cmoda e sacudiu a cabea, gostando de como ficava o
novo corte de cabelo quando em movimento. Ela apostava que Easy ia gostar.
Porra. Era to difcil se livrar dos sentimentos que ficaram vivos e pulsando por mais de
um ano. S porque Easy de repente concluiu que estaria melhor com uma segundanista
baixinha, boba e de cara rosada com os peitos do tamanho de uma stripper, ela devia
simplesmente superar? Era duro. Por vinte meses, Easy tinha sido o homem em seus
pensamentos enquanto ela se arrastava para a cama  noite. Quando viu um vestido de
noiva branco e lindo numa revista, foi com Easy que ela sonhou usar. Callie suspirou.
Ela o aceitaria de volta em meio segundo.
Callie sentiu o rosto esquentar. Tinsley era a nica com quem ainda podia falar de como
doa o rompimento. Em vez de ficar entediada com isso, Tinsley dava a impresso de
que gostava de ouvir. Ela quase parecia mais chateada com Jenny do que a prpria
Callie.
L fora, a chuva parecia ter diminudo um pouco. Callie bocejou mais uma vez e
decidiu acabar logo com essa merda e ir para o ginsio. Os exerccios liberavam
endorfinas, os nicos antidepressivos naturais. J que no dava pra pr as mos no Paxil
da me, podia muito bem pular numa esteira. Da primeira gaveta de sua cmoda
abarrotada (a que ela usava para suas roupas de educao fsica, uniformes de hquei e
outras coisas de ginstica). Callie pegou uma cala de ginstica Adidas by Stella
McCartney e vestiu.
Elstico de cabelo, elstico de cabelo, pensou Callie enquanto olhava o tampo da
cmoda. Ela sempre os perdia. Para onde  que todos eles iam, porra? Sentindo-se
culpada, ela olhou a cmoda de Jenny. Era quase to bagunada quanto a sua. Talvez
elas pudessem ser amigas, se Jenny no tivesse se revelado uma ladra de namorados
cheia de tramias e facadas nas costas.
Sem hesitar, Callie andou at a cmoda de Jenny e procurou pela lata de Altoids cheia
de elsticos de cabelo. Mas sua mo parou no ar quando ela via uma folha de caderno
dobrada com a letra J. Ela tocou a carta e a borrou. Carvo.
Seu corao bateu dez vezes mais rpido. Ela pegou a folha de papel num rompante e
examinou a caligrafia de oito anos de idade que conhecia de Easy  s ele podia fazer
uma letra J praticamente ilegvel. Ela parou por um momento para se debater sobre as
implicaes morais de ler o bilhete de outra pessoa antes que sua curiosidade levasse a
melhor.
No papel, no havia palavras, s um desenho a lpis. Era uma acricatura de um sujeito
de cabea gigante, cabelos escuros e desgrenhados, vestindo jeans surrados com buracos
nos joelhos e uma camiseta com o smbolo da paz. Era fcil adivinhar quem devia ser.
Easy. Ele estava mandando um beijo.
Antes que soubesse o que estava fazendo, Callie amassou a folha de papel numa bolinha
minscula e apertada. Ela olhou a palma da mo por um segundo, antes de enfiar a
bolinha no bolso com fecho da cala, que existia s para a achave do armrio da
educao fsica. Seus olhos dispararam pelo quarto, procurando alguma coisa para
quebrar, rasgar ou atirar na parede ou... Ela viu a lata de Altoids e pegou um punhado de
elsticos de Jenny e os atirou no quarto um por um, no estilo estilingue, para todo lado.
Sua incrvel fria se dissipou com o desaparecimento dos elsticos nas pilhas de roupas
de grife amassadas e amontoadas no cho.
Pegando a bolsa de ginstica, Callie saiu pela porta e voou pelos dois lances de escada
de madeira at o quarto de Tinsley e Brett  precisava desesperadamente de algum,
AGORA!, que lhe dissesse que ela era muito mais bonita do que a Jenny, aquela an de
peito grande e que Easy ia se arrepender pelo resto da vida por ter terminado com ela.
Mas enquanto ela acelerava pelo canto, parou numa derrapada. Porra. Bem na frente do
quarto de Tinsley e Brett estava Jenny, ainda vestida nos jeans ultra-escuros e apertados
enfiados num adorvel par de galochas floridas e uma capa de chuva de vinil vermelha
da moda. O cabelo crespo e curto estava colado na testa, e a pele clara e perfeita,
escorregadia de gua. Ela podia estar horrorosa se as bochechas no estivessem coradas
e um sorriso presunoso e bonitinho no estivesse empoleirado nos lbios vermelho-
rubi. Sua mo segurava um marcador e estava postada para escrever algo no quadro de
avisos de plstico pendurado na porta de Tinsley.
- Ah, oi!  Jenny olhou, sobressaltada.  Eu, er, estava deixando um bilhete para Brett. 
Suas bochechas ficaram ainda mais coradas e Callie ficou parada ali, em silncio.
Tinsley deve ter ouvido as duas porque, meio segundo depois, antes que Callie tivesse
tempo de ignorar Jenny, a porta se abriu. Tinsley ali estava, numa cala de ioga preta e
suti esportivo da mesma cor. Ela avaliou a cena objetivamente, primeiro dando a Callie
um sorriso rpido e depois concentrando seus olhos violeta em Jenny, que tinha dado
um passo assustado para trs, ainda segurando o marcador vermelho aberto. Tinsley
tombou a cabea de lado, como se tentasse imaginar o que Jenny podia estar fazendo na
sua porta.
Jenny praticamente derreteu no silncio e nos olhares de murchar das duas meninas
mais velhas.
- Er, a gente se v na educao fsica, eu acho...  Sua voz suave falhou enquanto ela
recuava para a escada.
- Esse marcador  meu?  perguntou Tinsley friamente.
- Ah, desculpe.  Jenny refez os passos e entregou o marcador a Tinsley, puxando a mo
como se tivesse medo de se queimar.  Pode dizer a Brett... deixa pra l  corrigiu ela,
lembrando-se de repente que Tinsley e Brett tambm no estavam exatamente se
falando.   melhor eu ir.
Callie e Tinsley a encararam enquanto ela desaparecia no corredor. Depois Tinsley
colocou a mo no brao longo e magro de Callie.
- No se preocupe. Ela vai ter o que merece.  Os olhos violeta e maliciosos de Tinsley
cintilaram. Ela era ardilosa e a vingana era sua diverso preferida. Era bvio que j
tinha um plano para Jenny ter o que merecia.
Mas Callie no achou graa. A verdade era que ela no queria pegar Jenny.
Ela s queria Easy de volta no lugar a que pertencia.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
................................................
Para: BriannaMesserschmidt@elle.com
De: BrettMesserschmidt@waverly.edu
Data: Quarta-feira, 2 de outubro, 16h04
Assunto: Que felicidade
Bree
J tem um tempo que no sei de voc. Espero que sua chefe no esteja dando uma de O
diabo veste Prada pra cima de voc. As coisas esto ido bem por aqui, na boa e velha
Waverly  embora eu esteja planejando ser uma coruja meio traidora neste fim de
semana e torcer pelo time da St. Lucius no jogo dos ex-alunos de Jeremiah  mas eu
realmente vou torcer s por ele. Ele tem sido incrvel ultimamente e pretendo
recompens-lo em breve... Vou manter voc informada.
No se preocupe, vou ser para sempre sua
Maninha
;)
4
A SEDE ESPORTIVA EST DISPONVEL COM HORA MARCADA PARA AS
WAVERLY OWLS PRATICAREM ATLESTISMO INDOOR.
Brett Messerschmidt no teve tempo para ver o e-mail entre as aulas da tarde porque
no terminou a traduo da parte que lhe cabia de Metamorfoses de Ovdio para a aula
de latim do ltimo perodo. Ela estava numa turma intermediria e, at trs semanas
antes, tinha se xingado por fazer o teste de latim para iniciantes, que era ministrado pelo
sensual Sr. Dalton. Com nfase no era. Devido a uma altercao do tipo sexual com um
aluna chamada Brett, ele foi demitido e no estaria mais disponvel para aulas
particulares e ntimas regadas a vinho. Brett agora estava grata pela matria ser
ministrada por uma Sra. Graver de quarenta e poucos anos e meio assexuada, e no por
algum com quem ela quase  quase  dormiu. Ainda assim, a semana e meia passada
com um Jeremiah to-apaixonado-por-ela quase apagou todas as lembranas de com se
fez de babaca completa com o Sr. Dalton. Quase.
Depois da aula, ela pegou a capa de chuva verde com cinto Pasha & J e correu para a
sede esportiva na esperana de treinar chutes antes que o resto do time de hquei
chegasse l. Mas havia um bilhete colado nas pesadas portas de metal, dizendo que o
time devia se encontrar no ginsio Lasell. Voltar pelo campus todo nessa chuva de frisar
cabelo? Brett empurrou a porta  estava destrancada. Ela sorriu e sacou o celular.
Trinta e cinco minutos depois, ela estava deitada em um dos colchonetes azuis de salto
com vara ao lado de Jeremiah. Os corpos afundavam no colchonete como se eles
estivessem esparramados no mais macio colcho queen size do mundo. A sede
esportiva, onde todos os times da Waverly guardavam seu equipamento, parecia
espectral e romntica.
- Nunca tinha visto esse lugar por dentro.  Jeremiah olhou o teto alto de vigas com as
mos atrs da cabea. A chuva martelava sem parar no telhado de alumnio.
Brett virou-se para olh-lo, grata por sua saia cigana de estampa indiana exclusiva ser
propositalmente amassada. Uma mecha curta de cabelo ruivo  a parte que sempre
conseguia cair em seu rosto por mais fivelas que ela usasse  pendia bem diante de seus
olhos e parecia que ela estava olhando Jeremiah atravs de uma cortina vermelha e fina.
Antes de conhec-lo, os atletas no faziam o tipo de Brett. Ela sempre se sentia atrada
por homens mais velhos  bem vestidos, sofisticados, talvez at europeus  como
Gunther o suo que conheceu numa viagem de esqui, com quem ela supostamente
perdeu a virgindade. Pelo menos essa era a histria que ela contava. Mas agora, que as
coisas estavam indo to bem com Jeremiah, ela queria esclarecer qualquer mal-
entendido que ainda existisse entre os dois. Quando comearam a namorar no ano
passado, depois de se conhecerem na festa de primavera de Heath Ferro na casa de
campo dos pais dele em Woodstock, ela no foi exatamente verdadeira. Ele achou que
ela era a garota experiente, vivida e madura que fingia ser desde que chegou na
Waverly. Esse pressuposto inclua o fat (ou no-fato) de que ela no era virgem. Ela no
tentou corrigir o mal-entendido, mesmo deps de ele ter confidenciado que ele ainda era
virgem. Brett sabia que era idiotice e imaturidade fingir ser uma coisa que no era, mas
isso a deixava mais confiante sobre o relacionamento dos dois. Ela gostava de ser
aquela que ditava as regras, aquela que traava os limites, que fazia e acontecia. Alm
disso, ela no estava pronta para contar a verdade a Jeremiah ou perder a virgindade.
Mas agora as coisas eram diferentes.
- No vai ter problemas por matar o treino para ficar com a namorada?  perguntou ela
timidamente, puxando os dedos com delicadeza no peito largo de Jeremiah. Ele era
to... delicioso. Brett Continuou tocando de leve porque, devido a uma semana inteira
de jogos de futebol americano, todo o corpo de Jeremiah estava cheio de hematomas das
pancadas. Este ano ele era o quarterback do St. Lucius ento era muito agarrado.
E por falar em agarrar, pensou Brett. Ela rolou para Jeremiah.
- T tudo bem.  Seus olhos verde-azulados percorreram o rosto de Brett.  O campo de
treino inunda quando chove desse jeito. S tnhamos de passar algumas horas no ginsio
esta noite.
- , eu tambm devia fazer isso.  Brett fez uma careta.  Mas eu odeio a porra do
ginsio. Todos aqueles atletas bobalhes... sem querer ofender... babando para as
meninas com os shortinhos Puma.  meio nojento.
- Pera, acha que eu sou um atleta?  perguntou Jeremiah numa falsa surpresa.
- Voc  o quarterback da hora, meu amor. Isso no faz de voc automaticamente um
atleta?  Brett entortou o pescoo e tocou os lbios dele com os dela, sem beij-lo
exatamente.  Mas  um atleta lindinho.
- Acho que assim  um pouco melhor.  Ele a beijou, com um pouco mais de
intensidade.  E eu gosto quando voc me chama de meu amor.  Saiu meu amorrr
com o forte sotaque de Boston de Jeremiah. Como Brett podia ter se cansado disso?
Agora parecia-lhe to extico e ainda mais sexy quando ela pensava que era assim que
John F. Kennedy devia ser. Oooh. Os Kennedy. Jeremiah era praticamente feito na
mesma frma  bom, sem todos aqueles escndalos de sexo e drogas. A famlia dele era
equilibrada demais para isso.
- Ei.  Ela empurrou o cabelo castanho avermelhado que ficava meio comprido para trs
da orelha.  Quais so os planos para o fim de semana?
- Ah, gata!  Jeremiah tirou as mos da cabea e as esfregou no peito.  Vai ser demais.
Primeiro vamos dar uma surra na galera da Millford na festa dos ex-alunos, depois
vamos cair na farra feito astros do rock. Assstros do rock.
- Astros do rock, hein?  Brett sorriu. Parecia divertido. Ela andava estudando muito
ultimamente e era bom pensar em outra festa. Ela no ficou triste por perder a festinha
no Ritz-Bradley na outra semana, depois de Tinsley t-la expulsado de seu clube
exclusivo para meninas. Ela se divertiu muito mais ficando com Jenny e,  claro,
Jeremiah, quando ele entrou de fininho no Dumbarton. Mas desde a troca forada de
quartos, ter que dividir um quarto exclusivamente com a ex-melhor amiga Tinsley
Carmichael levou Brett a fazer muito mais dever de casa do que faria normalmente. No
incio ela tentou ao mximo evitar o quarto, passando as tardes na biblioteca, mas
depois percebeu que isso significava a vitria de Tinsley. E ento ela comeou a fazer o
dever de casa no quarto do alojamento com Tinsley, as duas se ignorando totalmente.
Era meio foda, mas Brett no ia ceder. Afinal, Tinsley tinha roubado o Sr. Dalton bem
debaixo do nariz dela.  claro que acabou sendo uma bno disfarada. Mas roubar
deliberadamente a paixonite da amiga era um comportamento total de traidora, e
merecia um castigo grave.
O fim de semana dos ex-alunos da St. Lucius parecia a oportunidade perfeita para
relaxar.
- Bem que eu podia netrar nessa.
-  claro que pode  concordou Jeremiah.  Voc ser a mais gata de l.
Ele era um amor. Ela plantou outro beijo nele.
- Ento acho melhor eu comear a planejar o que vou vestir.  Brett estava empolgada
com a oportunidade de conhecer alguns dos amigos de Jeremiah. Talvez at pudesse
juntar Callie com um deles. Caraca, o que ela estava pensando? Callie mal estava
falando com ela. Brett claramente fora marcada como traidora por ser amiga de Jenny.
Ela podia passar sem a amizade de Tinsley  desde que ela voltou da frica do Sul,
naquele outono, ela anda insuportvel. Mais desagradvel e ainda mais indiferente, se
isso for possvel. Mas era estranho no ser mais prxima de Callie. Ela sentia falta de
ouvi-la balbuciar dormindo. s vezes Callie tinha conversas inteiras consigo mesma. O
quarto estava silencioso demais sem ela.
- O que voc acha de jantar com meus pais?  Jeremiah parecia tmido, como se de jeito
nenhum pudesse esperar que Brett suportasse esse fardo.
- Est brincando?  Ela praticamente guinchou, sentando-se.  Eu adoro a sua famlia. 
Talvez ela usasse o colar de prolas de gua fresca que encontrou na Pimpernel's -
embora em geral fosse frescura demais para o gosto mais excntrico de Brett, ela teve
um desejo desesperado de fazer compras na semana passada e arrastou Jenny a uma
butique. Elas experimentaram vestidos supercaros que no pretendiam comprar e
ignoraram a carranca da vendedora loira que deixou claro que no apreciava as
atividades das Waverly Owls  a no ser aquelas como Callie, que pagavam contas ali.
As prolas no eram normalmente coisa de Brett, meio debutantes demais para ela, mas
estas tinham um formato moderno e singular, e ela podia imaginar algum como Sienna
Miller atirando-as no pescoo para dar vida a um vestido preto e sem graa. As prolas
tinham um qu divertido e eram perfeitas para um jantar com os Mortimer, que eram
berclassudos.
No se importa?  Jeremiah se mexeu no colchonete, levando Brett a escorregar para
mais perto dele. Ela certamente no se importava com isso.  Pelo menos podemos
arrancar um bom jantar deles.
Brett colocou sua pequena mo com anel de ouro na de Jeremiah e se inclinou para ele.
- E depois podemos sair... e, er, nos divertir um pouco.
Jeremiah beijou seu rosto e deixou a boca ali, para que ela pudesse sentir as palavras
enquanto ele as pronunciava.
- Gostei da idia.
Ele era to lindo. Ela queria pular em cima dele. Ah, meu Deus. Agora no, Brett
lembrou a si mesma. Todo seu corpo se tensionou com a expectativa. St. Lucius
certamente venceria o grande jogo e Brett ficaria na lateral torcendo para Jeremiah,
vestida numa roupa que mataria de inveja as meninas do St. Lucius. Depois Jeremiah
faria o touchdown vencedor e os torcedores tomariam o campo, e ela correria pelo
gramado (observao: no usar salto agulha) e atiraria os braos nos ombros
acolchoados de Jeremiah, e ele iria gir-la e lhe dar um daqueles beijos teatrais de final
de filme. Eles iam jantar com a famlia dele, no equivalente do St. Lucius ao Le Petit
Coq, e Brett deixaria os Mortimer tontos com seu conhecimento sobre assuntos
internacionais (observao: dar uma olhada em alguns exemplares da Newsweek na
biblioteca), enquanto tentava no derreter com os olhares sensuais a arrasadores que
Jeremiah lanaria a ela do outro lado da mesa. Depois dos beijos no rosto de au revoir
ao Sr. E  Sra. Mortimer, ela e Jeremiah iriam a algum lugar reservado, romntico e
perfeito para eles perderem a virgindade juntos.
Ela aninhou a cabea no ombro de Jeremiah e, enquanto ele apertava suas costas, ela
agradeceu ao destino e a seu bom senso por no ter dormido com o Sr, Dalton. Era para
Jeremiah que ela estava se guardando. E ela s precisava esperar mais alguns dias.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
................................................
De: HeathFerro@waverly.edu
Para: beerdude101@hotmail.com
Data: quarta-feira, 2 de outubro, 18h49
Assunto: Entrega de mercadorias
Mano,
Obrigada pelo retorno  seis barris pequenos devem dar para o comeo da noite.
Lembra onde voc deixou da ltima vez? Ande um pouco mais  o sexto prdio na
estrada de acesso  o Dumbarton, o adorvel alojamento feminino. Encontro voc nos
fundos.
Meia noite. Uuu-uuuu!
H
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
HeathFerro: Ai, calouro, lembra do favor que me deve?
Estou cobrando.
JulianMcCafferty: U, que favor?
HeathFerro: No ter te dado uma surra por ser um calouro intil!
JulianMcCafferty: Que hilrio. O que vc quer?
HeathFerro: Envolve pegar alguns barris de cerveja nos fundos do Dumbarton. Talvez
a gente tenha sorte e elas faam uma festa de calcinha so luar.
JulianMcCafferty: J que  assim...
HeathFerro: Eu sabia que no ia resistir. Me encontra l embaixo  meia-noite, a no
ser que tenha que ir pra caminha cedo...
JulianMcCafferty: Vou levar meu cobertor.
5
UMA WAVERLY OWL EST SEMPRE DISPOSTA A AJUDAR UM COLEGA
NECESSITADO
Tinsley Carmichael abriu a janela de seu quarto no primeiro andar, encolhendo-se
quando ela rangeu alto, antes de perceber que ela no dava a mnima que fosse quase
meia-noite e Brett tivesse acordado. Ela olhou o corpo inerte da colega de quarto,
enterrada sob o edredon rosa-choque de estampa indiana, e quase sorriu ao ver como
Brett sempre dormia como se estivesse em coma. Elas aprenderam a dormir com os
roncos e a falao sonmbula de Callie.
Tinsley suspirou e passou a perna no para peito, deixando a perna com pijama para fora.
Ela se encostou no caixilho e sacudiu um cigarro do mao novo de Marlboro Ultra
Lights. Depois de uma noite longa e cheia de tenso, era glorioso fumar. Ela devia ser
uma das nicas meninas acordadas agora no Dumbarton. Depois de escovar os dentes,
ao voltar para o quarto, ela passou pela menina quietinha do quarto vizinho  usando
um roupo marrom escuro feio e carregando uma toalha preta e grossa no ombro.
Hummm, ta legal. Era tipo a vigsima vez que Tinsley a via indo para o banho quando
todo mundo no alojamento estava dormindo.  claro, isso era normal. E como Pardee
nunca disse nada sobre essa garota claramente desrespeitar o toque de recolher, ela ou
deve saber alguma coisa sobre Pardee (talvez Tinsley no fosse a nica que a tenha
pegado andando com um reitor casado?) ou Pardee a deixava quebrar as regras porque
era a nica maneira de a manter fora do manicmio.
O relacionamento de Brett e Tinsley como colegas de quarto s perdia para o de Callie e
Jenny em termos de loucura. Este ano Brett estava na lista negra de Tinsley, depois de
duas enormes ofensas de cortar a amizade. Primeiro, ela era toda cheia de amores com
Jenny Humphrey, como se tivesse sido a Jenny quem salvou a pele de Brett no ano
passado, assumindo a culpa pelo incidente flagradas-no-campo-com-Ecstasy. E depois
toda histria do Sr. Dalton  Brett praticamente estava dormindo com o cara e no se
deu ao trabalho de contar a ela. Tinsley no resistiu, teve que tentar roubar o Sr. Dalton.
A deslealdade entre melhores amigas a deixava louca.
E talvez fosse por isso que ela estava se sentindo uma adolescente meio m - no
culpada, s m  pelo modo como a saga do Sr. Dalton acabou se desenrolando. S o
que ela queria era que Brett a recebesse de volta  Waverly de braos abertos  era
demais esperar isso de uma das supostas melhores amigas? Ela ficou magoada coma
frieza de Brett e ento ela atacou  pegou meio pesado,  verdade. Mas Brett no tinha
de levar tudo to a srio. At parece que ela ia se casar com o Dalton ou coisa assim.
Alm de tudo, como resultado direto de Tinsley roubar Dalton, Brett voltou com
Jeremiah. Ento, na verdade, tudo tinha dado certo. Brett devia agradecer a ela de
joelhos!
Tinsley meio que estava gostando da briga, especialmente agora que Brett revidava 
altura. No comeo, Brett passou alguns dias evitando o quarto, mas ento era como se
tivesse percebido que estava perdendo ou coisa assim, e comeou a ficar mais por l,
ouvindo msica alto, tagarelando ao celular com Jeremiah ou com a irm, desafiando
Tinsley a dizer alguma coisa. Brett at levou as nerds do grupo de estudos de qumica
uma noite para fazer cartes de equaes e smbolos qumicos  e Tinsley teve
simplesmente de ficar sentada em silncio  mesa, ignorando-as enquanto elas
bradavam coisas como a lei de Faraday da eletrlise e reao de glicose. Nerds! Hoje 
noite mesmo, ela e Brett ficaram sentadas em suas mesas a um metro e meio de
distncia, escrevendo trabalhos em seus laptops e ouvindo os iPods. Brett acabou indo
para a cama primeiro, em silncio,  claro.
Tinsley suspirou. Era tudo um jogo. E Brett seria a primeira a desistir.
Do lado de fora da janela, alguma coisa se mexeu. Tinsley bateu as cinzas no arbusto
abaixo e semicerrou os olhos  ela era praticamente cega sem as lentes de contato.
Parecia que havia duas figuras perto da estrada de acesso que passava atrs do
Dumbarton e dos outros alojamentos femininos, e ao lado, parecia haver um esquadro
de VNIS brilhantes. Mas o que... Era Heath??
O corao de Tinsley comeou a bater um pouco mais rpido. Alguma coisa estava
acontecendo. Ela olhou para trs e viu Brett, praticamente em coma, depois ergueu o
chaveiro Tiffany, como Zippo platinado e o apito de emergncia (que seu pai a fez
prometer que estaria com ela o tempo todo  embora ela agora estivesse na Waverly e
no na frica do Sul). Ela o colocou nos lbios e soprou rapidamente.
As figuras pularam mas, antes que pudessem fugir, Tinsley acenou seu brao plido e
fino para eles e mostrou um sinal de paz.
-  voc, HF?  sussurrou Tinsley na noite fria e escura enquanto Heath corria em sua
direo. Ela semicerrou mais os olhos para a figura ao lado dele. Parecia aquele calouro
gato e superalto que sempre andava com os meninos mais velhos. Julian? timo. Sua
noite definitivamente estava melhorando.
- Ah, garota!  Heath exclamou num tom um pouco mais alto do que um sussurro. 
Que bom te ver!
- O que vocs esto fazendo aqui?  perguntou Tinsley, baixando os olhos friamente.
Ela se sentia muito sensual, sentada na janela com o pijama Hanro de seda branca,
fumando um cigarro, feito um personagem tirado de uma pea deTennessee Williams. 
J passa um pouco, hummm, do toque de recolher.
- A gente gosta de viver perigosamente  respondeu Julian, bocejando. Tinsley virou a
cabea para ele. Ele era to lindo, como lembrava, mesmo com sua viso embaada.
- A, ? Procurando cogumelos de novo?  Tinsley chutou a perna pendurada na parede
de tijolinhos do Dumbarton e jogou o cigarro na grama embaixo.
Heath se aproximou com seu tnis e pisou na guimba.
- Olha, temos um problema aqui.  Havia certa preocupao na cara totalmente relaxada
de Heath. Ele apontou para os VNIS.  Temos seis meios-barris que precisam de um
lar.
Tinsley olhou os monturos prateados e cintilantes. Seis meios-barris?
- Por que vocs trouxeram para c?
Julian sorriu e passou a mo no cabelo louro e desgrenhado.
- Um presente para voc? Uma oferenda?
Pode parar com a palhaada por um minuto, meu caro?  Heath parecia estar  base de
comprimidos de cafena ou algo do tipo.  Podemos pensar numa soluo para o
problema e deixar a paquera para depois?
- Por que no botam no terrao?  sugeriu Tinsley inocentemente, dando de ombros e
indicando a escada de incndio no canto do prdio, que levava at o terrao. Seria
divertido de assistir.  Ningum vai encontrar l.
- Brilhante!  Heath bateu na testa.  Eu sabia que voc ia pensar em alguma coisa. 
Ele empurrou Julian para os barris.  Pegue um. Vamos subir pela escada de incndio.
Os meninos so to burros. Sem acreditar, e sentindo um prazer um pouco exagerado,
Tinsley ficou olhando os dois carregarem desajeitados um dos barris de cerveja pela
escada de incndio enferrujada e frgil, tentando desesperadamente no fazer barulho.
Ela deu uma risadinha. Ser que estavam chapados ou eram s uns idiotas?
Quando eles voltaram ao cho, Tinsley tinha mudado de idia.
- Olha, acabei de ouvir a anormal do quarto ao lado indo para o banho.  Talvez a
menina quietinha que s tomava banho quando ningum mais estava por perto fosse de
alguma utilidade. Ela ficaria honrada.  Eu posso abrir a porta dos fundos para vocs...
Vocs podem entrar de fininho no quarto dela. Ela mora sozinha. Aposto que eles vo
caber debaixo da cama.
Ela levou todo o tempo do mundo calando os confortveis chinelos Uggs (ela odiava
as botas, mas os chinelos eram bons) e se arrastou pelo corredor, descendo a escada de
mrmore frio at a porta dos fundos do Dumbarton. Heath e Julian esperavam por ela,
arfando de terem carregado os barris para o local.
- Vocs esto em pssima forma  sussurrou Tinsley, espremendo-se na porta para que
os meninos pudessem passar, cada um deles carregando um dos pesados recipientes nos
braos.
- Ento por que no nos ajuda?  sussurrou Heath de mau humor, com os tnis,
molhados de orvalho, guinchando nas tbuas corridas.
- Acho que eu j fiz mais do que o suficiente.  Ela os levou pelo corredor, observando,
enquanto eles passavam pelo banheiro, que o chuveiro ainda estava aberto.
- Quem toma banho  meia noite?  Heath olhava as portas fechadas  medida que
passavam, imaginando as meninas adormecidas e nuas dentro deles. Ele tinha se
esquecido de ficar rabugento e parecia perfeitamente feliz.
- Ningum que voc queira conhecer.  A luz vazava por baixo da porta fechada do
quarto da Garota do Banho e Tinsley a abriu. Era um quarto pequeno, que antigamente
devia ter sido armrio de depsito, arrumado e organizado como uma cela de monge. A
cama era sustentada por gigantescos blocos de concreto, erguendo-a uns bons 30
centmetros do cho de madeira.
- Legal  sussurrou Heath, passando as mos no lenol suave, que exibia um enorme
logo do Super-homem. Ou talvez fosse do Batman. Tinsley odiava toda essa merda de
super-heris, mas Heath parecia estar prestes a se atirar ali e comear a pular.
Tinsley tirou a mo dele da cama.
- Pare de babar para a Mulher-Gato e comece a fazer alguma coisa de til. No tem
alguns barris para esconder?  Ela levantou a beira do lenol e se abaixou para olhar
embaixo da cama. Completamente vazia. Caramba, a menina no tinha porcaria
nenhuma.  Est vazio aqui embaixo... Eles vo caber.
- Mulher-Gato?  Heath riu enquanto colocava delicadamente seu barril no cho e o
empurrava para baixo da cama.  Ela tem um morcego nos peitos...  a Batgirl!
- Quer dizer, tipo a Alicia Silverstone?  Julian endireitou o corpo depois de colocar o
barril no lugar.
Heath gemeu.
- No, essa foi uma degenerao cruel da verdadeira Batgirl, que tem intelecto de gnio,
habilidades soberbas de hacker e mais artes marciais...
Julian e Tinsley trocaram olhares. Tinsley pegou Heath pela mo e o puxou para a porta.
- Voc sabe que eu adoro ouvir voc ficar todo potico com os quadrinhos e tudo isso,
mas ela j deve ter passado xampu e condicionador, ento podemos nos concentrar
aqui?
- T legal.  Heath foi para a porta, dando uma ltima olhada prolongada por sobre o
ombro. Julian parecia se divertir. Na verdade, Tinsley percebeu que ele sempre tinha
essa expresso, como se a vida em geral o divertisse. Enquanto voltavam na ponta dos
ps pelo corredor e saiam pela porta, um feixe de luz bateu no rosto de Julian e Tinsley
se esqueceu de ter cime de Heath Ferro devaneando com uns amassos com a mane da
vizinha s para que ele pudesse rolar na cama da nerd.
S no que ela conseguia pensar era em fazer uma tima primeira impresso aos olhos de
Julian. Mesmo que ele fosse s um calouro, ela ia fazer com que ele se apaixonasse por
ela.
De: JLWalsh@lockwoodwalshbarristers.com
Para: EasyWalsh@waverly.edu
Data: Quinta-feira, 3 de outubro, 8h12
Assunto: Jantar
E,
Tentei ligar, mas no tive resposta. To na cidade para o Fim de Semana do Conselho
Diretor. Vou encontr-lo para jantar na sexta  noite no Petit Coq. Oito em ponto. Estou
fazendo reserva para trs. Leve Callie
J.L.W.
6
UM WAVERLY OWL JAMAIS ESQUECE QUEM  SUA NAMORADA
Na quinta de manh, Easy Walsh atravessou o ptio, mal vendo as poas que ficaram da
chuva da vspera que seus Golas marrons e castanhos evitaram minuciosamente. Seus
olhos estavam colados no caderno Moleskine que ele usava para tomar notas nas aulas
do Sr. Wilde. O problema era que ele em geral ficava mais interessado em desenhar o
que via do lado de fora da janela  um esquilo gordo tentando enfiar o focinho num
mao amarrotado de cigarros, duas meninas de top jogando Frisbee, Heath ferro lendo a
revista People  em vez de prestar ateno no que seu professor tinha a dizer sobre o
Destni Manifesto e os Artigos da Confederao. Easy folheou as pginas com desenhos
e sua escrita quase indecifrvel e suspirou. Vinte minutos de esforo no iam ajud-lo a
passar nesta prova.
Embora soubesse da prova h duas semanas, Easy no conseguira escolher estudar.
Simplesmente havia muitas coisas muito mais importantes. Como podiam esperar que
ele grudasse nos livros quando as folhas mudavam de cor nas rvores e Credo podia
sentir o cheiro fresco do outono e praticamente implorava a ele para lev-la para
cavalgar? Quando o inverno chegasse, ficaria frio demais para pintar em seu esconderijo
secreto no bosque. Ele precisava tirar proveito disso agora. Ele no entendia as pessoas
que passavam a vida toda fazendo coisas que pensavam que deviam fazer  elas no
eram felizes, eram?
Ele fechou o bloco e acendeu um Marlboro vermelho.
O e-mail de seu pai esta manh o irritara mais do que ele gostaria de admitir. Ele ainda
no contara ao pai sobre o trmino com Callie. No que ele um dia tenha se
confidenciado com o pai. Easy e o pai eram extremos opostos. Jefferson Linford Walsh,
formado na Waverly, na Vanderbilt e na Faculdade de Direito de Yale, scio de uma
importante firma de advocacia no Sul, pai de quatro meninos, trs deles at agora
seguindo seus passos quase  perfeio, enquanto o mais novo era um fodido metido a
artista que mal conseguia estudar para sua primeira prova importante de histria
avanada.
Easy pegou o celular e discou o nmero privativo do pai.
- J.L.Walsh falando  ribombou a voz do pai com o sotaque do Kentucky mais
pronunciado do que o de Easy.
Easy soltou uma baforada de fumaa e a olhou flutuar para as rvores.
- Pai. Oi.
- Parece que voc est fumando  observou o pai, renunciando a saudaes mais
comuns do tipo Como voc est? Bom dia! Que bom ouvir sua voz, filho!
easy jogou o cigarro no cho.
-  bom falar com voc tambm.
O Sr. Walsh suspirou.
- Espero que no esteja telefonando para tentar se livrar de nosso compromisso de jantar
na sexta  noite.
Compromisso de jantar? Jamais tenha um pai advogado.
- No, tudo bem para o jantar.  Easy se deitou numa mesa de piquenique prxima a ele.
O sol quente tinha secado a mesa depois do dilvio de ontem, mas o tampo ainda estava
meio mido atravs de seus jeans e do blazer. Ainda assim, era muito mais fcil falar
com J.L.Walsh quando se estava deitado.  Mas no estou mais namorando com a
Callie. Eu estou meio que saindo com...
- Est brincando comigo?  A voz do pai se elevara uma oitava quando ele ficava
aborrecido. Easy sentiu o corpo tenso e o crebro mandou uma desculpa para seus lbio
antes que ele pudesse evitar. Por sorte o pai ladrava ordens a plenos pulmes e Easy
percebeu que ele estava falando com a secretria.
- Bom, ento, ela ter de ser convidada minha  continuou o pai, a voz voltando ao tom
natural. Easy podia ouvi-lo rabiscando em um de seus famosos blocos amarelos.  Eu
gosto da Callie. Gostaria de v-la.
- Pai...
- Verei os dois s oito em ponto. Estou ansioso para o jantar. Mais alguma coisa?
Havia mais alguma coisa? Easy no estava interessado em entrar numa discusso
gigante sobre isso, principalmente porque, quanto mais Easy protestava, mais o pai
insistia. Melhor deixar rolar. O pai podia reclamar da ausncia de Callie o quanto
quisesse enquanto comia o seu coq au vin.
- Ento a gente se v.  Easy desligou o telefone e o colocou no bolso traseiro dos seus
Levi's largos. Deitou-se de costas na mesa de piquenique e fechou os olhos, respirando
fundo vrias vezes o ar fresco do outono e meditando sobre como estava ferrado.
- Tirar um cochilo antes d aprova te ajuda a lembrar das coisas?  Uma voz de mulher
interrompeu os devaneios de Easy. Ele se ajeitou e semicerrou os olhos. Callie estava
parada ao lado da mesa, usando um cardig branco com um vestido azul de mangas
curtas e decote em V que podia parecer vulgar em algumas meninas, mas ficava timo
em Callie, cujos seios, depois de ela aparentemente ter parado, desapareceram. Ela se
balanava em um de seus pares tpicos de sandlias de salto pontudas com jeito de
caras, o novo corte de cabelo curto deixando-a mais nova e mais bonita do que Easy
estava acostumado.
Ele pestanejou. Ser que ela estava aqui para dar uma dura nele? Embora eles
estivessem na mesma turma de histria, era uma turma grande e Callie se sentava na
frente, com o resto das meninas que queriam uma viso desimpedida do Sr. Wilde, que
era o professor garanho do campus antes da chegada do Sr. Dalton. Easy tendia
achegar atrasado e escapar no segundo em que a aula terminava, principalmente agora,
que ele evitava Callie. O trmino foi to feio, que mesmo semanas depois ele no
conseguia deixar de querer evit-la  no tanto por ele, mas por Lea. A Waverly era um
lugar pequeno e era notoriamente difcil evitar as pessoas, mas ele queria fazer o que
pudesse para que Callie tivesse espao. Tavez ela esfriasse a cabea e no o odiasse
tanto. Ou talvez ela parasse de odiar Jenny, que era possivelmente a pessoa menos
abominvel do mundo. Callie era apavorante quando ficava irritada. Uma vez, quando
ele esqueceu o aniversrio de seis meses dos dois ela pegou o exemplar dele de On the
Road e rasgou uma a cada cinco pginas. Mas agora aqui estava ela, parada diante dele,
sorrindo?
Easy se sentou e balanou os ps no banco abaixo.
- No, acho que no tem jeito para mim.
- Se voc quisess impressionar o Sr. Wilde tanto quanto eu, talvez tivesse se preparado
para a prova.  Ela passou a cara bolsa de couro cor de mel de um brao para outro.
- Mas ser que ningum aprendeu a lio ainda, sobre ficar obcecado com professores
jovens e bonitos?  Ele revirou os olhos.
- O Sr. Wilde  casado. E tem, tipo assim, duas filhinhas  assinalou Callie.  E alm
disso ele  velho. Ele tem tipo 35 ou algo assim.
Easy se viu rindo, algo que parecia bom depois da conversa tensa que tivera com o pai.
Era bom ver callie de bom humor  um humor que no inclua Callie resmungando com
ele porque o vira paquerando outra ou dando uma dura nele por jogar Xbox com os
meninos em vez de ligar para ela e ouvi-la tagarelar sobre sua mais recente compra na
Barneys. Mas agora ela parecia... mais suave. Ser que afinal seriam amigos? Era meio
chato ser ntimo de algum por tanto tempo e de repente no haver mais nada. Ele se
sentiu bem conversando com ela de novo.
- Trinta e cinco no  velho.  easy passou as mos no rosto.  Experimente 48.  a que
os homens ficam velhos. E rabugentos.
- Hein?  um olhar confuso apareceu no rosto de Callie.  voc falou com seu pai agora
ou coisa assim?
- . Como sempre, encantador.  Um cacho rebelde caiu nos olhos de Easy e ele o tirou.
 Ele vir este fim de semana para as reunies do Conselho Diretor. E ele... er...
convidou voc para jantar conosco na sexta-feira  Easy se viu acrescentando.
- Ele convidou, ?  Ela parecia surpresa, mas satisfeita.  Nem acredito que ele lembra
meu nome!
- Ao que parece, voc causou uma boa impresso nele. Deve ser uma coisa das
mulheres do Sul.  Callie podia ser totalmente charmosa quando queria. Quando a
conheceram no Fim de Semana da Famlia na primavera passada, os pais de Easy
ficaram completamente apaixonados pelo sotaque da Georgia de Callie, o jeito
confiante, o cabelo louro arruivado comprido e a capacidade de tornar a conversa
animada e pensar no que dizer mesmo nos momentos mais constrangedores. Ele sabia
que ela estava acostumada a ter de bater papo nos horrveis jantares polticos e nos
eventos sociais da me governadora e que ela meio se divertia. Enquanto os pais dele a
bajulavam, provavelmente imaginavam um casamento grande e elegante na manso da
governadora. Francamente.
- Voc...  Callie comeou a falar, depois parou e mordeu o lbio inferior rosa algodo-
doce.  Quer dizer, se for facilitar a sua vida, terei prazer em ir.  Seus olhos castanhos,
pela primeira vez, pareciam completamente desprovidos de segundas intenes.  Se
voc quiser.
Ela estava sendo muito... legal. Passou pela cabea de Easy uma imagem do que seria o
jantar com o pai, sozinho  perguntas interminveis sobre cada curso que ele estava
fazendo, perguntas sobre as notas, querendo saber sobre as suas preparaes para o teste
SAT, seus planos para a universidade, sua carreira, o Futuro. Depois ele imaginou
Callie ali, fazendo o velho pai derreter, perguntando a ele sobre a firma de advocacia,
contando histrias divertidas sobre a campanha poltica da me, talvez at fazendo
J.L.Walsh rir e agir como um ser humano.
No havia muitas alternativas.
- Bom, er, se no se importar... isso seria... hummm... timo.
Callie sorriu.
- Legal. Ficarei feliz em ver o velho J.L. de novo.  Ela olhou o relgio prata e diamante
frouxo no pulso magro. Olhou para o Farnsworth Hall, os assombrando como um
fantasma.  Precisamos entrar. Ele vai passar a prova logo.
Easy gemeu e se levantou. A prova. Ele pegou a bolsa de lona verde militar suja e a
pendurou no ombro.
- Que timo.
- E olha s, no se preocupe, no vou contar a Jenny.  Ela passou as duas mos no
cabelo na altura do ombro e Easy se obrigou a desviar os olhos de seu pescoo elegante
e bonito, de repente tomado de culpa.
Mas ento ele tentou imaginar a doce Jenny  mesa com o pai, tentando responder a
todas as perguntas com que ele a bombardearia, uma depois da outra, no estilo
advogado, at que ela irrompesse em lgrimas. Jenny no sabia que o pai dele podia ser
medonho; ela sem dvida precisava passar por uma preparao intensa antes de se
submeter a uma coisa to exigente como um jantar com ele.
E Callie j conhecia o pai de Easy e sabia lidar com suas exigncias tempestuosas. E
meio que parecia que... eles agora eram amigos. Tinha alguma coisa de errada em levar
uma maiga para jantar fora com o pai?
Mas enquanto deslizava para sua carteira no fundo da sala, ele sentiu a boca do
estmago afundar e suspeitou de que no se devia inteiramente  prova de histria que
estava prestes a fazer.
De: TinsleyCarmichael@waverly.edu
Para: CallieVernon@waverly.edu
BennyCunningham@waverly.edu
VerenaArneval@waverly.edu
CelineColista@waverly.edu
SageFrancis@waverly.edu
AlisonQuentin@waverly.edu
Data: Quinta-feira, 3 de outubro, 17h55
Assunto: Calcem as sandlias de festa
Senhoras,
Por uma guinada fortuita do destino, algo especial acaba de cair em nosso colo, ou
melhor, em nosso terrao... E devemos aproveitar nossa boa sorte!
Festa do barril, no terrao do Dumbarton, oito da noite. Shhh... Pardee vai receber umas
amigas hoje... Ns as vimos com vrias garrafas de um vinho tinto muito vagabundo,
ento vocs sabem o que isto significa. Acho que  seguro dizer que ela desaparecer
em combate.
Por favor, contem a Emily Jenkins que a presena dela  solicitada  acho que est na
hora de aceitarmos uma nova scia no Caf Society.
Bjs,
Tinsley
7
QUANDO NO  CONVIDADA A UMA FESTA, UMA WAVERLY OWL SE
DIVERTE SOZINHA.
- Crazy Daisy ou Maliblu?  perguntou Brett, erguendo dois vidrinhos de esmalte de
unha de cores vivas Pinkie Swear para Jenny examinar. As duas estavam esparramadas
no cho do quarto 303 do Dumbarton, encostadas na cama extra, aquela que antes era
ocupada por Tinsley Carmichael. A cama antiga de Jenny fora devolvida ao depsito do
poro e ela assumira a cama de brett  a idia de dormir na cama em que Tinsley tinha
sido expulsa lhe dava arrepios. Todo o equipamento necessrio para a manicure
domstica estava espalhado entre as duas: tigelas de gua morna com sabo para
amaciar as cutculas, basto de cutcula de laranjeira. Lixa de unha, loo cremosa para
as mos, pilhas de bolas de algodo, frascos de base clara, cotonetes, removedor de
esmalte. Era como o Rescue Salon ou, pelo menos, o mais perto que se podia chegar
disso na Waverly.
Mais cedo, Brett sugerira uma noite de manicure e pedicure e Jenny ficou emocionada.
Ao que parecia, era algo que Callie, Tinsley e Brett faziam o tempo todo, e Jenny ficou
feliz por Brett agora se sentir  vontade com ela para ajud-la nessas tarefas. Mas Jenny
imaginava que as noites de manicure nunca foram to tranqilas como esta. Pelo que
Jenny tinha visto das interaes das trs, elas estavam sempre carregadas de tenso e
competitividade subjacente. Parecia que cada uma delas estava desesperada para parecer
a mais cool e mais sofisticada das trs. At Brett podia ficar completamente dedicada a
superar Tinsley e Callie.
- Hummm, o Maliblu  meio modernoso demais para mim.  Jenny franziu o nariz para
o frasco azul cintilante.  No acho que possa ter unhas azuis.  Os dedos de seus ps,
enfiados confortavelmente em uma daquelas almofadas de espuma para separar os
dedos, estavam pintados num vermelho cereja vivo. Vanessa Abrams, a namorada do
colgio do seu irmo Dan que agora morava no antigo quarto de Jenny no apartamento
do pai na West End Avenue, era o tipo de garota que podia usar esmalte azul escuro.
Com a cabea raspada e o guarda-roupa preto, parecia quase natural nela. Como se ela
algum dia tivesse ido  pedicure.
- Pensei que as artistas fossem ousadas  brincou Brett e apertou o vidrinho na palma da
mo de Jenny, com cuidado para no borrar a base ainda molhada.
Jenny pegou o esmalte e o examinou. s vezes ela podia ser bastante sem graa. Porque
no experimentar uma coisa nova?
- Acha que brilha no escuro?
- Acho que voc vai ter que ficar com Easy sozinha para testar isso.  Brett j havia
colocado a cor azul nos dedos dos ps e os mexia, feliz.
- A gente deve sair para jantar amanh  noite  confessou Jenny, apertando o pincel na
unha do polegar e vendo o esmalte se espalhar. Era menos Manic Panic, mais amora-
preta, e no era assim to ruim.  Vai ser legal... Acho que no o tenho visto muito
ultimamente.
- E o quanto do Easy voc quer ver?  perguntou Brett sugestivamente, sacudindo do
rosto uma mecha de cabelo ruivo, tentando no usar as mos.
Neste exato momento, a porta se abriu e Callie entrou, com um vestido azul-claro
estonteante Michael Kors e sandlias de couro Jimmy Choo caramelo que
provavelmente ainda nem apareceram nas pginas da Vogue. Jenny e Brett trocaram um
olhar, mas Calllie claramente fingia que no tinha ouvido o nome do ex-namorado. Na
verdade, para choque absoluto de Jenny, Callie at meio que olhou para ela. No era
bem um sorriso, mas no era o mesmo olhar de voc-no-existe-para-mim que Callie
andava lhe lanando nas ltimas semanas, desde que descobriu sobre Easy e Jenny.
Quem sabe ela estava quebrando o gelo?
- Ei, Cal  disse Brett, observando enquanto Callie contornava as duas meninas no cho
e ia para seu armrio.  Gostei do vestido... e dos sapatos. So novos?
Callie abriu a porta do armrio e parou ali, imersa em pensamentos, somo se no tivesse
ouvido Brett.
- Qu?  disse ela um segundo depois enquanto, num movimento s, tirava o vestido
pela cabea e o atirava sem o menor cuidado na prateleira do antigo armrio de Tinsley,
de que ela tomara posse no segundo em que as coisas de Tinsley foram transferidas para
baixo.  Ah, hummm, . So novos.
Brett e Jenny trocaram um olhar. Os olhos castanhos de Jenny se arregalaram e ela
murmurou para Brett as palavras Tudo  novo. Brett assentiu, parecendo preocupada.
Aparentemente, Callie era famosa por gastar demais sempre que se sentia deprimida. No
ano passado, quando repetiu na prova final de qumica, ela estourou o carto de crdito
Visa platinado na Saks.com, embora tivesse um limite imensurvel. Jenny podia ver os
olhos de Brett percorrendo as pilhas de caixas de sapatos. O suficiente para construir
uma aldeia de papelo. Se o pai anarco-comunista de Jenny visse isso, ia sacudir a
cabea e resmungar alguma coisa cida sobre o consumo exagerado. No fundo, Jenny
pensava que era meio extico tratar a depresso de uma forma to extravagante.
Jenny se encostou na cama e olhou enquanto Callie ficava parada diante do armrio, as
omoplatas ossudas projetando-se ainda mais que o normal. Obviamente ela precisava se
preocupar em tomar porres quando estava em depr. Ela pegou no armrio um vestido
malva leve, cuja etiqueta Jill Stuart ainda estava pendurada no zper.
- Pode fechar pra mim, B.?  disse ela distrada, ohando por sobre o ombro nu, o cabelo
louro arruivado sibilando na nuca. Ela abriu um sorriso amarelo na direo de Jenny
enquanto Brett fechava o zper.
- Pera... Ainda est com a etiqueta.  Brett se inclinou e pegou o cortador de unha onde
estava, ao lado dos ps de Jenny.  Bonito vestido. Aonde voc vai?  Tiras fininhas de
fio prateado cintilavam na luz enquanto Callie girava num crculo.
- Ah.  Ela se examinou no espelho de corpo inteiro ao lado do armrio abarrotado.
Franziu o nariz com culpa, mas claramente no se sentia culpada.  Desculpe. S a
sociedade secreta.
Tudo bem, pensou Brett, seus sentimento de ternura por Callie evaporando de imediato.
Se ela ia continuar sendo puxa-saco da Tinsley, podia muito bem fechar a porra do
vestido sozinha.
Brett se sentou no cho na frente de Jenny, tentando no demonstrar sua irritao. Ela
bocejou.
- Divirta-se.  Ela fez com que a voz parecesse o mais desinteressada possvel, como se
elas estivessem falando sobre a aula de latim e no sobre uma festa.
Pera um minutinho... Esse barulho era de gente andando no terrao?
- Eu convidaria voc para ir  disse Callie, pegando um par de brincos de ouro branco
da caixa de jias de cetim, a voz gotejando uma falsa doura que at o paria social mais
surdo poderia perceber.  Mas...  Ela se interrompeu.
-  totalmente gentil de sua parte.  Brett abriu o vidro de Crazy Daisy e respirou fundo.
No ia deixar que Callie a irritasse e estragasse suas unhas. Jenny se ocupava fingindo
estar completamente envolvida em aplicar uma camada de base nas unhas dos ps, mas
Brett sabia que ela tentava ao mximo no rir.  A gente est meio ocupada aqui
mesmo.
Callie no mexeu os olhos enquanto passava cuidadosamente o delineador Dior nos
olhos em Precious Violet.
- Ta. Faezr as unhas. Divirtam-se.  Ela piscou dvagar no espelho, depois fechou com
rudo a tampa do delineador.
Os olhos verdes de Brett se estreitaram, mas ela manteve um tom brincalho na voz
enquanto uma gota de esmalte pssego pingava do pincel e caa em seu joelho nu.
-  claro que no  o mesmo que fazer strip-tease para Heath Ferro nem nada to de
classe assim  observou ela brevemente, dando uma cutucada sobre a ltima festa da
sociedade.  Mas pelo menos vou ficar com as unhas bonitas de manh!
- , ta legal. Divirta-se muito.  Quando Callie abriu a porta do quarto, uma msica
dance o invadiu.  At mais!  Sua voz vibrava de falsidade quando ela bateu a porta.
- Essa foi boa  Jenny riu.  Quer dizer, pelo menos ela olhou para mim.
Brett ficou meio nervosa.
- No sei no. S espero que ela no esteja tentando ser algum que no , sabe? 
Agora Callie estava mais parecida com Tinsley do que a prpria Tinsley, e a idia de
duas Tinsleys zanzando pelo campus era verdadeiramente apavorante.
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YvonneStidder: Qual  a do terrao? Tenho um baita concerto. No consigo ouvir meu
sax.
KaraWhalen:  a Tinsley etc, um barril de cerveja ou coisa assim.
YvonneStidder: Cerveja no terrao? Legal! Fui!
KaraWhalen: Boa sorte nessa. S pra piranhas.
YvonneStidder: Ei, ns tambm moramos aqui.
KaraWhalen: Moramos, ?
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SageFrancis: J pro terrao, sua cretina de sorte.
EmilyJenkins: J no era sem tempo! O que vou vestir??
Meu Marc Jabocs?
SageFrancis: Qualquer coisa. S lembre de puxar o saco da Tinsley.
EmilyJenkins: Meninos tambm?
SageFrancis: Hummm, no. E nada de Parker duBois tambm. Mas de qualquer jeito,
ele no ta nem a pra voc.
EmilyJenkins: Tanto faz. To dentrooooo!!!!!
8
UMA WAVERLY OWL NO POUSA NO TERRAO DE NENHUM PRDIO
DA ESCOLA
A noite de quinta-feira estava quente e a festa no terrao comeou a ferver assim que o
sol caiu no horizonte. Tinsley ficou de olho no barril no terrao o dia todo, para ter
certeza de que estava escondido com segurana na sombra e substituindo o gelo quando
ele derretia no cooler. Parada agora no terrao com as botas de couro de um dourado
metalizado Giuseppe Zanotti e a saia de seda creme Gold Hawk com debrum de croch,
combinada com uma camiseta branca simples, e o vento leve ondulando a saia nas
coxas, ela se sentia... em paz. O que, traduzindo, significava  entediada. O terrao tabu
do Dumbarton era surpreendentemente sem graa: as paredes de tijolinhos protegiam as
meninas da viso da copa de algumas rvores e s. As folhas coloridas pareciam
majestosas desbotando no poente. Majestosas e um tdio.
Tinsley se recostou na cadeira plstica de jardim, uma da meia dzia que Sage e Celine
surrupiaram do depsito no poro, e bebeu sua cerveja gelada. Todas as meninas do
Caf Society estavam ali e ela quase se esquecera de que a baixinha Jenny Humphrey e
a cretina da Brett um dia fizeram parte deste grupo. Quase. Irritava Tinsley que Brett
Messerschmidt parecesse no se deixar afetar por sua excluso social. Ela esperava que
a ex-amiga fosse excluda por todo mundo na Waverly depois que soubesse que ela
estava em desavena permanente com Tinsley Carmichael. Mas as coisas no
aconteceram assim. Brett parecia estar se saindo bem, ainda andando com as outras
meninas quando Tinsley no estava por perto, com se ela no tivesse entrado na lista
negra. Tinsley ainda esperava que Brett se atirasse no cho, beijasse as pontas de suas
botas e lhe implorasse para que recomeassem tudo. Mas Brett parecia to... bem
resolvida.
Talvez fosse porque Brett est apaixonada de novo por Jeremiah.  claro que a
namorada do quarterback sempre seria popular  isto , desde que eles estivessem
juntos.
A porta de metal do terrao bateu, interrompendo os pensamentos de Tinsley. Era
Callie, usando um dos lindos vestidos novos.
- As ndias esto ficando inquietas l embaixo  disse ela sugestivamente a Tinsley
enquanto passava animada por um bloco de concreto.  Todas querem invadir nossa
festa. Bom, no a Jenny e a Brett  corrigiu-se Callie amargamente, os lbios franzidos
num biquinho cor-de-rosa.  Elas esto no meu quarto, num momento gay, fazendo as
unhas uma da outra ou coisa assim.
Tinsley ajeitou a saia creme e respirou fundo. Deu uma olhada no cenrio  Alison
Quentin e Verena Arneval danavam com a msica que vinha do iPod de Tinsley.
Benny Cunninghan e Celine Colista estavam amontoadas em volta do barril, tentando
bolar um novo jogo de bebida  um jogo que j no tivesse sido feito mil vezes. Sage
Francis batia papo com Emily Jenkins, a mais nova associada, uma coisa que Tinsley
comeou a se arrepender no segundo em que Emily apareceu no terrao usando o que
parecia um vestido de formatura da Macy's de 1991.
Tinsley suspirou alto. No queria admitir em voz alta, mas essa festa estava... uma
droga. Ela estava com tdio. Tdio. Tdio. Tdio.
- Bom, pro inferno.  Ela se levantou.  Vamos convid-las a entrar.
A boca rosa de Callie se abriu de surpresa.
- Est falando srio?
- E por que no?  Tinsley andou sem o menor cuidado para a porta, derramando pelo
caminho a cerveja que bebia.
- Porque  tipo assim... Yvonne, a nerd da banda britnica, e aquela garota do cabelo
pegajoso que tem, tipo uma foto da Jewel na porta dela, e tambm...
Tinsley parou e deu um tapinha de leve no rosto de Callie.
- No seja ta esnobe, meu bem.  Seus olhos violeta faiscaram de diverso. Isso podia
ser interessante.  H muita cerveja para todas.
- Que seja.  Callie revirou os olhos.
Sentindo-se imprevisvel e magnnima, uma palavra do teste de aptido do SAT que ela
jamais pensou que um dia usaria para descrever a si mesma,Tinsley abriu a porta
rangente de metal. Vrias meninas saram do caminho s pressas, mas algumas
voltaram, eternamente otimistas. Bom,por que no dar alguma emoo a elas?
- Ei garotas.  Os olhos de Tinsley varreram com habilidade os rostas vagamente
conhecidos  meninas que ela vira nas aulas, no refeitrio ou talvez at no banheiro,
escovando os dentes na pia ao lado. Meninas que ela no conhecia realmente e meninas
que ela no estava terrivelmente interessada em conhecer. Ela reconheceu que Yvonne,
a nerd de banda de sua turma de italiano, com o corpinho de passarinho e o cabelo louro
comprido, podia ser bonita se no usasse roupas to ridculas.
Magnnima. Tinsley forou seus lbios vermelhos com gloss a dar um sorriso.
- Por que no participam da festa? A noite est tima.
-  mesmo?  piou Yvonne.  Voc no se importa?
Meu Deus, pensou Tinsley. Ser que teria que implorar?
- Claro que no  disse Tinsley entre dentes.  Entre. Convide todas as outras... Ser um
lance de vnculo do alojamento.  De imediato ela se lembrou de que Callie disse que
Brett e Jenny estavam tendo uma festinha manicure, uma das coisas que as trs
costumavam fazer em tempos melhores. Tempos em que elas realmente se falavam. De
jeito nenhum permitiria que aquelas traidoras viessem a esta festa, fosse do alojamento
todo ou no.  Vou contar no terceiro andar.
Yvonne e algumas amigas abobalhadas correram para baixo, ansiosas para espalhar a
boa nova s outras bobonas do Dumbarton. Tinsley sorriu consigo mesma ao andar pelo
corredor do terceiro andar, ignorando deliberadamente o quarto 303. Mas no resistiu a
parar por um segundo na frente dele, s para ver se estavam falando dela. O quarto
estava em silncio, a no ser pelo zumbido baixo de um secador de cabelo. Mas que
decepo.
Uma hora depois, aproximadamente 25 meninas se espremiam no terrao e se
esparramavam pelas cadeiras de jardim, tagarelando animadas. Quanto mais as meninas
bebiam, mais baixa a msica parecia  ento o volume do iPod era aumentado
constantemente. Mas todas estavam felizes demais por esvaziar o barril e danar em
volta da unidade de ar-condicionado central para perceber. As estrelas estavam
aparecendo e Tinsley se deitou de costas em uma das espreguiadeiras acolchoadas ao
lado de Callie.
- Voc tem que admitir que essa foi uma tima idia.  A voz de Tinsley era sonhadora
e ela passou por sua cabea que talvez a festa fosse melhor se alguns meninos
estivessem presentes. Isto , um calouro alto e sexy de cabelo louro descorado que caa
no queixo. Um sorriso perverso veio aos lbios de Tinsley s de pensar em Julian.
Callie abriu a boca para dar uma resposta sarcstica mas o que quer que estivesse
prestes a dizer foi interrompido por um grito repentino vindo de baixo, de algum lugar
ao lado da porta da frente do Dumbarton.
- Parados! Quem est a em cima?
As meninas pararam de danar, imobilizadas de medo.
- No se mexam! Vamos subir!
De imediato, como se um incndio tivesse se espalhado ou algum tivesse anunciado
uma liquidao de queima de estoque na Neiman Marcus, as meninas abriram a porta do
terrao e voaram escada abaixo, desesperadas para voltar a seus quartos antes que
Marymount, a Sra. Pardee ou quem diabos estivesse l fora conseguisse alcan-las.
Parecendo quase alegre, Tinsley pegou seu sistema de som do iPod e se juntou ao
estouro louco pela escada, s se lembrando do barril quase vazio e abandonado quando
era tarde demais para resgat-lo.
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EmilyJenkins: Era Marymount mesmo? Ns estamos lascadas?
CelineColista: Total.
EmilyJenkins: Minha primeira festa da sociedade e Tinsley deixou todas aquelas
manes entrarem? Peral!
CelineColista: Hummm... Trs horas atrs voc era uma dessas mans!
EmilyJenkins: Nem me lembre disso.
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YvonneStidder: S quero contar a novidade  Marymount e Pardee esto batendo em
todas as portas do primeiro andar. Perguntaram por que voc e Brett no estavam no
quarto  eu disse que estavam em cima com a Callie, OK?
TinsleyCarmichael: Elas esto perguntando da festa?
YvonneStidder: Na verdade no. Pardee parece arrasada. Acho que Marymount
estourou a festinha de mulheres dela.
TinsleyCarmichael:Que interessante...
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Para: Residentes do Dumbartom
De: ReitorMarymount@waverly.edu
Data: Quinta-feira, 3 de outubro, 22h16
Assunto: Comit Disciplinar
Residentes do alojamento Dumbarton
 com extrema decepo que anuncio que esta noite, depois que uma professora
queixou-se de barulho no Dumbarton Hall, descobri um barril de cerveja no terrao do
alojamento.
Todas as residentes do Dumbarton devem aparecer perante o Comit Disciplinar. A
reunio acontecer na sala do conselho 3, no primeiro andar do Stansfield Hall, amanh
s 10 horas da manh.
O comparecimento  obrigatrio.
Reitor Marymount
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UMA WAVERLY OWL ACEITA SEU CASTIGO COM ELEGNCIA E
SEGURANA
Brett estava irritada com a reunio de ltima hora do Comit Disciplinar embora
gostasse de ser arrancada da aula chata e apatetante de qumica do Sr. Frye. s quinze
pras dez, justo quando os outros alunos estavam colocando seus culos de proteo
indutores de suor e jalecos  prova de substncias qumicas, Brett, Benny e Celine
juntaram suas coisas e o professor Frye lhes assentiu distraidamente, as mos j cheias
de tubos de ensaio chocalhando.
- Isso  uma droga - Celine reclamou no segundo em que a porta do laboratrio se
fechou atrs delas. - Mas pelo menos escapamos dos culos. - O cabelo preto de Celine
escorregou para os olhos e ela tocou a pele macia e azeitonada com a ponta dos dedos. -
Aquelas coisas deixam marcas na testa por, tipo assim, um hora.
- Hoje era a minha vez com Lon Baruzza como parceiro no laboratri - gemeu Benny. -
Eu estava esperando isso h sculos. - Ela pegou o cabelo castanho claro e liso e puxou
angusiada.
- Ele tem uma bundinha linda mesmo. - Celine abriu a porta da frente do centro de
cincias e trs meninas desceram a escada e foram para a Stansfield Hall. - Mas voc
pode chegar junto sem ter de fazer dupla com ele no laboratrio - observou ela com uma
risadinha.
Brett revirou os olhos, com a mente em outras coisas. Parecia que todo o alojamento
estava no terrao ontem  noite. No que Brett quisesse estar l nem nada, mas ainda
assim teria sido legal se algum tivesse convidado.
Tanto faz. Pelo menos agora ela no estava em encrenca nenhuma. Enquanto Benny e
Celine tagarelavam, Brett manteve a expresso composta, sabendo que parecia
completamente inocente com seu vestidinho Nanette Lepore rosa-claro, leggings pretas
e sapatilhas de bal cinza-claro Sigerson Morrison. Ela sorriu consigo mesma. at suas
unhas estavam timas.
Depois de entrar na sala do conselho do Stansfield, Brett foi para o lado do comit na
enorme mesa, seguida de perto por Benny e Celine.
Filas de meninas em cadeiras dobrveis que pareciam desconfortveis a olharam do utro
lado da sala, os joelhos afetadamente juntos, os blazers marrons cuidadosamente
abotoados. Era estranho ver tantas acusadas num caso do Comit Disciplinar - em geral
eram um ou dois delinqentes, embora uma vez toda a sociedade de teatro tenha sido
convocada depois que representaram Nossa Cidade vestidos somente com filme
plstico.
O reitor Marymount, usando uma gravata coberta de girassis Van Gogh, entrou na sala
e de imediato parou ao ver Brett e as outras meninas do CD sentadas no lado de
costume da mesa.
- Senhoras. - Ele gesticulou como quem atira. - Por favor, sentem-se com suas colegas
de alojamento. - Ele as fuzilou com os olhos como se elas devessem saber muito bem
disso.
O queixo de Brett caiu e ela olhou pra Benny, que parecia igualmente surpresa.
- Senhor? - disse Brett. - Mas ns... Eu...
Marymount a interrompeu.
- Vocs trs moram na Dumbarton, no moram? - Marymount no esperou por uma
resposta e se sentou  cabeceira da mesa, remexendo alguns papis.
Bom, que seja. Com o rosto to vermelho quanto o cabelo, Brett se levantou irritada e
foi pra onde Jenny estava sentada na fila da frente. Ela abriu a cadeira vazia ao lado.
- Ns nem fomos naquela festa idiota - grunhiu ela.
Jenny deu um tapinha no brao de Brett.
- Vai ficar tudo bem. O que eles podem fazer? Nos suspender por fazer as unhas em
nosso quarto?
- Voc vai ver - respondeu Brett com ceticismo.
Os olhos cor de chocolate de Jenny pareciam vagamente preocupados enquanto as duas
olhavam a sala se encher de meninas. Era totalmente estranho para Brett estar deste lado
da mesa. As meninas roiam as unhas pintadas e batiam a ponta dos sapatos no piso de
madeira encerada, cochichando meio alto demais.
- Babaca - Jenny ouviu algum dizer.  mesa, Ryan Reymolds e os membros do CD
que no era do Dumbarton, principalmente calouras, assumiram seus lugares ao lado da
mignon Srta. Rose, do Departamento de Ingls, que tinha assumido temporarialmente o
cargo de conselheira do CD depois da demisso do Sr. Dalton. Com a gola rul preta
por baixo do blaizer marrom provavelmtne tamanho PPP e seu cabelo castanho escuro
puxado num rabo-se-cavalo alinhado, ela podia muito bem passar por uma caloura.
- Comecemos, pois no? - Marymount parecia cansadom os culos redondos de aro de
metal deixando os pequenos olhos azuis ainda menores. Ele continuava a remexer na
papelada que tinha na mo, o que Brett sups que no tinha absolutamente nada a v er
com o flagra da cerveja da noita anterior. Ele s gostava de seus objetos. - Sr. Wilde, o
senhor foi o primeiro a perceber a, hummm, reunio enquanto passava pelo Dumbarton
ontem  noite, no  correto?
- Sim,  correto. - O Sr. Wilde, de maneiras gentis, pareceu pouco  vontade em seu
papel de disciplinador. Ele era um daqueles professores que realmente se importavam se
seus alunos de histria avanada gostavam ou no dele, e as paredes de sua sala estavam
cobertas de psteres de capas de disco - no s da gerao dele, mas tambm o que a
garotada respeitava - OutKast, ColdPlay, Interpol. Ele deu a impresso de que o matava
estar ali, colocando seus alunos nessa situao. Mexia obsessivamente na gola da
camisa. - Eu vinha da biblioteca para casa, quando ouvi uma... er... msica alta. Parecia
haver gente danando no terrao do alojamento.
Marymount bateu a caneta na mesa de mogno.
- O qu e fez em seguida? - perguntou ele.
- Chamei a segurana - admitiu o Sr.Wilde num tom de quem se desculpa. - Depois
gritei para as meninas ficarem onde estavam. Quando bati na porta da Sra. Pardee - ele
parou e corou, e houve cochichos na multido de meninas, j que todas sabiam que
Pardee recebeu umas amigas na noite anterior para uma festinha de pijama regada a
vinho - e dois de ns subimos ao terrao, todas tinham desaparecido para os quartos.
Marymount deu um pigarro.
- E ento no est realmente claro quantas estavam l... Ou quem esteve l, no 
correto?
-  correto - confirmou o Sr. Wilde. - Mas elas deixaram um barril de cerveja quase
vazio... E um saco de lixo chieo de copos de plstico. - Ele tomou um gole da xcara de
caf.
- Eram muitos copos?
- Brettchutou o p de Jenny. Quem ligava?
- Obrigado. - Marumount passou os olhos pelo grupo de meninas pela primeira vez
desde que comearam. - Meninas, sei que todas esto cientes de que o consumo
debebidas alcolicas  um comportamento que no podemos tolerar. - Brett sabia que
ele estava tentando fitar com rigor os olhos de cada uma das meninas, mas ele desistiu
na metade e encarou a mesa. - A ocasio deste incidente  especialmente infeliz, j que
estamos nos preparando para receber os membros do conselho diretor no campus neste
fim de semana e no temos tempo para bancar a bab de vpcs. - Marymount suspirou,
alg que Brett percebeu que ele fazia com freqncia nas reunies do CD, para dar a
impresso de que estava terrivelmente insatisfeito por ser diretor delas. - Infelizmente,
como no est claro quem exatamente tem culpa por estas festas, vamos ter que punir
todas vocs.
- Mas que porra. - arfou Brett.
Um murmrio percorreu a multido, que Marymount, falando mais alto, de imediato
silenciou.
- A partir de amanh, depois do jantar, vocs ficaro em pris o domiciliar pelo fim de
semana e confinadas na Dumbarton Hall at a manh de segunda-feira. As refeies
sero servidas l e qualquer menina vista saindo do alojamento enfrentar
conseqncias graves.
Conseqncias graves? Como no poder ir ao jogo dos ex-alunos de Jeremiah? Ou sair
para jantar com os pais dele ou ir s festas da St. Lucius para mostrar a todas aquelas
meninas da St. Lucius que Jeremiah tinha dona? Ou perder a vingindade!
- Isso no  justo! - exclamou Brett em voz alta, mas sua voz foi tragada pelas
exaclamaes e queixas das duas dezenas de outras meninas.
Marymount deu um pigarro e bateu os ns dos dedos na mesa. Havia mais?
- Sei que pode ser que algumas de vocs no estivessem envolvidas na festa da cerveja e
tenho certeza de que vocs acham que  um castigo injusto. - Um murmrio de
concordncia se elevou e Marymount rapidamente continuou. - Porm aos olhos da
administrao, ter conhecimento da transgresso e no fazer nada a respeito disso 
comparvel  prpria transgresso. - Ele olhou diretamente para Brett ao dizer isso e seu
rosto corou de raiva. No dedurar as colegas de alojamento por fazererm uma festa com
cerveja era to ruim quanto realmente contrabandear um barril de cerveja para um
alojamento e tomar porre? Ele devia estar brincando!
Pela primeira vez a Srta. Rose falou, com a vozinha surpreendentemente cheia de
autoridade.
- O comit decidiu que, alm da priso domiciliar, as meninas do Dumbarton devem
escrever de prprio punho um relatrio na manh de segunda sobre o que aprenderm
sobre ser uma Waverly Owl responsvel. - Ryan Reynolds, que estivera olhando com
afeio para a Srta. Rose o tempo todo em que Marymount falava, agroa se ocupou de
tentar reprimir o sorriso, claramente divertindo-se com a histria toda. Ele encontrou o
olhar de Brett para o vaso gordo de cravos brancos postado no meio da mesa e ela lhe
der uma piscadela. Ele sempre estava dando em cima dela nas reunies e provavelmente
ficava todo ligado com o fato de a representante da turma de repente ser uma das
delinqentes.
Mas Brett estava ocupada demais ficando puta para se irritar com Ryan. Isso era
loucura. No s seu fim de semana estava arruinado, como agora teria de se sentar e
escrever uma porcaria sobre o que significava ser uma Waverly Owl responsvel? Que
se foda.
- No quero que nada parecido com isso acontea novamente. - Marymount se levantou,
parecendo mais enojado do que Brett j vira. Era como se no suportasse mais olh-las e
de repente Brett se sentiu envergonhada.  claro que o reitor Marymount era um idiota,
mas ela queria que ele pensasse bem dela. Agora parecia que ele pensava que ela era
igual a todas as outras e ela nunca fez nada! - Esto dispensadas, e podem voltar a suas
aulas.
Uma Waverly Owl responsvel?, pensou Brett com amargura. Uma Waverly Owl
responsvel caga na cabea de Tinsley Carmichael.
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
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CallieVernon: Ai. Que porre.
TinsleyCarmichael: A, no fique to deprimida. HF comprou mais seis minibarris...
Eles s esncontraram um no terrao.
CallieVernon: Mas que porra. Onde eles esto guardados?
TinsleyCarmichael: Debaixo da cama da vizinha depr... aposto que sero bem teis
no fim de semana.
CallieVernon: Ns no temos muitos problemas?
TinsleyCarmichael: Uma Waverly Owl responsvel no perde uma oportunidade
dessas!
10
UM WAVERLY OWL DE VALOR SEMPRE PERCEBE AS UNHAS DA
NAMORADA, MESMO QUE SEUS PENSAMENTOS ESTEJAM EM OUTRO
LUGAR
A sexta-feira estava gelada e cinzenta, cmo se Marymount tambm tivesse ordenado ao
clima para castigar as meninas de Dumbarton. Como se ficar confinada no alojamento
no fim de semana todo j no fosse castigo suficiente. Ou injustia suficiente.
- Marymount  um saco. - murmurou Alison Quentin enquanto ela e Jenny iam para o
estdio de belas-artes depois do almoo. A penltima refeio das duas como mulheres
livres, Jenny no pde deixar de pensar. O fim de semana j assomava sobre ela como
uma sentena de morte. Era um s fim de semana, mas ainda assim... Ela estivera
ansiando por passar algum tempo com Easy e evitar um pouco mais o prprio quarto.
Agora parecia que ela e Callie ficariam em contato por mais de 48 horas. Isto sim
parecia uma festa prestes a acontecer. -  to estranho castigar todo mundo
arbitrariamente desse jeito. No  o que fazem os ditadores?
Jenny resistiu ao impulso de dizer alguma coisa sarcstica. Alison, ainda membro de
carteirinha do Caf Society e acolhida em todos os eventos orquestrados por Tinsley,
sem dvida tinha tomado algumas cervejas na festa do terrao. Jenny e Brett no
estavam nem perto dali. Mas, apesar disso, parecia um castigo tremendamente rigoroso
envolver todo mundo s porque um bando de membros do conselho diretor viria 
cidade.
- Como o barril foi parar l em cima?
- Sei l. - Alison parou para tirar do salto dos mocassins de couro vermelho uma folha
de carvalho amarela e esfarelenta. - Mas eu soube que Heath Ferro estava planejando
uma festa grande para este fim de semana.
- Como ele faria uma festa sem a gente? - Era um fato notrio que as meninas do
Dumbarton era as mais bonitas do campus. Ou pelo menos elas agiam como se assim
fossem, como percebeu Jenny. No que ela se importasse - era meio bom pensar em si
mesma como gata em vez de ficar toda atolada nos aspectos especficos. Como pernas
custas, cabelo crespo, peitos que no combinavam com o resto do corpo, uma leve
barriguinha etc.
-  isso que estou dizendo. - Alison soltou um suspiro forte enquanto as meninas
viraram a esquina e viam o prdio de belas-artes. - Parece que algum est esperando
por voc. - Ela cutucou Jenny nas costelas, bem no ponto que fazia ccegas. Jenny se
encolheu - ela era desastrosamente cosquenta.
Easy estava encostado em uma das colunas de concreto na entrada do prdio. Em vez de
capitis no alto das colunas, havia buracos. Elas eram, como a linda guia morena
anunciou a Jenny e seu pai no tour que fizeram, colunas "irnicas". Rufus, que nunca
ouvia um trocadilho de que no gostasse, riu tanto que jenny teve medo de ele ter um
aneurisma. O bloco de desenho de Easy estava no colo. Ele olhou para cima e fez uma
pequena saudao s duas meninas.
- Meu Deus - murmurou Alison. -Voc tem uma sorte danada.
Jenny no podia discordar. Podia sentir os olhos de Easy nela enquanto as duas se
aproximavam, obsorvendo a gola redonda do suter apertado American Apparel, a saoa
de brim com corte em A (Gap Vintage) com uma longa renda no meio e as botas de
camura marrom Camper na altura dos joelhos. Nada excitante demais, mas o caso era
que Easy estava com aquele olhar dele - um daqueles olhares - e ela se sentia a
Cinderela no mais lindo vestido de noiva.
- Soube da novidade? - perguntou Alison a Easy enquanto as duas meninas chegavam
no primeiro degrau, embora ele ainda estivesse com os olhos em Jenny. - Estamos todas
sob priso domiciliar neste fim de semana.
Easy arrastou os olhos para Alison. Jenny se sentou ao lado dele e ele casualemnte
colocou o brao nos ombros dela.
- Eu ouvi alguma coisa sobre isso. Ento  verdade? - Ele apertou um pouco os ombros
deJenny e o corao dela comeou a bater mais forte.
Alison encontrou os olhos de Jenny e lhe deu uma piscadela rpida enquanto ia para a
porta.
- Infelizmente.
Jenny tamborilou os dedos na borda do bloco de desenho de Easy, aberto em um
desenho a lpis enorme de um carvalho em que, em vez de folhas, brotavam esquilos.
- , e pra valer. - Jenny sacudiu a cabea. Ela esperava que Easy no percebesse que,
com todo esse clima mido, ela ficou sem creme antifrizz e agora exibia um visual
eletrosttico. Era definitivamente um dia de rabo-de-cavalo, mas ela no conseguira
encontrar um elstico em lugar nenhum.
- Pelo fim de semana todo?
- Comeando no toque de recolher desta noite. - Jenny olhou o relgio. Eles ainda
tinham alguns minutos antes da aula e era to bom ficar sentada assim, com Easy, na
escada, vendo todo mundo entrar na sala numa tarde de sexta-feira, conversando sobre
planos para o fim de semana. Isto , todos, menos as meninas do Dumbarton. - 
totalmente injusto, mas eles esto to preocupados com o conselho diretor e no querem
ter de lidar com ele e ficar de olho em ns, imagino. Pelo menos ainda podemos
cavalgar e jantar fora.
Easy deu um pigarro e Jenny o sentiu enrijecer um pouco. Foi alguma coisa que ela
disse?
- E por falar nisso... - Easy se virou para ela. - Meu pai vem para as reunies do
conselho e eu meio que tenho que jantar com ele esta noite. - Seus olhos azuis-escuro
pareciam to preocupados e Jenny se senia to mal por ele - o pai dela era totalmente
constrangedor, mas ela nunca teve med de jantar com ele. Ela na verdade meio que
sentia falta disso. - Ento acho que vamos ter que adiar nosso jantar para o fim de
semana que vem.
- Ei, tudo bem. - Jenny lhe deu um beijo rpido, po impulso, no rosto. - Eu entendo.
- Entende?
- Claro que sim.
Easy sacudiu a cabea, maravilhado.
- Voc  um amor, sabia disso?
- Eu s lamento que seu pai te estresse tanto. - Jenny deu de ombros. - Mas pelo menos
voc vai escapar do salo de jantar por uma refeio.
- E talvez tome um vinho, se ele estiver se sentindo generoso. - Easy pegou um dos
cachos de Jenny e comeou a enrosc-lo no indicador. - E, ah, cinco ou seis sermes.
Jenny riu.
- Sobre o qu?
Easy comps o lindo rosto numa expresso de "pai".
- Tempo demais com arte. Tempo demais cavalgando. - Ele dobrava um dedo a cada
argumento. - Tempo de menos em estudo srio. Tempo de menos pensando no futuro.
Tempo de menos comendo vegetais folhosos. - Ele dobrou o dedo mnimo e formou um
punho. - Etc. etc.
- Se serve de consolo, eu devo ficar no meu quarto estudando enquanto voc curte sua
taa de vinho. Ento podia ser pior.
Easy olhou longamente para Jenny antes de colocar o toco de lpis atrs da orelha.
- Tem razo. - Ele mordeu o lbio, inda parecendo nervoso. Coitadinho da gracinha do
Easy! Ela queria poder ir com ele - talvez o ajudasse a se sentir um pouco mais 
vontade se eles soubesse que tinha algum para lhe dar apoio. Mas ela no queria se
oderecer, caso fosse uma coisa que ele quisesse fazer sozinho e terminar o mais rpido
possvel. Como ir ao dentista.
Jenny olhou a porta.
- Acho que a gente tem que entrar - disse ela, levantando-se com relutncia.
Easy a seguiu devagar mas, antes de pegar a bolsa, ele segurou o brao de Jenny e se
inclinou, colocando os lbios em sua testa. Ela fechou os olhos, desfrutando do
momento e da sensao dos lbios de Easy em sua pele.
Se ao menos ela pudesse congelar este momento e mant-lo vivo para sempre. Melhor
ainda, raptar Easy para poder ficar com ele durante todo o fim de semana de priso.
Uma Waverly Owl responsvel no assume a responsabilidade por sua prpria
felicidade?
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Para: JeremiahMortimer@stlucius.edu
De: BrettMesserschmidt@waverly.edu
Data: Sexta-feia, 4 de outubro, 13h18
Assunto: ARGH!!!
Jeremiah,
A pior, mais terrvel, mais injusta notcia de abalar o mundo - por causa de uma festa de
cerveja que a Tinsley Megapiranha Carmichael deu no terrao outra noite - at que
ponto uma pessoa pode ser idiota? - o alojamento todo foi flagrado e todas estamos sob
priso domiciliar neste fim de semana. Agora fui encarregada de recolher o trabalhos de
todas as meninas sobre como ser uma Waverly Owl responsvel. Mas que merda. Estou
quase pronta para largar o CD como forma de protesto.
Ento eu lamento muito, muito mesmo por ter de faltar a seu jogo com os ex-alunos -
voc sabe como eu acho sexy quando voc est destruindo o outro time. Estou possessa
por perder o jantar com a famlia e eu estava animada para comemorar com voc mais
tarde tambm. Sozinhos.
Mas quem sabe a gente posssa escapulir uma hora dessas, de algum jeito?
Te amo,
Brett
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................................................
HeathFerro: URGENTE
TinsleyCarmichael: Fala, HF. No me faa perder tempo.
HeathFerro: Miau! Gatinha, s preciso de suaajuda para pegar os barris no quarto da
sua vizinha hoje  noite.
TinsleyCarmichael: Minha ajuda?
HeathFerro: Buchaman, o papai dele e McCafferty estaro jantando com o Marymount
hoje s 8 - ocasio perfeita para a gente pegar a muamba.
HeathFerro: Considere isso uma penitncia pelo barril que as senhorar beberam.
HeathFerro: EEEEEEIIIII!!!!
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TinsleyCarmichael: B, soube que vc e Julian vo jantar com o reitor hoje.
BrandonBuchanan: . E da?
TinsleyCarmichael: S queria que vc soubesse que estou disposta a aparecer para
colocar uns cromossomos X na mistura.
BrandonBuchanan: Hummm, obrigado, mas no precisa. Sei ue todos os nossos
cromossomos Ys vo se entencer bem.
TinsleyCarmichael: No faz mal a uma conversa colocar uma garota no bolo. No se
preocupe, no precisa me convidar duas vezes. Estarei l s 8.
BrandonBuchanan: Vc  que sabe.
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TinsleyCarmichael: Desculpe, HF. No estarei por aqui no jantar, ento acho que no
vou poder pegar barris... que peninha.
HeathFerro: Nem comea com isso.
HeathFerro: T brincando, n?
HeathFerro: Volta aqui!!!
11
UMA WAVERLY OWL SEMPRE CHEGA ELEGANTEMENTE ATRASADA.
Le Petit Coq, o nico restaurante fino em todo o centro de Rhinecliff, ficava em uma
modesta sede de fazenda de dois andares perto da extremidade da rua principal, uma
casa em que podia morar a av de algum. Como as outras opes para jantar na cidade
incluam algumas pizzarias, uma lanchonete onde todos os sanduches tinham nomes de
celebridades mortas, um restaurante indiano do tamanho de um armrio e uma Subway,
Le Petit Coq era o restaurante preferido para as visitas com os pais. Os alunos da
Waverly raras vezes iam l sozinhos, ento era sempre uma festa quando os pais
estavam na cidade - os prprios ou os pais dos outros.
- Pare de ficar to nervosa. - Tinsley cutucou Callie nas costelas enquanto elas se
aproximavam da escada do restaurante. Pelas cortinas finas nas janelas, as figuras
difusas de mulheres e homens bem vestidos com blazers escuros eram visveis a luz das
velas nas mesas. - No  voc que vai ter de jantar com o reitor.
- No  voc que vai ter de jantar com o ex-namorado... e o pai dele! - contra-atacou
Callie, parando no primeiro degrau para endireitar as fivelas de tartaruga que prendiam
as laterais do cabelo, embora elas j estivessem certinhas.
-  verdade. - Tinsley estava com um vestidinho feorgette de seda preta Agnes B,
desbotoado at a metade na frente para permitir que s um pouco da pele fosse vista.
Um xale de cashmere marfim Loro Piana estava jogado habilidosamente nos ombros.
Ela bateu a ponta do sapato alto de couro Fendi. - Mas isso no  desculpa para se
atrasar.
Callie respirou fundo o ar frio da noite e se abraou. Estava perfeitamente elegante
numa saia pregueada grafite e top uva-do-monte Moschino Cheap & Chic com um
decote em fechadura e lao no pescoo, com que ela ficava brincando. Mas estava sem
dvida nervosa.
Tinsley suspirou. Ela sabia que era uma grande ocasio para Callie. Elas no falaram no
assunto, mas Callie devia estar esperando, no fundo, que este jantar fosse o primeiro
passo para reconquistar Easy. E pela primeira vez Tinsley no tinha muitos conselhos a
dar. Easy precisava saber que estava complicando as coisas convidando Callie para um
jantar caro e ntimo com o pai dele. E para no falar da Jenny... Qual era o problema
desse garoto? Quase fazia com que ela gostasse ainda mais dele...
Tinsley pegou a mo de Callie quando ela estava prestes a roer as unhas.
- Voc est incrvel, meu bem. Vai deixar os dois tontos. - Ela deu um beijo rpido no
rosto de Callie e apertou a mo mida.
- Entra voc... Vou ficar aqui fora mais um minuto para criar coragem. - Callie abriu um
sorriso rpido. - Algo me diz que voc vai se divertir.
Tinsley entro no hall e olhou primeira rea de jantar em busca de seus companheiros.
Como era de se esperar, s 8h05 da noite de sexta-feira do Fim de Semana do Conselho
Diretor, o lugar estava lotado. Um mate de cabelos grisalhos com um sotaque francs
perguntou quem ela estaria procurando e ela o seguiu at a mesa. O piso estava meio
rachado e estalava sempre que ela se mexia, mas as paredes eram cobertas de um
vermelho-escuro de brocado que parecia uma coisa que Maria Antonieta teria em seu
quarto, e todo o primeiro andar era composto de dezenas de salinhas que foram
transformadas em rea de jantar, criando espaos ntimos e sutis. Era meio abafado -
espelhos de moldura dourada nos banheiros, o cheiro de lils denso no ar - mas a
Tinsley adorava.
- Voil, mademoiselle! - Disse o garom enquanto apresentava Tinsley  pequena mesa
redonda onde o Sr. Buchanan, o reitor Marymount, Brandon e Julian j estavam
acomodados. Eles se levantaram para receb-la.
- Desculpem-me pelo atraso. - O matre puxou a cadeira vaga entre Julian e o Sr.
Buchanan e Tinsley deslizou para o espao, desfrutando da sensao de tantos olhos
masculinos nela. O Sr. Buchanan parecia exatamente como a Tinsley imaginava
Brandon aos 30 anos - bonito, bronzeado e em forma, como se ele conseguisse espremer
alguns sets de tnis toda tarde entre as importantes reunies de negcios, o cabelo
castanho claro afinanando um pouco nas tmporas, um Rolex de plaina no pulso direito.
Vestia um terno Armani cinza por cima de uma camisa de seda azul ardsia - sem
gravata, com o primeiro boto aberto.
Tinsley estendeu a mo para ele.
- Tinsley Carmichael.  um prazer conhec-lo, Sr. Buchanan. - Ele apertou a mo de
Tinsley com uma confiana de um homem mais velho que tinha um esposa nova e
bonita - ela soube que ele conhceu a madrasta de Brandon quando ela ainda estava na
faculdade.
- Estamos muito felizes que tenha se reunido a ns hoje, Tinsley. - Seus olhos verdes e
brilhantes enrugavam nos cantos e Tinsley pensou ter detectado um toque de paquera. -
 sempre muito mais agradvel ter um rosto bonito  mesa.
Tinsley sorriu.  claro que era.
- Obrigada. Foi muita gentileza de Brandon me convidar.
Brandon deu um pigarro e olhou inquisitivamente para Tinsley como se ainda estivesse
tentando entender que diabos ela estava fazendo ali.
- O prazer  meu, Tinsley.
- Obrigada, Brandon. - Ela sorriu para ele com doura, o lgoss rosa-claro Bella Bella
fazendo-a se sentir mais inocente do que o normal. - E reitor Marymount.  bom ver o
senhor fora do campus de novo. - Graciosamente, ela estendeu a mo para o reitor, que
vestia,  claro, seu blazer marrom da Waverly e a mesma gravata de Vang Gogh que
usou n reunio do Comit Disciplinar naquela manh. Uma coisa era o campus, mas em
pblico? O rosto dele se tingiu um pouco enquanto eles trocavam um aperto de mo e
ele claramente estava se lembrando de que Tinsley o havia flagrado, s de roupo, com
Pardee na sacada de um hotel de Boston h menos de duas semanas. Ou talvez fosse o
fato de que, na ocasio, a prpria Tinsley estava quase nua.
Os olhos dela, enfim, pararam na pessoa que ela estivera morrendo de vontade de ver
desde que entrou no restaurante. Julian. De p ao lado dela, de longe a figura mais
interessante  mesa. Seu cabelo castanho alourado estava molhado e tinha cheiro de -
uma coisa boa. Ela no conseguia entender o que sem dar uma fungada enorme. E ela
no queria que ele soubesse que ela se importava.
- Oi, Julian - Ela se viu dizendo, quase timidamente, uma sensao estranha se
formando na boca do estomago. Era meio doido, mas sempre que ela olhava em seus
olhos castanhos amanteigados parecia-lhe que eles viam direto em seus ossos,
atravessando todas as roupas, a pele e tudo. Ser que ele fazia isso com todo mundo, ou
era s com ela? Isso lhe dava arrepios.
- Est muito bonita hoje, Tinsley. - Ele sorriu educadamente, mas pela primeira vez ela
percebeu que ele tinha uma covinha  esquerda da boca que parecia piscar para ela.
- Obrigada. Sentem-se, por favor. - Tinsley aproximou a cadeira da mesa, observando
que ainda no havia uma garrafa de vinho  vista. Provavelmente era demais esperar
que Marymount permitisse que eles bebessem em sua presena.
- Estvamos falando do clima adorvel que est hoje. - O Sr. Buchanan fechou o cardio
e bateu as mos. - Quem sabe pode nos ajudar a encontrar um tema interessante para
conversar? Diga-me, quais so seus planos para o fim de semana? Deve haver festas,
encontros e comprar, no ?
Tinsley olhou rapidamente o reitor Marymount, cujo rosto ficou lvido. Ela esperou que
ele dissesse alguma coisa, mas ele no deu sinal de que queria falar, ento Tinsley
deduziu que ele prefeira manter em sigilo a histria da priso no Dumbarton.
- Bom - disse ela, demorando-se e desfrutando do desonforto na cara de Marymount -,
h vrias coisas que as Waverly Owls podem fazer no fim de semana.
- Vocs realmente referem a si mesmos como Waverly Owls? - O Sr. Buchanan
inclinou-se como quem conspira.
- S quando esto presentes os membros do conselho diretor - brincou Julian,
provocando risos de todos.
- Vocs no tm seus encontros do Cinephiles nest fim de semana, Tinsley? - perguntou
Brandon casualemnte, colocando um cotovelo na mesa. Seus olhos faiscavam de
malcia.
- Foi adiado. Mas obrigada por perguntar. - Ela chutou o p dele por debaixo da mesa.
O Sr. Buchanan pegou um dos pezinhos frescos no cesto no meio da mesa.
- O que  o Cinephiles? No pareceter existido no meu tempo.
- Seu tempo foi h muito tempo, Collin - disse Marymount, meio rigidamente, como se
estivesse se esquecido de como se faz uma piada. Tinsley riu de qualquer modo, por
educao.
- O Cinephiles  nosso clube de cinema, criado principalmente para aproveitar o incrvel
equipamento de projeo que a escola tem. E as poltronas incrvelmente confortveis na
sala. - A famlia dela havia doado tudo isso, mas ela no precisava mencionar. Era
provvel que o Sr. Buchanan j soubesse. - Vemos filmes algumas vezes por ms e
fazemos um debate depois da projeo.
-  mesmo? - perguntou Julian, parecendo genuinamente interessado. Ele vestia uma
camisa azul-clara Ben Sherman e Tinsley podia discernir vagamente as palavras
MASSIVE ATTACK aparecendo na camiseta por baixo. - Que legal. Eu no sabia que a
Waverly tinha um clube de cinema.
- Criao da Tinsley - assinalou Brandon, muito gentilmente, pensou ela.
- Devamos ver Rosencrantz and Guildenstern Are Dead, mas agora ficar para a sesso
da semana que vem. - Tinsley tomou um gole de gua (sem gelo - este era mesmo um
restaurante francs). - Todo mundo tem muito dever de casa nbeste fim de semana. -
Isso devia ser verdade, no ? Ela no ia mentir descaradamente na frente de
Marymount, mesmo que fosse para o bem dele.
- Cabeas. Cabeas. Cabeas. Cabeas. Cabeas. Cabeas. Cabeas - entoou Julian, e
Tinsley e Brandon deram uma gargalhada. Marymount e o Sr. Buchanan estavam
confusos.
-  do filme - explicou Tinsley.
- No posso dizer que o tenha visto. - O reitr Marymount tomou um gole de gua, uma
gota gigante de condensao deslizando para a toalha de mesa cm um plop.
- Oh! - Os olhos de Tinsley se iluminaram. -  maravilhoso.  a verso para o cinema
deuma pea de Tom Stoppard, sobre as desventurar existencialistas de...
- Peo desculpas por interromper uma mulher bonita - disse o Sr. Buchanan. - Mas uma
conversa sobre existencialismo sempre fica melhor na presena de uma garrafa de
vinho. - Ele acenou para o garom e apontou para algo na carta de vinhos. Tinsley
piscou para Brandon do outro lado da mesa. E ele disse que o pai no era divertido.
Julian tocou o p de Tinsley com o dele. Ou talvez ele s estivesse se coando. Tinsley
manteve o p onde estava.
Com o vinho presente, as coisas s podiam melhorar.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
................................................
Para: BrettMesserschimidt@waverly.edu
De: JeremiahMortimer@stlucius.edu
Data: Sexta-feira, 4 de outubro, 20h01
Assunto: Fim de semana que vem
Oi, linda,
Mas que saco essa histria do seu fim de semana... Presa como Rapunzel? Eu s queria
estar nessa reunio do CD para dar umas porradas nesse Marymount. Vou pensar em
voc o tempo todo.
 chato voc no poder sair, mas no fique estressada com isso. Meus pais vo
encontrar voc outro dia, e eu certamente tambm - no fim de semana que vem, vou
levar voc para o encontro mais perfeito e mais romntico que poderia imaginar.
Vou dormir cedo esta noite, mas ligo maana...
Te amo,
Jeremiah
P.S.: Seja uma Waverly Owl boazinha...
12
Uma Waverly Owl sabe que uma linda convidada para o jantar pode ser uma
excelente distrao de uma conversa constrangedora.
Easy sentou-se  pequena mesa meio torta com o pai, desejando estar em outro lugar
no neste restaurante eurotrash pretensioso e caro. Ele pegou um dos trinta e sete garfos
na mesa e o girou nos dedos, querendo acender um cigarro. O Sr. Walsh dava toda
ateno ao cardpio diante dele. Ele sempre foi uma figura imponente quando Easy
estava crescendo  quase 1,90m, ombros largos, voz grave e agora, com a cabea
grisalha e a barriga que parecia ter se enchido de churrasco de peito do Kentucky todo
dia nos ltimos vinte anos, ele era ainda mais intimidante.
Easy suspirou. Onde  que estava a Callie? Ele vira Tinsley espiar a sala de jantar,
parecendo animada com alguma coisa.
Talvez ela tivesse um encontro com outro professor da Waverly. Mas desde ento, pelo
menos cinco minutos  ou 15  tinham se passado. Ele realmente esperava que Callie
no desse bolo.
Como se lesse os pensamentos de Easy, uma das habilidades menos atraentes do pai, o
Sr. Walsh disse:
- Certamente espero que sua namorada no nos deixe na mo.
- Ela vir, pai.  Easy olhou a garonete servir gua em seus pesados copos de cristal. 
E ela no  minha namorada.  Se o pai fosse um pouco mais humano, Easy faria um
esforo e contaria sobre Jenny... Mas o Sr. Walsh tinha um talento para banalizar tudo o
que tocava fortemente os sentimentos de Easy e ele ainda no queria dividir Jenny com
o pai. Mas talvez fosse uma trapalhada completa que ele estivesse jantando com o pai e
nem falasse na nova garota de sua vida. Ou a convidasse para jantar.
Foda-se. Jenny valia mais para ele do que qualquer merda banalizante que o pai pudesse
jogar pra cima dele. Ele se enrijeceu na cadeira e se inclinou para frente.
- Na verdade, estou meio...
- Oi.  Easy ouviu uma voz delicada e conhecida atrs dele. Ele se virou. De p, ao lado
de sua cadeira, estava Callie, plida e parecendo meio frgil, com um sorriso nervoso.
Estava linda com uma blusa pregueada estreita e blusa vermelha escura com mangas
bufantes. O cabelo louro estava puxado para trs e, se ela estivesse maquiada, estava
totalmente invisvel.  Estou atrasada?
Easy e o pai se levantaram.
- Que colrio para os meus olhos!  O Sr. Walsh imediatamente ligou p comutador do
charme e deu dois beijos no rosto de Callie.   maravilhoso v-la novamente, Srta.
Callie Vernon.
- O prazer  todo meu, Sr. Walsh.  Quase que imediatamente, era como se a casaca de
nervosismo de Callie tivesse cado. Ela deu uma piscadela para Easy por sobre o ombro
do pai dele, e ele no conseguiu deixar de sorrir.  Foi gentileza do senhor me convidar.
- Por favor, me d a honra de me chamar de J.L. Isso me mantm jovem.
Sem pensar, Easy sentiu a deixa do pai e se aproximou de Callie.
- Voc est... er...  Ele rapidamente se inclinou e lhe deu um belisco no rosto. Podia
sentir o calor tomando sua face. De repente, ele ficou nervoso.  Bem.
- Acho que preciso ensinar a meu filho a cumprimentar uma dama.  O Sr. Walsh riu
enquanto todos tomavam seus lugares.  Callie, minha querida, voc est absolutamente
linda. No est, Easy?
Easy deu um pigarro, Callie sorriu para ele e tombou a cabea, como se no esperasse
que ele respondesse.
- Sim  disse ele, corando totalmente.  Est.
Eles comearam a conversar sobre as aulas e esportes, e Easy ouvia, pasmo. O Sr.
Walsh no era exatamente a pessoa de conversa mais fcil  depois que farejava a
opinio de algum sobre alguma coisa, ele comeava a argumentar o contrrio. Mas
Callie parecia realmente gostar de conversar com o pai dele, e a combinao da natureza
voluntariosa de Callie e seu charme natural do Sul tranqilizou a todos. Easy nunca a
viu ligada desse jeito, ou , se viu, no tinha prestado ateno. Era meio
impressionante. Da ltima vez em que os pais de Esay estiveram na cidade, ele ficou
estressado demais e ficou bbado na maior parte do tempo. Mas ele se lembrava de que
os pais falaram que ela devia ser uma filha perfeita. E era um alvio ouvir Callie falar de
alguma coisa que no fosse um par de botas de 50 dlares que ela conseguiu na
Barneys. Ela parecia to inteligente. Era meio sexy.
- Callie, gostaria que ficasse de olho nesse garoto aqui  disse o Sr. Walsh, tomando um
longo gole de sua taa de cabernet.  Aposto que uma dama inteligente e jovem como
voc no negligencia todos os seus cursos acadmicos em troca de tolices como
desenhar e montar cavalos.  Ele se demorou um pouco na palavra desenhar,
deixando que sasse de sua boca como um insulto.
Ele sentiu a cara esquentar de raiva. P que o pai tinha de ser to mordaz?
- Sabe de uma coisa, pai, h mais na vida do que tirar A e defender criminosos ricos e
culpados em troca de um monte de dinheiro.  Ele pensou em contar ao pai sobre o
desenho que estava pendurado na galeria dos alunos, mas achou melhor se calar.
O Sr. Walsh riu. Ele nunca parecia se deixar abalar, independente do que Easy dissesse.
- Quem jamais ganhou dinheiro na vida no tem o luxo de criticar aqueles que
trabalham para isso. S estou sugerindo que, se voc passasse tanto tempo nos outros
cursos quanto passa com sua arte  ele formou aspas no ar quando disse arte, como
se fosse questionvel chamar assim -, talvez sua situao acadmica no estivesse em
risco constante.
- Sabe  disse Callie, fingindo habilidosamente no perceber como Easy estava ficando
irritado -, dizem que gastar energia criativa em uma coisa em geral leva a uma expanso
geral da capacidade mental.  Um fio de seu cabelo louro caiu da fivela e deslizou para
a face.
- Dizem mesmo?  respondeu o pai dele, fingindo interesse.
Easy olhou para Callie surpreso. Ela e o pai estiveram conversando e brincando como
grandes amigos, e aqui estava ela, apoiando Easy quando o pai fazia o que mais adorava
 criticando o filho? Era mesmo muita coragem dela.
E era um amor.
- Sim.  Ela baixou o garfo, que estivera usando para futucar, sem o menor interesse,
uma salada de endvia com nozes e roquefort.  Veja os inventores do mundo. Eles no
tiveram sucesso porque sua mente funcionava de forma diferente?  Ela parou e mexeu
no brinco de perola em gota que pendia da orelha esquerda.  Quero dizer, da Vinci era
um grande artista e um gnio da tecnologia.
O Sr. Walsh tomou a liberdade de servir mais vinho para si mesmo, servindo meia taa
para Easy e Callie. Easy tomou o vinho ansiosamente, sem saber o que sentir. O pai
bebeu um gole e olhou com aprovao para Callie.
- Nunca pensei isso desta maneira, minha querida. Mas acredito que seja um bom
argumento.
- Alm disso  acrescentou Callie delicadamente, levando a taa de vinho aos lbios. 
A arte de Easy  realmente boa.  Ela olhou para Easy.  Ele  muito, hummm,
talentoso.
Easy fitou oprato meio consumido de terrine ds filets de sole. A sensao estranha que
teve antes no estmago tinha se espalhado por todo o corpo. Callie estava sendo to
doce e protetora em relao a ele. Ela lidava com o pai dele como uma mulher muito
mais velha. Era como se os ltimos meses de sua cretinice, rabugice e carncia com ele
tivessem sido um sonho e ele estivesse vendo a Callie por quem ele se apaixonou no
ano passado.
Era isso mesmo que ele queria? Que os ltimos meses fossem apagados? Isso
significaria que ele no tinha conhecido Jenny... Jamais beijara seu rosto delicado.
Ele no conseguia sequer imaginar isso. Mas enquanto fitava Callie, Easy viu seus olhos
castanhos e calorosos sorrindo para ele e ao conseguiu mais pensar direito.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
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Para: Residentes do Dumbarton
De: ReitorMarymount@waverly.edu
Data: Sexta-feira, 4 de outubro, 21h30
Assunto: Deteno
Residentes do Dumbarton
Observem, por favor, que a deteno comea agora. Todas as residentes devem estar o
alojamento e esto proibidas de sair, a no ser em caso de emergncia, at segunda-feira
s 7 da manh.
Brett Messerschmidt estar encarregada de recolher os trabalhos de todas sobre o que
significa ser uma Waverly Owl responsvel. Mandem e-mail com quaisquer perguntas
diretamente a ela, por favor.
Sua orientadora do alojamento, a Sra. Pardee, no estar no alojamento neste fim de
semana, uma vez que sua presena  solicitada nos eventos do conselho diretor. Porm,
imagino que entendam que ser expulsa qualquer aluna que violar a deteno.
Reitor Marymount
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
...............................................
Para: Residentes do Dumbarton
De: BrettMesserschmidt@waverly.edu
Data: Sexta-feira, 4 de outubro, 21h40
Assunto: Reunio no caf-da-manh
Meninas,
Amanh, s 9 da manh  reunio obrigatria de caf-da-manh na sala de estar do
primeiro andar. (Nenhuma de ns deve ter problemas para acordar to cedo, uma vez
que parece que esta noite todas estaremos presas em nossos quartos fazendo massagens
faciais e nos enchendo de um sono de beleza.)
Temos de discutir esse trabalho.
BM
13
UMA WAVERLY OWL OUVE AS SUGESTES DAS COLEGAS.
s 9h03 da manh de sbado, Brett Messerschmidt ficou surpresa ao ver a sala de estar
do Dumbartin cheia de meninas. Ela meio que esperava que todas faltassem a reunio
"obrigatria", mas talvez todas tenham ficado to entediadas na noite anterior que
estavam realmente agradecidas pela oportunidade de se reunir e reclamar das coisas. O
servio de refeies entregara vrias caixas grandes de bagels e muffins frescos, pacotes
individuais de mateiga e cream cheese, facas de plstico e caixas de suco de laranja.
Mas nada de caf. Brett podia sentir a dor de cabea de abstinncia de cafena j
brotando em seu crebro. A maioria das outras meninas ainda estava de pijama, como se
fosse uma festa gigante de caf na cama. Era divertido, mas Brett nem reconheceu
algumas. S havia uma ou duas meninas realmente vestidas. Uma delas era a Dama de
Preto, como a prpria Brett e Jenny sempre chamavam - a menina bonita e quieta de
cabelo castanho claro na altura dos ombros e enormes olhos castanhos esverdeados, que
sempre carregava um livro. Agora estava sentada junto  janela, lendo um livro de
quadrinhos, usando uma camiseta preta do show de Bob Dylan e jeans pretos. Brett nem
sabia que ela morava naquele alojamento.
Com um suspiro, ela pegou um bagel e um pacote de cream cheese light e se sentou em
uma poltrona vazia no canto. No conseguia deixar de ficar de mau humor. Toda a
hitria era ridcula - hoje era o jogo dos ex-alunos da St. Lucius e ela devia estar na
arquibancada, linda, torcendo por Jeremiah e fazendo todas as lderes de torcida da St.
Lucius saberem que elas no iam para casa com ele depois do jogo. Era o grande dia de
Jeremiah e ela queria estar l com ele. Brett quase estragou tudo para sempre entre os
dois, com toda a idia de que estava apaixonada pelo fiasco do Eric Dalton, mas agora
as coisas estavam bem de novo e ela queria provar o quanto o amava.
Surpreendentemente, Tinsley e Callie j estavam sentadas em um dos sofs, Tinsley
com as pernas envolvidas por um dos braos. Vestia um camiseta apertda Arizona
Wildcats (ser que namorou algum do Arizona?) e a cala de pijama de seda vermelha,
o cabelo escuro e comprido amarrotado da cama. Callie usava uma camiseta de algodo
branco e as duas meninas cochichavam na orelha da outra, claramente tramando alguma
coisa, como sempre.
Brett tirou um pedao do bagel e passou um pouco de cream cheese.
- Obrigada por virem, todas vocs. Pensei que seria uma boa idia se todas ns nos
reunssemos e fizssemos um brainstorming sobre esse... hummm... trabalho, essa
besteirada ridcula. - Epa. Brett queria parecer profissional, mas no conseguiu reprimir
a amargura.
Um coro de vozes se elevou.
- Sage e eu temos passe para ir  cidade hoje. - O rosto de Emily Jenkins exibia uma
expresso de vtima. - Tem um desfile exclusivo de Jovovich-Hawk na Barneys e a
gente estava planejando ir, tipo assim, h sculos. Quem sabe eu posso escrever sobre
isso?
- , e o Marymount vgai ligar muito de voc no ter o novo minivestido da estao -
zombou Benny Cunningham enquanto pegava o muffin de banana e nozes, claramente
ofendida por no ter sido convidada para a excurso  Barneys.
Yvonne Stider, com o cabelo de palha de milho em duas marias-chiquinhas, levantou a
mo, insegura. Brett disse com pacincia:
- No precisa levantar a mo, Yvonne. todas ns podemos falar.
- Obrigada, Brett. - Yvonne olhou a sala meio nervosa, parecendo pequena e meio
moderninha com o pijama vermelho desbotado coberto de desenhos dos Jetsons. - Eu s
queria dizer que reclamar do que vamos perder no era o que o Marymount tinha em
mente. - Ela olhou para Emily e Sage e acrescentou rapidamente: - Sem querer ofender.
- Acho que Yvonne tem razo - falou Jenny, sentada de pernas cruzadas no cho,
usando jeans True Religion e uma camista rasgada Ralph Lauren - Brett sabia que ela
no estaria de pijama, j que sempre tinha o cuidado de no ser vista sem suti. - Quer
dizer, ele sabe que estamos perdendo coisas...  esse o sentido do castigo, no ? - ela
respirou fundo. - Mas ele quer que a gente aprenda sobre responsabilidade, e
responsabiliade  meio que assumir seu castigo, seja justo ou no, e lidar com ela da
melhor maneira possvel, n?
Tinsley e Callie deram risadinhas, e a cara de Jenny corou.
- Callie? - disse Brett incisivamente. - Tem alguma contribuio a dar?
- Na verdade - respondeu Callie, aindarindo -, temos uma idia de como lidar com o
castigo da melhor maneira possvel.
- Marymount pode ter achado um barril - anunciou Tinsley regiamente. - Mas - ela
parou para fazer suspense, desfrutando dosolhares de assombro de todas as meninas
semidespertas - ele no encontrou os outros cinco.
De imediato a sala zumbiu de animao.
- Do que voc est falando? - perguntou Brett de mau humor. - Tem mais? Onde?
- De baixo da cama da Kara - revelou Callie, cheia de orgulho.
Mais zumbidos enquanto as meninas olhavam em volta, j que nem todas sabiam muito
bem quem era Kara. Ficou claro quando a Dama de Preto pulou do lugar  janela, a
cara, antes branca, vermelha de pavor.
- Est brincando?
- Desculpe - disse rapidamente Tinsley, sem parecer se desculpar em nada. - Voc
estava no banho, sua porta estava aberta e havia tanta porcaria debaixo da minha cama. -
Ela fez com que isso parecesse culpa de Kara.
- Ento voc colocou cinco barris de cerveja no meu quarto sem pedir? - Kara estava
irritada. Brett sorriu um pouco, satisfeita ao ver que a Dama de Preto falava por si
mesma. A garota tinha de ser muito cool para enfrentar Tinsley Carmichael diante de
uma sala cheia de imitadoras da Tinsley. Ela j gostava dessa garota.
- Na verdade so meios-barris - corrigiu Callie.
Yvonne deu um pigarro.
- Parece a oportunidade perfeita para tirar vantagem de uma situao negativa...
Estamos todas presas aqui e a Pardee no est no prdio.
- Ento, vamos dar uma festa! - Celine Colista se levantou, o short curtinho Gap Body
revelando as pernas supercompridas. Ela fez uma dancinha. Um zumbido de
empolgao ondulou pela sala.
- Tudo bem. - Brett se sentou reta na cadeira e quis ter um martelo de juiz ou coisa
assim para recuperar o controle da sala. - Ento o que vai acontecer quando a Pardee
entrar e vir um bando de meninas bbadas vomitando na sala de estar com cinco barris
vazios?
- Na verdade - piou Rifat Jones, a capit alta e atltica do time de vlei -, acho que
posso ajudar. - Diziam os boatos que os pais dela praticamente mandaram em Wall
Street antes de abandonarem tudo para ingressar no Corpo da Paz e agora ensinavam
pessoas em Gana a criar as prprias empresas. Meio bacana. - Meu namorado  um dos
alunos que fazem parte do Conselho Diretor - eplicou ela. O cabelo era escuro e crespo,
curto como de natalie Portman em V de Vingaa, e as pernas longas e morenas que
pareciam subir uns mil quilmetros estavam apoiadas na mesa de centro. - Ele vai
ajudar no grande jantar na casa de Marymount hoje  noite. Ele disse que todo ano
termina, tipo assim, de manh cedo, e os membros do conselho e professores ficam de
porre e vo para casa trocando as pernas. Ento...
- Ento ele pode ligar quando a Pardee sair de l? - interrompeu Tinsley.
- Claro - Rifat assentiu. - Ele pode nos dar um alerta antecipado, pelo menos. Depois a
gente pode trancar os barris e cair na cama.
- Isso  demais. Obrigada, Rifat. - Tinsley bateu palmas como se ela mesma tivesse
resolvido o problema. Brett tinha certeza absoluta de que Tinsley nunca falara com Rifat
na vida, mas de repente era a melhor amiga dela. E por que no? Tinsley adorava todo
mundo que podia usar.
- Ento a festa vai rolar? Digamos, s oito? - Callie pulou do sof e esticou o corpo
longo e magro. - Tempo suficiente para escolher minha roupa.
- Pera um minutinho - gritou Yvonne Stidder. - Acabo de ter uma idia. E se a gente
usar as roupas de outra pessoa para a festa desta noite... Algum que no conhecemos?
Quer dizer, isso nos daria a oportunidade de nos conhecermos melhor. - Ela deu de
ombros e se encolheu um pouco, como se estivesse preocupada que algum risse dela.
- Que idia incrvel! - exclamou Rifat, toda animada, olhando Callie, Celine e as outras
meninas altas.
Benny Cunnungham revirou os olhos para Callie. Mas Callie j estava vasculando a
sala, tentando avaliarque meninas usariam o tamanho dela. Como se mais algum ali
fosse to magra. Outras meninas murmuravam animadas.
Brett suspirou. Uma festa certamente no ia compensar no ir ao jogo de Jeremiah, mas
aidia de passar uma tarde vasculhando os armrios cheios de roupas novas era atraente
para ela. Era meio como a poca em que ela e Callie passaram um domingo inteiro
andando de taxi por Nova York, parando em quase todos os brechs da cidade em busca
de um tubinho Chanel que ela vira quando folheou a coleo de revistas Vogue dos anos
1960 da biblioteca. Elas no encontraram um vestido assim, mas conseguiram levar para
casa sacolas e mais sacolas de outros tesouros.
- Tudo bem - disse Brett, espanando do colo os farelos de bagel esperando que no
houvesse nenhuma semente enfiada nosdentes. - Todas vocs, pensem no que significa
ser uma Waverly Owl responsvel e me mandem um e-mail. - Talvez fosse melhor se
todas reunissem suas idias e fizessem um trabalho s. Ela amassou o guardanapo na
mo. - E deixem as portas dos armrios abertas.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
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Para: HeathFerro@waverly.edu;
EasyWalsh@waverly.edu;
BrandonBuchanan@waverly.edu;
JulianMcCafferty@waverly.edu;
AlanStGirard@waverly.edu;
RyanReynonds@waverly.edu
De: TinsleyCarmichael@waverly.edu
Data: Sbado, 5 de outubro, 10h12
Assunto: Shhhh...
Queridos meninos,
S quero que vocs saibam que vamos dar uma festa hoje  noite no Dumbarton - mas
devemos convidar vocs, j que vamos usar a sua cerveja.
Pardee no estar aqui, mas o segurana e zelador Ben estar patrulhando o ptio para
se certificar de que ningum entre ou saia. Venham, se conseguirem encontrar um jeito
de entrar - s no sejam flagrados ou voc vo se foder (e no conosco).
Desagradavelmente,
T
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
...............................................
Para: BrettMesserschmit@waverly.edu
De: KaraWhalen@waverly.edu
Data: Sbado, 5 de outubro, 11h21
Assunto: O que eu aprendi...
 que uma Waverly Owl responsvel pode muito bem ir  primeira festa da vida sem ser
convidada. Em especial se os barris j esto no quarto dela!
A gente se v  noite
K
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
...............................................
Para: BrettMesserschmit@waverly.edu
De: EmilyJenkins@waverly.edu
Data: Sbado, 5 de outubro, 12h07
Assunto: No queria que sua namorada fosse gata como eu?
T legal, eu oficialmente ando ouvindo muita msica ruim, tipo as das Pussycat Dolls.
Mas o que eu realmente queria  ROUPAS sensuais para mim! Preciso de uma roupa
bacana para a festa, cara. Posso ir a? J estou a caminho.
E
P.S.: Uma Waverly Owl responsvel no derrama cerveja nas roupas da generosa colega
de alojamento!
14
UMA WAVERLY OWL SABE QUE TRABALHAR EM EQUIPE  UMA
EXCELENTE MANEIRA DE ENCONTRAR SOLUES NOVAS E
CRIATIVAS
Ao meio dia e meia de sbado, o salo de jantar da Waverly estava,  primeira vista,
como sempre  apinhado. Qualquer um que no conhecesse bem a Waverly pensaria
que tudo corria normalmente no mundo. Mas os que estavam familiarizados com a
escola teriam percebido uma diferena distinta  ou melhor, uma ausncia. Isto ,
faltavam as meninas do Dumbarton . O que significava que faltavam todas as gatas da
escola. E a esttica da Waverly certamente sofria por causa disso.
Para no falar nos meninos. Quando Brandon passou pela porta principal do salo de
jantar, inconscientemente passou os olhos pelo ambiente  procura do cabelo louro de
Callie ea confuso de cachos de Jenny antes de perceber que elas no estariam ali. Ele
soltou um suspiro pesado e foi para a fila da comida, pegando uma bandeja e
contornando o amontoado de gente na frente dos palitos de frango. (Uma das poucas
excees na dieta de Callie  ela ia ficar chateada.)
- Mais  disse Heath Ferro  coitada que colocava os palitos em seu prato.  No seja
mesquinha. Sou um rapaz em crescimento.
Brandon tentou no ficar enjoado enquanto passava pelo colega de quarto na fila e
pegou uma tigela de sopa de tomate fumegante. Seu estmago ainda estava esquisito do
jantar da noite passada. Ou talvez ele estivesse enjoado de toda a paquera de Tinsley
com o pai dele. E vem me falar de esquisitice. Ela apareceu do nada e enfeitiou todos
eles, exceto talvez o Julian.
- Qual  seu problema, princesa?  perguntou Heath depois que seu prato tinha uma
pilha suficientemente alta de palitos de frango.  No se divertiu no encontro com Julian
ontem  noite? Ele disse que voc estava um gato.  Ele deu uma risadinha.
Brandon revirou os olhos e examinou as mas, procurando uma no machucada. Heath
jamais ia parar de fazer piadinhas sobre homossexualidade. Brandon j podia imagin-lo
na reunio de 50 anos dele, ainda dando indiretas de Brokeback Mountain.
- A Tinsley tambm estava l, babaca, caso no tenha ouvido falar.  Ele andou para os
coolers e pegou uma garrafa de suco de laranja com framboesa. S dizer o nome dela o
eletrizava.
- Meu Deus, nenhuma menina durante todo o fim de semana.  Heath o seguiu para a
mesa perto da lareira, onde alguns caras estavam sentados.  Isso no  uma merda?
- Muito mesmo  respondeu Alan St. Girard entre goles gigantescos de leite
achocolatado.  Parece que estou no Cdigo de honra, ou coisa assim.
- Tem outras meninas aqui, sabiam?  Ryan Reynolds suspirou, sem acreditar no que
dizia.
- , mas no das boas.
- E desde quando voc sabe a diferena?  Heath descascou sua banana e jogou a casca
em Alan, depois se abaixou antes que o miolo da ma de Alan batesse em seu rosto.
Que timo, pensou Brandon. Eles parecem um bando de gorilas. Tire as meninas e logo
vo comear a se devorar.
- No sei se posso passar por todo o fim de semana sem dar nem uma olhadinha nas
saias curtas da Tinsley. Ela  melhor do que Skinemax.  Ryan colocou na boca o
biscoito de chocolate inteiro.
- Pense s nisso. Todas aquelas gostosonas presas com a nossa cerveja?  Heath deu um
tapa na testa.  Vai ser lendrio. A gente precisa entrar l.
- E com pretende fazer isso?  perguntou Julian. Parecia que os rapazes tinham se
esquecido de que ele era um calouro e o aceitaram no grupo. Normalmente, se um
calouro quisesse ficar com os mais velhos, teria de lavar a roupa deles, dar-lhes
maconha ou coisas assim. Mas Julian era legal e todos os meninos o queriam em seus
times de basquete indoors para o inverno, assim, eles meio que o perdoaram tacitamente
por ser to novo.  No podemos exatamente bater na porta da frente.
- Pera pera pera pera pera pera PERA!  Heath pulou da cadeira, derramando a
gua do copo no sanduche meio comido de Brandon.  E os tneis? Eles existem
mesmo? Vocs sabem?
- O que so os tneis?  Julian se inclinou para frente, ansioso. Esta era uma histria
que nunca tinha ouvido.
Alan passou os dedos no queixo por barbear. Parecia um Bombril louro.
- Pensei que eram s boatos.
- No, eles existem mesmo.  Brandon pegou o sanduche ensopado e o atirou na
bandeja de Heath.  Foram construdos entre os alojamentos e as salas de aula durante a
guerra fria ou coisa assim...
- No era por causa de guerra nenhuma... Eles cavaram para que os alunos pudessem
evitar essa porra de clima de deixar o saco dormente.  Easy Walsh falou pela primeira
vez, tendo estado ocupado demais atirando palitos de frango na boca para se juntar 
conversa.
Ah, , Sr. Especialista em Tneis?, pensou Brandon.
- Bom, de qualquer modo... Esto fechados h anos.
- , mas meus irmos costumam falar que arrombavam e saam por ali para beber. 
Easy deu de ombros. A gola da camisa plo branca e manchada estava se separando das
costuras.  Ento tem de haver um jeito de entrar.
- Assim voc pode ver a J-E-N-N-Y?  Ryan despejou meio copo de Sprite no suco de
laranja e o mexeu com uma colher.  Se eu soubesse que ia pegar aquela bundinha,
tambm estaria decidido.
- Acho que a nica bundinha que voc vai pegar  a da sua av, ento por que no cala a
porra da boca e liga para ela?
- Senhoras, senhoras, por favor.  Heath se levantou.  No esto vendo? Todos
precisamos trabalhar juntos. Unir foras, combinar poderes pelo bem maior.
Brandon revirou os olhos. Heath sempre aparecia com essas tiradas de heris de
quadrinhos, como se a vida dele j no fosse muito fcil, ele tinha de se considerar uma
espcie de super-heri. Embora o nico poder que ele talvez quisesse ter seria viso de
raios X para ver atravs das roupas das mulheres.
- Tanto faz  grunhiu Ryan.  Quer dizer, to dentro.
Easy atirou o guardanapo amassado na bandeja de Ryan como oferta de paz.
- Ento, temos de pensar... Como vamos encontrar os tneis?
- Trabalho em equipe, senhoras, trabalho em equipe.  Heath bateu o punho na mesa. 
Temos que nos dividir,. Algum deve ir  biblioteca, ao Maxwell Hall, aos estdios de
belas-artes,  Lasell, tudo. No deixem de revirar uma pedra que seja. Nenhuma porta
nem alapo fechado!  Era como se ele pensasse que era o Professor Xavier fazendo
um discurso para inspirar todos os X-Men antes da batalha.
- E se estiver trancada?  perguntou Brandon.
- Como ?
- E se a porta fechada estiver trancada? E a?
Heath olhou o colega de quarto como se ele fosse um menino de 5 anos que tinha
acabado de fazer a pergunta mais idiota do mundo.
- Ento vamos fazer como em Onze homens e um segredo e arrombar.
E, como todas as meninas sumiram, eles iam ter de roubar uns grampos de cabelo.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
................................................
Para: JennyHumphrey@waverly.edu
De: EasyWalsh@waverly.edu
Data: Sbado, 5 de outubro, 13h12
Assunto: Piquenique
Jenny,
Estou com saudade. No tenha medo, o poderoso Heath Ferro tem um plano. Vamos
tentar entrar  podemos ter nosso jantar em seu quarto, em vez de no bosque.
Te amo,
E
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
CallieVernon: E a, Walsh. Por favor, agradea ao seu velho pelo jantar adorvel ontem
 noite.
EasyWalsh: Ele provavelmente ia adorar se voc mesma mandasse um email pra ele 
voc sabe que ele  apaixonado por vc.
CallieVernon: Ha ha ha... , foi incrivelmente divertido. J. L. Walsh  como um bom
vinho  fica melhor com a idade.
EasyWalsh: Depende de sua definio de melhor. Pelo menos ningum vomitou a
comida.
CallieVernon: Vai entrar hoje  noite com os outros meninos? Soube que tm um plano
secreto.
EasyWalsh: Ferro est agindo como nosso lder destemido, ento vc sabe que estamos
em boas mos.
CallieVernon: Desde que voc aparea... Estamos topdas nos produzindo, esperando
uns cavalheiros sensuais de armadura reluzente arrombando as portas...
EasyWalsh: Hummm, . Vamos tentar.
15
Uma waverly owl sabe quem so as colegas de alojamento- caso isso venha a calhar
Depois dos sanduches entregues no alojamento no almoo(croissants com peru e
Havarti e cogumelos portobello, queijo de cabra em po de frma), o servio de
refeies deve ter precisado de uma folga porque anunciou que, para o jantar, elas
receberiam uma pilha gigante de caixas de pizza.Ningum pareceu se importa.Na
verdade, pizza era a comida preferida de Tinsley antes de uma grande noite de
bebedeira.Nada como carboidratos e queijo para preparar o estmago para o lcool.
As meninas deixaram as portas de seus quartos - e dos armrios - abertas a tarde toda e
todas andavam pelos corredores, vasculhando cabides de roupas que nem eram seu
tamanho, s para o caso de verem alguma coisa espetacular.Tinsley andara
pelos armrios de Benny, Sage e Celine, e ela conhecia o de Callie como a palma da
mo, mas tudo parecia um tdio.Seco.Convecional.Nada surpreendente.Seu guarda-
roupa tinha sido esvaziado por dezenas de mos.Ela no se importava de emprestar,
desde que conseguisse roupas to boas quanto as que cedeu.
Brett entrou num rompante no quarto, um vestido de chiffon esmeralda pendurado num
brao.Ela nem olhou para Tinsley enquanto atirava o vestido na cama.Ligou o aparelho
de som Harmon Kardon, enchendo o quarto com o som de Fleetwood Mac.Mas ser que
 possvel Brett ser mais idiota?Quem gostava de msica dos anos 1970 alm das
pessoas que realmente viveram nos anos 1970?
Com um olhar para Brett que era de fuzilar,Tinsley saiu do quarto, batendo a porta ao
passar.
Ela suspirou.Cinco e meia -os meninos, se conseguissem encontrar um jeito de entrar,
chegariam dali a alguma horas.Ela podia dar uma olhada na cerveja- os barris deviam
precisar de mais gelo.Nunca a mquina de gelo no poro do Dumbarton foi to
fundamental.
A porta de Kara era a nica fechada em todo o andar.Tnsley bateu brevemente antes de
girar a maaneta.Kara estava sentada  mesa com livros abertos.
--Oi--chamou Tinsley.
Kara girou a cadeira.
--Ah...Oi--Ela no pareceu muito satisfeita ao ver Tinsley ali.Francamente.Tinsley
estava fazendo um favor enorme a essa ningum, permitindo que lea guardasse em seu
quarto a bebida da festa.Antes disso, ningum nem mesmo sabia quem era ela.Ela
podiapelo menos demonstrar alguma gratido.
--S queria dar uma olhada nos barris...No se importa se deixarmos aqui no ?--
Tinsley olhou o quarto imaculado arrumado.-- to limpo aqui.Eningum ia desconfiar
de voc.
Kara largou o brao nas costas da cadeira.Ainda estava com a camiseta preta de Bob
Dylan que usara mais cedo.Ela no tinha jeito.
-- pode ser--Seus olhos castanhos esverdeados encontraram os olhos violetas de
Tinsley.
Tinsley se agachou ao lado da cama e ergueuo coberto.Colocou uma das mos no metal
do barril.Estavam bem frio.Ela se levantou.Tudo bem, podia ser um pouco mais legal
com essa garota-afinal, ela no ouvira pedido nenhum antes de Tinsley colocar os barris
no quarto dela.
--Por que  que ainda no esta vestida?--perguntou Tinsley--Voc vem a festa, no ?
--Bom...
--Ah, sem essa!--Tinsley endireitou o corpo e pela primeira vez olhou a porta aberta do
armrio de kara.Com um olho de aficionada em compras, ela viu as cores vivas e os
tecidos caros.Pera um minuto, de quem eram essas coisas?A garota que s vestia preto
tinha um armrio cheio de roupas assim?Com dois passos rpidos, Tinsley estava a
frente do armrio, pegando um lindo vestido rosa com cintura pregueada e silhueta
cheia e solta.Parecia uam coisa dos anos 1920.
Ela o ergueu no corpo--onde consegui isso?--exclamou ela, j vasculhando ansiosa as
outras coisas
A cadeira de Kara guinchou enquanto ela a empurrava para trs no piso de madeira.Ela
andou timidamente at Tinsley.Tinsley se considerava uma especialista em linguagem
corporal e sabia que Kara no confiava nela.Tinsley olhou mais de perto.Ela era uma
daquelas meninas que voc s percebe que so bonitas quando olha bem pro aguns
minutos e ,de repente, como um quebra-cabea, as peas se encaixam.Seu cabelo na
altura dos ombros eram de um castanho tingido de mel, liso e suave, ela era baixinha e
curvilnea.Ainda tinha alguma gordura de beb no rosto, nada que uma pequena
maquiagem habilidosa no corrigisse, e lindos olhos castanhos esverdeados que eram
totalmente desperdiados numa pessoa que no sabia usar deliniador.
--Minha me.--Kara olhou Tinsley pegar uma cala de marinheiro de cetim brancoe
olhar a etiqueta.Frannie Oz.--Ela  ... hummm...estilista.
O quijo de Tinsley caiu.
--T brincando?Ela fez tudo isso?Mas que cretina sortuda.
Kara deu de ombros, completamente desligada de mina de ouro que tinha escondido no
armrio.
--Ela ficou meio abarrotada esse ano...Me mandou todas essas amostras da coleo de
primevera.
Tinsley girou e esfregou a testa.
--Ento por que  que voc no usa?--Ela teve o cuidado de no criticar a camiseta de
Bob Dylane o jeans preto - algumas meninas eram sensveis demais.Mas esta garota
tinha uma carinha o suave que o visual preto era um desnimo completo.
--No sei-- Kara suspirou e passou a mo nas mechas de cabelo desgrenhadas cor de
biscoito de graham.Podia fazer um corte de cabelo tambm, concluiu Tinsley.Alguma
coisa curta e batidinha pra ajudar a deixar seu rosto mais redondo.--Quer dizer, nem sei
se cabem em mim.
Ela era claramente maluca.
-- por isso que tem que experimentar, bobona--Tinsley pegou um vestido trespassado
com uma ala laranja fina tipo echarpe, de bainha desfeita e padronagem xadrez
delicada(havia at um pouco de preto pra satisfazer as tendcias gticas da garota)e
forou nas mos de Kara.--Toma.
--No  minha... No vai ficar bem.
--Me faa esse favor e experimente--Tinsley deu as costas incisivamente e continuou a
vasculhar o armrio.Havia algumas coisas incrveis ali-embora Tinsley nunca tivesse
ouvido falar da etiqueta, a partir de agora ia ficar atenta a ela. Todos os desenhos tinham
um toque retre as estampas mordernas faziam Tinsley sentir que tinha tropeado com
uma perfeita butiquezinha desconhecida.Que pssimo que a me de Kara no morasse
nesse quarto-Tinsleyia contrat-la para fazer roupas sob medida para ela!-- Se nunca
usou antes, conta como emprestada.
Passaram-se alguns segundos de um silncio desagradvel enquanto Tinsley ouvia o
rufar de Kara trocando de roupa.
--J terminou?--perguntou ela, depois de se passar tempo suficiente.Ela girou o corpo.
Kara estava parada no meio do quarto, puxando as vrias partes do vestido, que cabia
nela como uma luva.A saia girava um pouco na bainha, alguns centmetros acima ddo
joelho, e o decote em V revelava s a quantidade certa do peito de Kara.
--Est apertado demais.Eu me sinto uma prostituta.
Tinsley riu
--Agora eu sei que voc  doida--Ela se aproximou e enfiou a etiqueta atrs do tecido--
Voc est sexy.Voc est totalmenteproibida de trocar de roupa. isso que voc vai usar
hoje  noite.
Kra suspirou de novo.
--Bom, hummm, obrigada.--Ela parecia meio surpresa quando se viu no espelho nas
costas da porta--Acho q ue vou ter que fazer uma maquiagem tambm, n?
--J que est nessa, podia muito bem fazer tudo direito.
--Acho que sim.
--Por que no vem ao meu quarto?--props Tinsley generosamente, ainda agarrada ao
vestido de chiffonque parecia quase um peignoir que Maggie usara em Gata em teto de
zinco quante--conhece a Brett?Quer dizer voc  nova aqui, no ?
--No exatamente...--O rosto de Kara ficou rosado.--Quer dizer, eu nem conheo Brett
ainda --Ela deu um pigarroe comeou a se atrapalhar com a gola do vestido.-- Talvez eu
d uma passada l.Tenho de pensar nos sapatos que vou usar.
Tinsley ergueu o vestido que carregava.
--No se importa se eu esperimentar esse, no n?--Kara era um pouco mais curvilnea
do que ela, mas o vestido tinha lao na cintura.
Kara agitou a mo.
--Sirva-se.
Tinsley sorriu. Se havia uma coisa que ela sabia era se servi.
Ela foi para o corredor e viu Callie, o punho erguido e prestes a bater na portade Tinsley
e Brett.Seu cabelo estavamolhado do banho e ela ainda vestia a toalha de algodo
egpcio branca enrolada no corpo.
--A pizza j chegou?--perguntou ela, os olhos faiscando.Callie devia mesmo estar com
fomepara perguntar sobre comida-em geral ela meio que fingia que no precisava
comer.Mas... hoje ela estava com um olhar meio endiabrado.
Tinsley sorriu para a velha amiga.
--Pelo cheiro sim.Vamos pegar umas fatias.
--No quer levar l para cima e fazer nossa maquiagem?Acho que Jenny vai descer para
o seu quarto.
j se esquecendo dos planos de maquiar Kara, Tinsley assentiu.
--Com certeza.
Owl net ---- caixa de entrada de E-mail
............................................
Para:Heath Ferro@waverly.edu;
AlanStGirard@waverly.edu;
EasyWalsh@waverly.edu;
RyanReynolds@waverly.edu;
JulianMcCafferty@waverly.edu;
LonBaruzza@waverly.edu;
De:BrandonBuchanan@waverly.edu;
Data:Sbado,5 de outubro,17h47
Assunto:O tnel para o paraso
Galera,
Problema resolvido.Vmaos entrar.
Encontrem-me no ginsio Lasell s 19h25, vestirio masculino.
Venham preparados para um passeio pelo subterrneo.Pensem o mais secreto possvel
No se atrasem.E se algum tiver uma lanterna - por favor leve
B
net caixa de entrada de E-mail
.......................................
Para:BrettMesserschmidt@waverly.edu;
De:BennyCunningham@waverly.edu;
Data:Sbado, 5 de outubro, 18h00
Asusnto:Sabendo poupar no vai faltar
Enquanto eu definhava no meu quarto hoje, morta de tdio e abatida com a ideia de
perder uma liquidao de maatar, tive uma revelao que mudou tudo: uma waverly
Owl responsvel deve aprediar a falta de tentao proporcionada por uma deteno
obrigatria no alojamento.No final no ter permisso de usar minha carteira acabou
valendo realmente a pena, porque, se pensar bem, 500 dlares poupados em algumas
blusas que eu s vou usar uma vez so 500 dlares em meu bolso.Para que sejam usados
em propsitos mais prticos,  claro.
Segundo meus lculos, equivalem a 125 doses de Absolut.J te falei que fica no quarto
o dia todo aprimora suas habilidades matemticas?Me sinto to iluminada!
Beijocas
Benny
Owl Net-------- caixa de entrada de E-mail
..........................................
Para:BrettMesserschmidt@waverly.edu
De:Jennyhumphrey@waverly.edu
Data:Sbado, 5 de outubro,18h17
Assunto:Anime-se!
Brett,
Sorria, meu bem. hoje tem festa!
Achei meus elsticos de cabelo pro todo o quarto, como se algum os tivesse tirado de
minha caixa de Altoids e os atirasse no ar.Esquisito n?Ser uma Waverly Owl
responsvel significa no assacinar sua colega de quarto, por mais que ela te deixe
louca.
E a, vai usar aquele vestido verde da Rifat?Quer se arrumar comigo?Nossas
coleguinhas no esto?
Te vejo daqui a pouco!
Jenny
16
 CORTESIA COMUM UMA WAVERLY OWL BATER ANTRS DE ENTRAR.
Brett estava deitada na cama com o vestido de seda esmeralda de Rifat, parecendo uma
estrela de Hollywood lendo O apanhador no campo de centeio. Estava tecnicamente
pronta para a festa mas, mesmo depois de vasculhar dezenas de armrios de outras
meninas, encontrando os vestidos mais incrveis e pegando emprestado um inacreditvel
par de sandlias douradas Giuseppe Zanotti com tiras gregas que vinham ate a
panturrilha, ela ainda no estava a fim de festa nenhuma. S queria ficar com Jeremiah.
Ela no soube dele pela manh, mas conseguiu sintonizar o rdio-relgio na emissora da
St. Lucius e ouviu os locutores narrarem o jogo lance por lance. Estava claro que os
dois estavam pasmos com Jeremiah, o que fez Brett rir, e era divertido ouvir sobre todos
os passes incrveis que ele dava, como se ele estivesse salvando o mundo da aniquilao
nuclear em vez de atirando uma bola. O jogo ficou empatado at os ltimos segundos,
quando Jeremiah conseguiu correr para a ponta sozinho e marcar o touchdown da
vitria. Os narradores nerds ficaram eufricos e as lderes de torcida provavelmente
invadiram o campo, abanando os pompons.
Suspiro.
Mas O apanhador no campo de centeio conseguiu fazer com que ela se sentisse um
pouco melhor. Brett adorava o livro todo, mas os primeiros captulos eram seus
preferidos. Holden Caulfield era to arrasado e to claramente deslocado naquela escola
preparatria cara, que Brett tinha certeza de estar apaixonada por ele, pelo menos um
pouco. A parte em que ele diz que s vezes, depois de terminar algum livros, sempre
quer ligar para o autor- era uma coisa que Brett sentia toda vez que lia Salinger ou
Dorothy Parker. Ela queria ligar para Salinger e lhe dizer o quanto se sentia como
Holden s vezes, mas que ela disfarava melhor.
Uma batida delicada na porta arrancou Brett de seus devaneios.
- Entra-gritou ela. A porta se abriu um pouco e Kara espiou, linda num vestido laranja
apertado e confortvel.
- Eu no queria atrapalhar sua leitura-disse a menina, claramente meio aturdida.- Mas.. a
Tinsley disse para vir, que ela me ajudaria com a maquiagem. Sou totalmente inapta
nisso.- Ela olhou o quarto.- Mas pelo visto, ela no est aqui.
Brett fechou o livro e o colocou de lado na cama.
- Bom, acho que ela pode ter ido ao quarto da Callie, mas eu posso ajudar, se quiser.-
Ela se levantou.- Mas eu no sou a Tinsley- acrescentou ela.
Kara mordeu o lbio.
- No sei bem se isso  ruim - disse ela com um riso nervoso.
Brett riu.
- timo.
Os olhos de Kara baixaram em O apanhador no campo de centeio.
- Esse livro  timo... Est lendo para o curso de ingls?
-No. - Brett olhou o livrinho branco, a capa trazendo apenas o ttulo em preto no meio
e uns riscos de arco-ris minimalistas que cruzavam o canto em diagonal. Eal adorava
isso tambm. - Acho que s leio quando estou deprimida.
Kara assentiu sabiamente, os olhos castanho esverdeados se arregalando de
solidariedade.
- Holden  to fodido da cabea - disse ela com ternura.- Ele sempre faz a gente se
sentir melhor.
Exatamente. Brett no conseguia imaginar por que nunca conheceu essa garota.
- A propsito, esse vestido  demais.
- Nem acredito que voc est dizendo isso pra mim! - exclamou Kara. - Voc parece
uma estrela de cinema.
- Eu no estou parecendo uma abobrinha? - Brett olhou seu vestido enquanto ia para a
bandeja de maquiagem em cima da cmoda. Ela pegou o tubo de base Global Godess e
o estendeu para Kara. - Esse negcio  incrvel.
- Ningum vai te confundir com uma verdura.
- Obrigada.- Brett examinou o rosto de Kara criticamente. Tinha uma pele bonita, mas
do rosto fortes e clios incrivelmente longos - ela nunca se maquiava, ento talvez fosse
bom dar alguma cor ao rosto dela. - O que acha de usar sombra lils?
Dez minutos depois Jennu colocou a cabea pela porta; estava usando um vestido J.
Crew sem ala da cor de caf preto e sandlias vermelhas de tiras.
-No estou muito fora de poca, no ?
Seu cabelo pendia em anis midos nos ombros nus.  Eu simplesmente adorei esse
vestido esmagando meus peitos.  Ela os empurrou para cima.  Esto menores, no ?
- Nem quando voc faz isso  brincou Brett. Easy no ia ser o nico a cair em cima dela
a noite toda. Embora o vestido no fosse revelador, os ombros nus e o decote discreto
em V iam enlouquecer os meninos. Brett examinou o prprio rosto no espelhinho da
maquiagem antes de passar um pouco de sombra escura Urban Decay Oil Slick nos
cantos dos olhos.
Jenny olhou as duas.
- Vocs esto demais.  Ela sorriu timidamente para Kara.  Voc  a Kara, n? Acho
que sou da sua turma de Desenho da Figura Humana.
-  um curso timo  disse Kara entusiasmada.  Desde que eu no tenha que posar to
cedo.
- De repente seria divertido, se a gente vestisse essas roupas.  Jenny girou e deixou que
a saia rodasse em volta dela.
- Acho que vou me trocar. No a maquiagem  acrescentou Kara rapidamente.  Mas
esse vestido no tem nada a ver comigo.
- Mas esse  o propsito de usar roupas diferentes... Hoje voc no tem que ser voc
mesma  assinalou Jenny, olhando o espelho e torcendo mechas de cabelo perto da testa
e prendendo-os no meio da massa de cachos escuros.
- Talvez.  Kara deu de ombros.  Mas no gosto de me olhar no espelho e no me
reconhecer, entendeu?
Do lado de fora, veio um som estranho de buzina, quase como a buzina que Brett tinha
em sua bicicleta Huffy cor-de-rosa. As meninas dispararam para a janela e Brett puxou
as cortinas.
- Mas que foi isso?  perguntou Jenny, nervosa.  Parecia alguma coisa morrendo. As
corujas no fazem um som assim, fazem?
- S quando fumam crack  brincou Kara.  Deve ter sido um ganso.
Brett fitou a escurido do anoitecer, mas no conseguiu ver nada alm de arbustos e
rvores. Veio outro chamado, desta vez mais perto, e as trs meninas pularam. O
corao de Brett comeou a bater mais rpido, ela puxou a cortina, abriu a janela e
enfiou a cabea para fora.
- Ah, meu Deus  gritou ela. Jeremiah, vestido de preto, com duas faixas d etinta
reflexiva preta embaixo dos olhos, estava entalado entre a parede de tijolinhos do
Dumbarton e um arbusto grande de lils.
- Shhhhh...  sussurrou ele, colocando as mos no peitoril.  No vai me convidar para
entrar?
Rindo e se sentindo uma completa rebelde, Brett pegou uma das mos fortes de
Jeremiah e o ajudou a passar pela janela.
- No devia estar num jantar com seu pai?  perguntou ela, toda feliz.
Jeremiah sacudiu o cabelo ruivo, soltando uma chuva de agulhas de pinheiro.
- Ns jantamos cedo.  Ele olhou as outras meninas e apontou para Jenny.
- Oi, Jenny, n?
- .  Ela olhou nervosa para Brett.  Como voc sabe?
- Voc tem alguns fs.  Ele deu um sorriso irresistvel para ela.
- Aaaiii  respondeu Jenny, corando.
Brett sorriu, Jeremiah era to paquerador. Uma das vantagens de ter um namorado que
freqentava uma escola diferente  que Brett podia azarar inocentemente os meninos
que quisesse sem se preocupar de Jeremiah saber. Paquerar era uma das coisas que fazia
a vida valer a pena. A desvantagem,  claro, era perceber que Jeremiah devia fazer a
mesma coisa na escola dele.
- Fico feliz por voc poder... er... entrar esta noite.  Jenny riu.
Brett cutucou Jenny com o cotovelo.
- E essa  a Kara.
- Oi, Kara.  um prazer te conhecer. Meu nome  Jeremiah.  Brett sorriu. Jeremiah era
educado, como sempre, mesmo quando seus dedos estavam cobertos de seiva.
-  um prazer conhec-lo tambm, Jeremiah.  Kara tambm sorriu e pegou o brao de
Jenny.  A gente precisa... hummm. Ir.
- Sim,  claro!  Jenny partiu para a porta e as duas saram, ainda rindo.  Mas a gente
se v na festa, n?
- Estaremos l daqui a pouco  disse Brett. Ela ainda podia ouvir seu corao
martelando nas orelhas. O dia todo ela teve medo demais para torcer que Jeremiah
viesse  no queria que ele se metesse em encrenca nem nada disso, mas no conseguia
parar de pensar nele. Assim que a porta se fechou, ela atirou os braos nele e comeou a
beijar seu rosto como louca, com o cuidado de evitar a mancha preta.
- Caraa, devagar a.  Jeremiah passou as mos pela lateral do corpo de Brett.  Me d
a chance de ver como voc est linda.  Ele recuou um passo e a avaliou, e Brett sentiu
todo o corpo esquentar.  Caramba.
- Gosto de um homem de poucas palavras.  Brett o puxou novamente para si e desta
vez colocou a boca na dele. Seus corpos pareceram se fundir enquanto ele a estreitava
nos braos pela cintura.  Parabns pelo jogo de hoje. Eu ouvi pelo rdio.
- Ah, foi?  Jeremiah colocou uma das mos na nuca de Brett e afagou delicadamente,
exatamente onde ela gostava.  Que legal.
- Hummmm.  Brett colocou o rosto no peito dele e respirou. Ele tinha cheiro de
pinheiro e desodorante fresco, e o creme de barbear AXE que ele sempre usava. Ver
Jeremiah ali, em carne e osso, depois de quer-lo tanto o dia todo, fez com que Brett
sentisse que estava num sonho. Ela no conseguia deixar de abrir o primeiro boto da
camisa preta Ralph Lauren dele.
- Gata, o que est fazendo?  murmurou Jeremiah em seu ouvido, no exatamente
alarmado.
- No consigo evitar...  Brett abriu o boto seguinte um pouco mais rpido, o vislumbre
de seu peito nu enlouquecendo-a um pouco. Eram tantos botes!  Estava morrendo de
vontade de ver voc.  Ela finalmente abriu a camisa dele e foi recebida pelas palavras,
em tinta corporal brilhante, AFOGUE O GANSO, o slogan da St. Lucius.  Ai meu
Deus.
Jeremiah deu um sorriso tmido.
- ... er... Todos os caras pintaram o peito. No percebemos que no ia sair no banho. 
Ele coou os peitorais com os dedos.
- T brincando?  At esse slogan bobo no peito dele o deixava sexy e ela se inclinou
devagar para a frente e colocou os lbios nele, acompanhando o G com a boca,
enquanto tirava a camisa de Jeremiah de seus braos. Talvez esta fosse uma coisa que
ela e Jeremiah sempre teriam  saber que a primeira vez em que transaram, o peito dele
dizia AFOGUE O GANSO em letras vermelhas, grandes e bobas. Era meio romntico.
Mas justo quando ela comeava a empurrar Jeremiah para a cama, a porta se abriu e
Tinsley, usando um vestido rosa floral e um colar de prolas de duas voltas 
exatamente como as que Brett pretendia usar com a famlia de Jeremiah  entrou.
- Ah, Jeremiah! Eu no esperava encontrar voc aqui.  At parece que ela esperava que
Brett estivesse com outro cara.
Considerando que s se passaram algumas semanas desde que Brett entrou no iate de
Eric Dalton, Brett sentiu a alfinetada. Sua puta recalcada, xingou Brett. Ser possvel
que Tinsley no ia deixar essa passar? Jeremiah olhou para Brett e ela pde ver em seus
olhos verde-azulados um toque de tristeza, como se Tinsley tivesse acabado de lembr-
lo da forma horrvel com que Brett o largou h no muito tempo. Brett passou a mo
nas costas nuas de Jeremiah.
Mas Jeremiah pegou a camisa no cho, dando um beijo rpido no rosto de Brett e
murmurando a palavra Depois.
Tinsley passou pelo corpo seminu de Jeremiah e lhe deu um sorriso faiscante.
- Parabns pela vitria. Soube que foi um jogo muito bom.
- Obrigado, Tinsley.
Brett encarou Tinsley enquanto ela mexia numas coisas na mesa antes de pegar o
telefone preto, cantarolando o tempo todo.
- Vocs vo ficar aqui a noite toda?  perguntou Tinsley toda animada, olhando
diretamente para Brett, como se estivesse falando com ela nas ltimas semanas. Tinsley
jamais revelava sua verdadeira identidade de megacretina na frente de membros do sexo
oposto.
- No, estaremos l, no se preocupe  respondeu Brett, mantendo o tom desagradvel
que sentia em sua voz. Jeremiah vestiu a camisa.
- Que bom  disse Tinsley, deixando a porta aberta ao sair.  No quero que percam
nada.
17
UMA WAVERLY OWL SABE QUANDO SE CONFIDENCIAR COM A
COLEGA DE QUARTO E QUANDO FICAR EM SILNCIO.
No patamar da escada do segundo andar, Jenny se espremeu na parede para que
passassem Celine Colista e Verena Arneval, que dividiam o quarto 309 do Dumbarton
naquela andar. Verena, que Jenny nunca vira sem uma roupa elegante e sem saltos,
parecia uma club girl com cala de couro preta apertada e um top branco inspirado num
smoking Badgley Mischka, e Celine, que adorava tudo apertado, estava cheia de classe
num vestido bluson de ombro de fora turquesa com mangas compridas e sapatilhas de
bal bege.
- Oi, Jenny! Voc ficou tima no meu vestido  exclamou Verena enquanto ela e Celine
voavam escada abaixo dando risadinhas.  Mas est indo para o lado errado! A festa 
na sala de estar!
Jenny no estava acostumada a usar vestido sem ala  ela achou que ia escorregar
pelos peitos, expondo sua enormidade ao mundo. Mas ela gastara uma grana na semana
passada num busti sem ala que prometia levantar e espremer, e parecia mesmo
funcionar. Ela at se sentia meio sensual.
- S vou, hummm, escovar os dentes.  Jenny sorriu sem graa para as duas meninas,
que desapareceram pela escada de braos bronzeados dados.
De repente Jenny sentiu falta de Brett como colega de quarto e sentiu mais falta ainda
de ser amiga de Callie. No que elas um dia tivessem chegado l. Desde o incio, Callie
meramente a tolerou at que de repente ela se tornou til, e foi s ento que ela foi meio
legal com Jenny. Mas Jenny no ligava  ela sabia que Callie no era to fria quanto
Tinsley e sentia que elas podiam acabar sendo boas amigas, se a histria com Easy no
estivesse entre as duas. Seria ingenuidade completa pensar que Callie um dia ia superar
isso?
De volta a seu quarto, Jenny sentiu-se ainda mais solitria  e o quarto no estava vazio.
Callie estava diante do espelho, aplicando a maquiagem. Um jeans Rock & Republic
pendia frouxo nos quadris, como se ela no tivesse conseguido encontrar roupas
pequenas que coubessem nela, e embora a cala estivesse meio larga na bunda
inexistente, ela estava incrvel. Na parte de cima, ela vestia uma camiseta branca bsica
com roseiras pequenininhas e cor-de-rosa Betsey Johnson, e o cabelo curto novo estava
puxado para trs em duas marias-chiquinhas espigadas.
Callie olhou em volta, a maquiagem aberta na mo. Seus olhos estavam com delineador
verde-oliva e os lbios estavam cobertos de gloss claro. Ela parecia a eptome da garota
da Califrnia  magra, natural e alegre. Nunca esteve mais bonita.
Callie sorriu nervosa para Jenny.
- No , tipo assim, loucura minha usar jeans, ?  Ela mexeu no zper, certificando-se
de eu estava fechado.  Sei que todo mundo est usando, tipo assim, vestidos de noite e
se produzindo muito... como voc  acrescentou ela.  Mas experimentei estes daquela
garota, a Ashleigh, sabe? Do final do corredor? E ficou to bom.  Ela parou para tomar
flego.
Caraca, pensou Jenny. Acho que depois de ficar em silncio por tanto tempo, Callie
finalmente tinha o que dizer. Ela certamente no ia deixar passar a oportunidade.
- Acho que voc est demais  disse Jenny com entusiasmo, porque era o que pensava
mesmo.  Parece a Cameron Diaz.
- Bom, fico feliz por no ter o problema de acne que ela tem  respondeu Callie de vis,
pegando uma pulseira de ouro no alto da cmoda. Ela olhou para Jenny por sobre o
ombro nu.
- Ela tem problema de acne?  perguntou Jenny com curiosidade.
- No sabia disso?  Callie pareceu surpresa, como se todo mundo soubesse das
histrias de acne de Cameron. Mas depois suavizou um pouco.  , deve ser um porre
total. Quando ela fica nervosa, a cara toda, tipo assim, entra em erupo.  Callie abriu
o potinho de brilho labial.   por isso que ela no vai nas estrias.
- Ah.  Jenny ficou grata pela pele impecvel que era de famlia. No poder ir a estrias
seria terrvel, em especial se voc fosse famosa.
- Est tudo bem com voc?  Callie olhou por sobre o ombro.  Voc parece meio...
avoada.
Callie Vernon estava perguntando a ela como estava se sentindo? H duas horas atrs a
garota nem falava com ela, e agora estava dividindo fofocas de celebridades e
demonstrando preocupao porque Jenny estava quieta? Mas quem sabe esse era o jeito
de Callie superar as coisas  um dia ela acordava e mudava? Ou quem sabe ela
conheceu um cara novo?
- Bom...  Jenny hesitou, interrompendo-se.
-  o Easy?  perguntou Callie delicadamente, ajoelhando-se junto  pilha de caixas de
sapatos novos, procurando pelo par certo. Ela mordeu o lbio.  Quer dizer, olha s.
Desculpe por eu ter sido meio... cretina.  Ela olhou para cima e Jenny ficou surpresa ao
ver que ela estava mesmo corando.   s que foi, sabe como , meio estranho.
- Ei.  Jenny sentiu uma coisa pesada na garganta.  No precisa dizer nada. Eu entendo
totalmente.  Ela estava vendo que Callie ficava pouco  vontade se desculpando e,
mesmo que as ltimas semanas tivessem sido mais do que desagradveis, Jenny ainda
estava com Easy. Ela podia ser generosa.  De verdade.
Callie olhou para Jenny e fez uma expresso incompreensvel, depois sorriu.
- Ta legal.  Ela pegou uma sandlia Calvin Klein dourada de tira no tornozelo na caixa
de cima.  Elegante demais?
Jenny tombou a cabea.
- No, acho que combina perfeitamente com a cala jeans.
Callie desabou na cama e comeou a calar os sapatos.
- Pode falar comigo, sabe como , eu no mordo.
Sentindo um jorro de amor pela colega de quarto, Jenny teve o impulso de desabafar
tudo com Callie.
- Bom...  s que ele disse que podia tentar vir hoje  noite. Mas no soube dele o dia
todo.
Callie assentiu, solidria.
- Ele pode ser pssimo com essas coisas. Sempre me deixava na mo ou aparecia tipo
uma hora atrasado.  totalmente frustrante.
-  s que  meio legal saber o que est rolando, entendeu?
- Sei. Mas quando ele estava crescendo, os pais dele eram super-rigorosos e o faziam
contar sempre que ele ia a algum lugar, exatamente aonde ia e quando ia voltar.  Ela
ergueu o p direito e o balanou de um lado para o outro, examinando como ficava de
ngulos diferentes.  Quando ele veio para c, achei que simplesmente no conseguia
mais lidar com isso e agora  meio impossvel para ele chegar na hora e dizer a algum
onde est.
- Ah.  Essa resposta era um lembrete inevitvel da enormidade da relao de Callie e
Easy. Era como arrancar um dente  no comeo parece pequenininho, mas depois voc
v a que ponto as razes chegam. Jenny e Easy s estavam comeando a se conhecer,
mas Callie fez parte da vida dele por muito mais tempo.  Acho que no tinha percebido
tudo isso.
- Tenho certeza que ele vir  disse Callie, sem mencionar, de propsito, que Easy
tambm tinha lhe mandado uma mensagem instantnea dizendo que viria esta noite. 
Ele vai arrumar um jeito de entrar.  De jeito nenhum Easy ia perder uma coisa to
lendria quanto entrar escondido no alojamento das meninas quando havia uma
deteno. Francamente.
Jenny abriu a ncessaire Sephora rosa e espalhou a maquiagem diante de si. Callie
observava enquanto ela abria o realce Benefit Dandelion e passava um pouco no rosto,
deixando sua pele ainda mais radiante do que de costume. Naquele vestido de chiffon
sem ala marrom, com os cachos longos e rebeldes, ela parecia algum que brincava
descala numa campina florida sem se preocupar em pisra em insetos. Em outras
palavras, o tipo de garota despreocupada por quem Easy se apaixonaria.
- Acho que tem razo. No consigo imaginar Heath deixando todas ns produzidas e
bebendo cerveja sem ele.
Jenny fechou um dos olhos e passou a maquiagem nos clios j longos, a boca aberta
por reflexo. A mo estava bem em cima da lata de Altoids com os elsticos de cabelo,
lata que  merda  estava cheia de novo. Ento ela deve ter percebido que Callie atirou
os elsticos pelo quarto todo?
Callie de repente comeou a se sentir m, e no s por causa dos elsticos. Jenny
parecia to inocente e vulnervel que Callie comeou a se arrepender de ir jantar com
Easy e o pai dele na noite passada. Quem sabe no foi o movimento mais inteligente
para todos os envolvidos? Sua lngua parecia pesada e ela perguntou se devia contar a
Jenny sobre isso enquanto elas ainda estavam sendo francas sobre todas as coisas de
Easy.
Mas no podia. Ela dissera a Easy que no faria e, embora se sentisse m, Callie meio
que gostava de ter um segredo especial com ele.
- Acho que vou subir no terrao e tomar um ar fresco.  O quarto parecia abafado e
Callie precisava se afastar de Jenny, cuja doura s a afazia se sentir cada vez mais
culpada.  A gente, er, se v l embaixo.
Callie abriu a porta e o som de Red Hot Chill Peppers vagou pela escada.
Pelo menos algum estava se divertindo.
18
UMA WAVERLY OWL SABE QUE TODA PORTA TEM UMA CHAVE.
As 7h35 em ponto, cinco minutos antes da hora de fechar, todos os meninos se reuniam
no vestirio do ginsio Lasell. E esperaram.
-- No sei se devo fazer isso -- disse Lon Baruzza enquanto trancava a porta da frente
do ginsio e apagava as ltimas luzes do teto. -- Mas sinto falta de todas aquelas gatas.
-- Ele tilintou as chaves e sorriu. -- Ainda bem que me fazem trancar isso aqui toda
merda de sbado  noite.
Brandon sorriu, sentindo-se muito mais ousado do que costumava se permitir. Ele
estava nas quadras de squash esta tarde, praticando sua backhand, quando Lon Baruzza
chegou com uma pilha de toalhas limpas para o vestirio masculino. Brandon o via
trabalhando em toda parte -- no salo de jantar, na biblioteca, no Maxwell -- fazendo
todo tipo de tarefas estranhas para seu programa de bolsa de estudos. Brandon sempre o
admirou por isso -- no havia muitos garotos assim na Waverly, incluindo ele mesmo,
que sabiam o que era ter de trabalhar para conseguir uma educao de primeira linha.
Mas, desta vez, Brandon o admirava por um motivo diferente: o enorme jogo de chaves
que pendia do cinto daquele jeans escuro Abercrombie & Fitch.
-- No tenho nenhuma chave mestra nem nada assim to legal -- admitiu Lon quando
Brandon perguntou a ele. -- Mas tem um monte de chaves velhas por aqui que abrem
um monte de portas estranhas. E sim, uma delas abre a porta de acesso do Lasell para os
tneis. -- Ele deu de ombros.
-- Como  que voc guardou um segredo desses? -- Brandon enxugou uma gota de
suor que escorria pela testa.
-- Bom.--Lon sorriu, orgulhoso.--No  bem um segredo... Algumas meninas tambm
sabem disso. -- Lon era notoriamente um mulherengo, embora no fosse um dos caras
que falasse muito do assunto. Nem mandava aos colegas de alojamento listas por e-mail
de todas as meninas com quem tinha ficado. Em outras palavras, ele no era Heath
Ferro.
-- Voc sabe at onde eles vo?
-- Ainda no explorei. Mas eles tm placas nas paredes... Ao que parece, vo dar em
todos os prdios principais.
-- Inclusive os alojamentos?
Lon assentiu.
-- Inclusive os alojamentos.
Bingo.
Brandon comunicou ao grupo de exploradores por e-mail, embora no soubesse bem o
que quis dizer com "venham preparados". Lanternas e roupas escuras, talvez. Mas ento
Walsh apareceu usando um capacete amarelo com uma lanterna gigantesca na frente.
-- Espeleologia. -- Easy deu de ombros e o colocou na cabea. Ele parecia um
minerador. Se as meninas estivessem aqui, todas se jogariam para cima dele para dizer
que ele estava lindo. Como era criativo e artstico que ele estivesse usando uma porra de
capacete de espekologia. Brandon s achou que ele parecia um idiota.
Alan St. Girard pegou uma corda grossa na bolsa e passou pela cintura.
-- Pra que essa porra? -- perguntou Ryan Reynolds, coando o piercing no nariz e
parecendo meio constrangido com a lanterninha minscula que tinha trazido.
-- Para o caso de precisar puxar para fora.
-- Caraca. -- Heath Ferro ergueu a mo. -- Ningum precisa ouvir sobre puxar para
fora. Eca.
-- No so cavernas, sabia? -- Brandon vestia um suter Armani preto com gola em V
por cima da camiseta Bem Sherman cinza desbotada. Olhou para Julian, que tinha
pendurado o que parecia um binculo no pescoo. -- Binculo?
-- culos de viso noturna -- corrigiu Julian. Seu cabelo, normalmente voando para
todo lado, espetava para fora do gorro de l preta. Ele parecia mesmo um Kurt Cobain
alto -- talvez fosse uma coisa de Seattle.
-- Deixa eu ver. -- Heath Ferro estendeu a mo para os culos, mas Julian, uns 15
centmetros mais alto, tirou-os do pescoo e ergueu.
-- No confio em voc com brinquedos caros.
-- Onde comprou estes? -- perguntou Brandon, curioso. Esse Julian era um enigma.
-- Minha me. -- Ele os colocou nos olhos e fingiu focalizar em Brandon. -- Ela era
da CIA.
--  mesmo!? -- Ryan Reynolds pulou de empolgao. Todo mundo sabia que seu
programa preferido em Alias.
-- No. --Julian sorriu.
-- Idiota -- murmurou Ryan.
Brandon batia com impacincia o tnis de boliche preto Camper no piso de linleo.
-- Esto prontos? As meninas esto esperando.
Lon os conduziu ao poro do antigo prdio de ginstica, onde os tetos eram baixos e era
guardado todo tipo de equipamento ultrapassado. Ele parou de repente na frente de uma
porta que parecia inofensiva, bem ao lado da sala suja do treinador de futebol
americano. Ele mexeu nas chaves habilidosamente antes de deslizar uma pela fechadura
e girar de um lado a outro. Todos prenderam a respirao. Algum cantarolou "Tan tan
tan TAAAM!"
A porta se abriu facilmente.
-- Lon, eu te amo. Vamos nessa! -- Heath bateu palmas e pegou a lanterna no bolso.
Apontou para as paredes, iluminando uma placa com vrios nomes. Ele parou em
Dumbarton. -- Senhoras, l vamos ns.
Easy acendeu a lanterna de espeleologia e Brandon odiou ter que admitir que era
incrivelmente til para iluminar o caminho. Ainda assim, o tnel era muito mais largo e
mais navegvel, e menos Edgar-Alan-Poesco do que Brandon esperava.
-- Por aqui -- apontou Julian, a outra mo segurando os culos de viso noturna nos
olhos. Mas onde  que se consegue uma coisa dessas? Brandon comeou a pensar que
talvez a me de Julian fosse mesmo da CIA.
-- Que demais! -- exclamou Alan quando eles chegaram  primeira virada que levava 
biblioteca. -- Por que algum tem que aturar toda a porra da neve do inverno se pode
ficar aquecido aqui embaixo?
-- Talvez seja esse o problema. -- A lanterna de Brandon passou por uma coisa escrita
nas paredes -- Madson Ollver chupa bem, Eu Fiz o Johnson, Taylor ama Mkhael para
sempre, O mundo  de Duran Duran. Imagina-se que os Waverly Owls nunca fossem
terrivelmente criativos com as pichaes. Brandon parou a lanterna em uma delas:
Marymount tem pau pequeno. Ele cutucou Heath nas costelas. -- Parece que vocs
deviam ser amigos.
Heath fechou a carranca, ainda irritado com a msica improvisada de vingana de Jenny
sobre suas partes corporais no jogo do ms passado.
Ele pegou a corda da mo de Alan e a girou na frente como um lao.
-- No pode acreditar em tudo o que ouve, cabea de piroca. Voc provavelmente
estar ocupado demais tentando baixar as calcinhas de Callie hoje  noite, mas eu serei a
porra da belle do baile. De novo.
 meno do nome de Callie, Brandon no sentiu nada -- uma coisa que, em si, era
monumental. Seu corao no bateu mais rpido, ele no comeou a imagin-la com o
biquini Shoshanna branco com aquelas cerejinhas minsculas, no comeou a se
perguntar que cara podia estar babando por ela neste momento. Era tremendamente
incrvel.
E apavorante. Porque era Tinsley que ele imaginava naquele biquini.
-- Ah, t, que seja. -- Brandon tentou clarear os pensamentos, mas de repente eles
estavam cheios de imagens de Tinsley. Ele andara pensando muito nela desde o jantar
da noite passada, mas at agora conseguira se convencer de que s ficou chocado ao v-
la se comportando como um ser humano normal, apesar de um ser humano que paquera
ridiculamente. Mas agora que eles estavam se aproximando do Dumbarton, ele percebeu
que estava meio excitado por rever a Tinsley. Talvez ele estivesse errado sobre ela.
Talvez ela no fosse m, s... hummmm... incompreendida?
-- Bebezo! Ainda no esqueceu essa garota? -- Heath vibrou, incapaz de deixar passar
a histria da Callie. Ele provavelmente nem queria que Brandon esquecesse, porque
ento teria de encontrar material novo.
-- Larga do p dele -- disse Easy por sobre o ombro enquanto seguia na frente com
Julian. -- No  culpa dele. A Callie  uma tima garota. Ela causa uma impresso
permanente em qualquer um.
Coletivamente, os meninos escancararam a boca. Ela causa uma impresso permanente
em qualquer um? Tipo assim, Easy? Brandon no conseguiu deixar de se irritar com
Easy, no s pelo pseudo-apoio que lhe deu -- no, obrigado, cara -- mas por ficar
sentimental sobre Callie. Talvez fosse s o cime paranico de Brandon voltando, mas
parecia que Easy ainda gostava dela.
O que irritou tremendamente Brandon. Primeiro Easy magoou Callie -- agora ia fazer o
mesmo com a coitada da doce Jenny? Jenny, que era inacreditvel -- que era quase
perfeita de todo jeito, a no ser pelo mau gosto para os homens. Deve-se admitir que a
imagem dela quase explodindo as costuras daquele suti de biquini tambm fazia parte
dos devaneios de Brandon.
-- Pera pera pera pera pera pera pera um minutinho, caubi -- Heath passou
para a frente de Easy e colocou a mo no peito dele. -- Voc no devia estar com a
Srta. Peituda agora? No  verdade que ela  que devia causar impresses em voc? --
Ele fez um gesto lascivo de apertar o peito no corpo de Easy.
-- Cai fora, babaca. -- Easy afastou a mo de Heath com um tapa. Os dois se
encararam.
Mas felizmente, antes que pudesse haver maches se empurrando e gritando, veio um
baque alto de cima.
-- Galera -- gritou Julian para trs. --  aqui. -- De imediato todos se reuniram em
volta dele, as lanternas focalizadas numa pequena maaneta. Acima dela, numa escrita
inconfundvel, estava a palavra Dumbarton. Julian girou a maaneta e empurrou.
Nada aconteceu.
Ele girou e empurrou novamente; desta vez Heath tambm jogou o corpo na porta. Ela
se abriu de repente, fazendo com que os dois cambaleassem porta afora, chutando um
balde e um esfrego.
Julian olhou o teto e todos fizeram silncio enquanto ouviam o som de "Like a Prayer"
vindo de algum lugar no alto.
-- Santa me do cu. -- Ele se levantou e se endireitou. -- Chegamos.
Heath Ferro ergueu a bssola.
-- Preciso me orientar -- disse ele, farejando o ar. -- A cerveja est... por aqui! -- Ele
apontou para a porta do armrio de depsito -- a nica porta ali.
-- Bom trabalho, Nancy Drew. -- Brandon revirou os olhos.--Vamos.
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
Para: BrettMesserschmidt@waverly.edu
De: YvonneStidder@waverly.edu
Data: Sbado, 5 de outubro, 20H00
Assunto: Agito
Foi um porre ficar engaiolada hoje o dia todo, e estou MUITO feliz por ns estarmos
formando um vnculo dessa maneira, como deve ser, e  totalmente injusto que sejamos
castigadas por isso. Uma Waverly Owl trabalha com afinco para estabelecer e preservar
amizades com as colegas. Quer dizer, existem escolas que nunca permitem meninos
porque elas valorizam demais a ligao feminina e aqui estamos ns, s tentando ficar
com nossas garotas e fomos, tipo assim, presas por isso! Mas como eu disse, estou feliz
por passarmos esse tempo juntas. Mal posso esperar pela noite!
Com amor a minhas irms,
Yvonne
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
BennyCunningham: At que enfim os meninos chegaram! Cad vc, garota?
CallieVernon: No terrao, fumando um cigarro natural... Esto todos a?
BennyCunningham: Quer dizer, EZ?
CallieVernon: No foi o que quis dizer. Mas ele est?
BennyCunnnigham: T. E t muiiiiiito lindo.
CallieVernon: timo.
BennyCunningham: Se no trouxer sua bunda pra c em trs minutos, vou arrastar vc
pra baixo!
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
VerenaArneval: Chica, kd vc?
JennyHumphrey: S mandando um email pro meu pai... vou descer logo.
VerenaArneval: Seu pai no espera que vc escreva quando tem uma festa esquentando.
JennyHumphrey: Sei que ele vai ficar feliz que eu passe a noite toda no meu quarto.
VerenaArneval: No quando tem um certo caubi alto, moreno e lindo procurando por
voc...
JennyHumphrey: Convencida! Vou descerem dois minutos.
VerenaArneval: Rpido, ou eu mesma caio em cima dele!
19
UMA WAVERLY OWL SABE COMO LEVAR UMA CRTICA
CONSTRUTIVA.
Numa atitude bem intencionada mas provavelmente no de todo convincente, as
meninas do Dumbarton decidiram espalhar os livros didticos e os cadernos pela sala de
estar do primeiro andar para o caso de Anglica Pardee ou outra autoridade aparecer
para olhar. De certa maneira, era mais excitante para os meninos ver o alojamento das
meninas como se pudesse ser um dia de aula, e no todo produzido para festa. Fez com
que parecesse mais ntimo. Easy podia imaginar Jenny deitada no sof, fazendo o dever
de lgebra, os tnis cor-de-rosa pendurados na beira.
Mas enxotando essa imagem de sua mente havia uma de Callie, sentada naquela cadeira
perto da janela, encarando o exemplar da Vogue que ela enfiava em meio s pginas do
livro de histria.
Qual era o problema dele? Por que no conseguia situar direito seus sentimentos pelas
duas meninas? No era justo com ningum ficar pensando desse jeito nas duas, mas ele
no conseguia evitar. Era como escolher entre Mandy Moore e Lindsay Lohan -- ele
pensava que tinha tomado uma deciso. Era Mandy, sem dvida -- se ao menos ele
parasse de pensar em Lindsay.
-- Vocs demoraram pra caramba. -- Alison Quentin estava parada na soleira da porta
da sala, as mos nos quadris, usando um top simples e branco com cala preta-justa e
chapu de palha vermelhos. Parecia uma Audrey Hepburn asitica.
Easy olhou o colega de quarto Alan, que tinha uma queda enorme por ela.
-- Sentiu nossa falta, meu amor? -- Alan St. Girard pegou Alison pela cintura e a
girou. Ela riu, mas no se afastou, e os dois danaram escada abaixo.
-- A cerveja est por aqui -- gritou ela por sobre o ombro.
Easy localizou uma caixa de pizza aberta na mesa de centro e pegou uma fatia. Algumas
meninas que ele no reconheceu estavam jogando Twister num canto, e ele ficou meio
impressionado. Na maioria das vezes, o Twister era s uma desculpa para tatear
membros do sexo oposto. Que bom para elas.
Mastigando sua fatia de pizza fria de cogumelo e azeitona, ele foi at a escada. Embora
os meninos fossem proibidos de entrar no alojamento feminino, a no ser nas reas de
uso comum, pelo breve perodo entre a prtica de esportes e o jantar, Easy conhecia o
caminho para o quarto 303 de olhos fechados.
Ele parou na porta, sem ter certeza de quem ia encontrar l dentro. E sem ter certeza do
que queria encontrar. Ele bateu gentilmente e empurrou a porta.
Tocava "Kind of Blue", de Miles Davis, e Jenny estava sentada  mesa, digitando no
laptop. Ele a olhou por um momento e ouviu o som de chaves tilintando. Ela estava to
linda, os cachos castanhos escuros caindo pelas costas.
Ele tentou se esgueirar e surpreend-la, mas o piso estalou sob seus All Star de cano alto
e Jenny girou para ver.
-- Voc est aqui! -- gritou ela, a carinha abrindo-se em um sorriso enorme. -- Por
que no disse nada? -- Ela rapidamente saiu da cadeira e foi at ele, totalmente gata
com o vestido sem alas marrom escuro que combinava com seus olhos e parecia uma
coisa que se atirava por cima de um biquini. E ela estava descala. Hummm...
Sem dizer nada, Easy passou a mo pelo pescoo dela e se inclinou para beij-la. Seu
corao martelava tanto que ele pensou que talvez ela fosse ouvir, e de repente ele
percebeu que era mesmo Jenny que ele queria ver. E beijar. Os ombros pequenos e
redondos de Jenny eram praticamente comestveis.
-- Caraca -- sussurrou Jenny delicadamente depois que eles se afastaram. -- O que fiz
para merecer isso?
Easy se jogou na cama e a fitou nos grandes olhos castanhos que o lembravam dos
brownies com cobertura que a me dele sempre fazia para seu aniversrio ou sempre
que ele estava doente. Jenny dava a impresso de que esteve correndo descala pela
praia, talvez atirando um Frisbee para Easy, um Labrador preto gigantesco correndo
com eles nas ondas. Talvez parte do problema fosse que ele sempre tinha essas fantasias
-- se ele pudesse se prender ao momento, talvez conseguisse entender o que queria.
-- S por ser voc. -- Easy dobrou o travesseiro dela pela metade e o colocou sob a
cabea, desfrutando o cheiro de laranja da coisa que ela e Brett punham no cabelo.
-- Voc est de bom humor. -- Jenny quicou na cama ao lado dele.
-- , bom... Deu uma adrenalina danada entrar escondido aqui. -- Para no falar em ver
voc, pensou Easy.
Os olhos dela se arregalaram.
-- Voc no, tipo assim, caiu de pra-quedas nem nada disso, n? Foi?
-- No. -- Easy afagou o brao nu de Jenny, os pelinhos louros quase invisveis. --
Tem uns tneis. Debaixo do campus.
-- Tipo... de esgoto? -- perguntou Jenny, afastando-se dele como se ele fedesse. O que
certamente no era verdade.
-- No, bobalhona. -- Easy pegou o brao dela e comeou a plantar beijos em seu
pulso, seguindo para o cotovelo. -- Construram tneis nos velhos tempos, quando os
alunos eram frescos demais para sair na neve. --Jenny tinha braos lindos -- eram
pequenos, porque ela era pequena, mas no eram esquelticos nem desnutridos como os
de Callie.
--  mesmo? Tipo os tneis do metr. -- Jenny estremeceu um pouco -- ou do toque
de Easy, ou por sentir frio. -- Voc viu algum rato? -- Ou de pensar em ratos.
-- Nada de ratos. -- S alguns babacas, pensou ele, lembrando-se de que quase deu um
murro em Heath. Easy normalmente era um completo pacifista, mas Heath, com todas
as insinuaes sobre Callie, tinha sido mais desagradvel do que de costume.
Ou talvez fosse porque... No, no pode ser.
Jenny olhou para Easy com um sorriso tmido, os dentes brancos de prola aparecendo
um pouco por trs dos lbios de rubi.
--  bom que voc esteja aqui... Passei tipo cinco horas terminando aquele problema
irritante de lgebra. Se eu tiver de fatorar mais um trinmio, vou acabar matando
algum.
Hummm, dever de casa. Tudo bem. Easy fechou os olhos.
-- E, bom, eu passei o dia todo evitando a merda irritante do trabalho de histria que o
Wilde me passou ontem. -- Na sexta de manh, o Sr. Wilde lhe mandou um e-mail
comunicando sua nota nada estrelar na prova de quinta-feira.
Na verdade, ele tinha tomado bomba, como previsto. Mas como o Sr. Wilde era um
daqueles professores do tipo que defende os alunos, ele props a Easy fazer um trabalho
por escrito para compensar no fim de semana. Ele devia escrever uma entrevista fictcia
de cinco pginas entre um reprter de jornal e o general George Washington sobre por
que ele daria um excelente presidente para o novo pas. Era legal da parte de Wilde dar
a ele uma segunda chance e tudo, mas ele tinha de fazer um trabalho to brega? Isso era
ainda pior do que os trabalhos chatos que j fazia.
Ele passou a mo nos olhos e pensou em todas as horas que tinha perdido jogando Xbox
com Alan -- tipo assim, quatro. E ontem ele ficou acordado at tarde, trabalhando numa
srie de caricaturas que esperava incluir num grande projeto de seu curso de retrato, o
que s aconteceria no final do semestre. Havia um bilho de outras coisas que ele
poderia -- deveria -- ter feito.
-- Para quando ? -- perguntou Jenny toda solidria, tocando um dos cachos perto da
orelha esquerda de Easy.
-- Segunda.
-- Por que ele te deu to pouco tempo? -- Os olhos de Jenny se arregalaram. -- Ele
no sabe que voc tem dever de outras matrias?
-- Bom... -- comeou Easy. --  meio que uma compensao... Eu meio que me ferrei
na prova de quinta-feira.
-- Ah, no. --Jenny pareceu mais aborrecida do que se ela tivesse se ferrado na prova,
o que era meio doce. -- Que saco.
-- Deixa pra l. Vou rabiscar uma porcaria qualquer amanh  noite. No quero pensar
nisso.
Jenny mordeu o lbio, parecendo preocupada.
-- Voc no devia ter vindo aqui hoje, sabe disso. A gente podia se ver outra hora.
Easy ficou meio magoado.
-- No queria que eu viesse?
-- No! --Jenny colocou a mozinha no peito de Easy.
Ele quase podia sentir o calor atravs do logo Chicago Cubs que se soltava do tecido.
Ele se perguntou se ela gostava de jogos de beisebol -- se ela dividiria um cachorro-
quente com ele e no se estressaria com as calorias do sanduche. -- No foi o que eu
quis dizer. Eu s... sabe como . -- Ela deu de ombros. -- Voc ainda est sob
condicional desde o comeo do ano e tudo isso. No quero que se meta em mais
encrenca.
Easy tentou sorrir, mas sentiu os pelinhos da nuca se arrepiarem. Embora Jenny no
estivesse dizendo nada que no fosse verdade ou em que ele ja no tivesse pensado, era
meio... irritante. Como se o pai dele tivesse arregimentado a namorada para continuar
sua boa obra, como se ele tivesse pedido a Jenny para ficar de olho nele. O que, embora
fosse bem-intencionado, deixava-o sufocado.
Ela no queria que ele se metesse em mais encrenca. O que era legal. Mas ser que ela
jamais corria riscos? E se um diaEasy quisesse, digamos, fazer skydiving? Era uma
coisa que ele sempre sonhou em fazer -- voar pelo ar! Ser que Jenny tentaria dissuadi-
lo ou prenderia o pra-quedas e pularia do avio segurando a mo dele? Ele no
conseguiu deixar de se perguntar se Callie toparia isso. Ela era uma patricinha e tudo, e
provavelmente se preocuparia com o cabelo a 15 mil ps de altitude, mas Callie tinha
um temperamento meio doido (e um tanto autodestrutivo).
-- Eu agradeo por isso... -- Mas... como dizer de forma gentil? -- Sabe, no jantar com
meu pai -- e Callie, ele teve o cuidado de NO acrescentar --, ele adorou falar de
todas as coisas que eu fao de errado. Ento, eu meio que no quero mais pensar nisso.
Jenny mordeu o lbio.
-- Ele d uma dura em voc mesmo, n?
Easy se sentiu derreter.
-- Bom, no  que ele bata em mim nem nada disso. -- Sua boca se torceu num sorriso.
-- Ento, podia ser pior. Mas vamos falar de alguma coisa interessante.
-- Tudo bem. -- Jenny sorriu e Easy percebeu que nem sabia se ela um dia usou
aparelho. Ou se teve algum bicho de estimao. Ou amigos imaginrios. Ele queria que
houvesse uma maneira de parar as coisas -- de fazer tudo no mundo parar de se mexer,
exceto os dois, que ficariam deitados juntos. E conversando, ou no. Tanto fazia. Eles
s precisavam se conhecer um pouco melhor. -- E a, como foi que vocs entraram nos
tneis? Se as pessoas no os usam mais, eles no esto, tipo assim, bloqueados?
-- No sei se tenho permisso para revelar nossos segredos. -- Ele coou o queixo
como se estivesse num conflito profundo sobre contar mais alguma coisa a ela. -- Mas
talvez eu possa ser subornado.
-- Subornado? -- Jenny franziu o nariz, fazendo as sardas danarem. -- Receio no ter
dinheiro nenhum.
-- Isso no  problema. -- Easy se sentou e se apoiou no cotovelo, olhando para ela. --
Existem outras maneiras. -- Como sempre, ele estava pensando demais. Talvez ele
fosse esquizofrnico ou coisa assim. Ele tentava ignorar a sensao de inquietao no
estmago e s curtir o momento. Ele estava aqui, com Jenny, cujo cabelo caa no rosto
enquanto ela se inclinava para tocar os lbios nos dele. Ele no estava mais com vontade
de conversar.
Ela se afastou meio rpido demais depois do beijo, quase como se soubesse que havia
alguma coisa errada.
-- Por que eu no deso e pego uma bebida pra gente? -- Ela se levantou, ajeitando a
bainha do vestido e calando chinelos vermelhos.
-- Hummm, t.--Easy se deitou de novo no travesseiro e deu um sorriso amarelo. --
Parece bom.
-- Tudo bem. -- Ela olhou para ele inquisitiva e por um momento ele queria pux-la e
contar a ela sobre o jantar da noite anterior, fazer com que ela soubesse de cada
pensamento doido que passava por sua cabea, saber que ela o deixava  vontade. Mas
ele nem sabia se conseguiria verbaliz-los. Nem tinha certeza dos prprios sentimentos;
como poderia falar sobre isso com ela? E ento ele se limitou a sorrir, e Jenny sorriu e
saiu do quarto, e ele fechou os olhos e se perguntou se o travesseiro de Callie ainda
tinha o cheiro de que ele se lembrava.
20
UMA WAVERLY OWL SABE QUE O TEMPO NO CURA TODAS AS
FERIDAS.
Jenny comeou a descer a ampla escada de mrmore at o quarto de Kara no primeiro
andar, os chinelos vermelhos J. Crew batendo alto na sola dos ps. Estava se sentindo
meio tonta do que acabara de acontecer com Easy--no que ela tivesse alguma ideia do
que tinha acontecido. Mas pela primeira vez desde que o conhecera, alguma coisa
parecia estar estranha. No comeo estava normal, mas ento, de repente, era como se de
algum modo eles no estivessem falando a mesma lngua ou como se tudo o que ela
tentasse dizer acabasse saindo errado. Isso a deixou nervosa.
Ela ficou aliviada por sair do quarto. Talvez s precisasse de uma cerveja. Jenny no
gostava exatamente de cerveja -- e algum gosta? -- mas um copo sempre a ajudava a
se sentir menos estranha. E neste exato momento, ela positivamente ansiava por um.
No primeiro andar, a msica tocava num volume razovel, que no atrairia a ateno de
nenhum professor ou outra pessoa de autoridade que por acaso passasse por ali. No era
como a notria festa no terrao. Ao que parece, uma Waverly Owl responsvel aprende
com seus erros. Mais ou menos. Ela passou pela porta fechada de Brett e ouviu algum
tocando uma msica suave. Pelo menos algum estava se aninhando numa boa!
Assim que Jenny se aproximou da porta de Kara, uma menina passou pelo corredor e
Jenny tinha certeza de que nunca a vira antes. O cabelo louro escuro e curto estava
puxado num rabo-de-cavalo, revelando as razes pretas -- um visual mais apropriado
para as caladas em volta da Union Square do que  Waverly Academy. Ela tambm
parecia mais velha, vestida numa saia longa e escura e um casaco de couro justo --
Epa! Seria uma professora nova? Uma espcie de estudante de mestrado que
Marymount contratara para se infiltrar no alojamento? Jenny ouviu uma onda de
atividade e um surto de portas batendo --claramente as outras tambm tinham visto a
estranha. Kara veio correndo pelo canto, os olhos faiscando.
-- Rpido, aqui. -- Ela empurrou Jenny para seu quarto e bateu a porta.
-- Quem era? -- perguntou Kara, parecendo gostar da excitao. Ela trocara a roupa
para uma blusa de seda branca romntica, com cintura imprio e uma gola quadrada
com debrum de renda que conseguira empurrar os peitos para cima e deix-la parecida
com uma herona de Shakespeare. As mangas onduladas eram compridas e
transparentes e Kara combinou a blusa com uma cala preta apertada e moderna que
envolvia suas coxas e se abria na panturrilha. Os Doe Martens gastos espiavam por
baixo da bainha. Ela ainda estava bonita, mas de um jeito muito mais confortvel do que
no vestido laranja apertado. Esta roupa tinha mais a ver com ela.
-- No fao ideia. -- Jenny se encostou na estante de Kara, que tinha pilhas de livros na
vertical e na horizontal, a nica parte desarrumada do quarto imaculado. -- Ela parece
nova demais para ser professora.
-- Mas por que algum andaria no alojamento das meninas? -- Kara se perguntou
enquanto se abaixava e enchia dois copos de plstico com a cerveja do barril debaixo da
cama. -- Talvez ela seja de um alojamento diferente.
Jenny sorriu e passou os olhos nos livros. Era bom ver tantos -- a maioria das meninas
usava as estantes como prateleira de sapatos. Lembrou a ela das horas que passava na
livraria Strand, no Greenwich Village, tombando a cabea para ler os ttulos nas
milhares de prateleiras de livros at que o pescoo doa. Ela reconheceu as lombadas de
alguns de seus preferidos --Adeus, Columbus, de Philip Roth, Matadouro 5, de Kurt
Vonnegut, Orgulho e preconceito, antes de perceber duas prateleiras inteiras de
lombadas finas e coloridas com letras pequenas. Ela puxou um pouco um dos livros e
viu que era um exemplar em bom estado de uma histria em quadrinhos dos X-Men, de
1968.
-- Ai, meu Deus... So todos quadrinhos?
-- , eu tenho meio que uma obsesso... -- Kara ficou rubra. -- Sei que  coisa de nerd
total... Eu sou como o cara tarado em quadrinhos dos Simpsons.
-- No! -- Jenny protestou, pegando um exemplar de Ghost World, sua graphic novel
preferida de todos os tempos. Ela adorava a arte ininterrupta se combinando com
perfeio com as palavras. -- Nem acredito que tem essa aqui!
Houve um arrastar no armrio antes de a porta de repente se abrir e Heath Ferro, com
um cachecol de chiffon preto enrolado na testa como uma bandana, saiu, segurando uma
caneca vazia da Waverly e cheirando a cerveja. O cabelo louro desgrenhado precisava
desesperadamente de um pente e ele parecia meio tonto, como se tivesse acabado de
acordar.
-- Vocs duas estavam falando de quadrinhos?
-- Esse  o meu cachecol? -- Kara pulou na direo dele, mas Heath se afastou
rapidamente. Ele se agachou na frente da estante e pegou uns vinte gibis.
-- Mas que merda. Voc tem os X-Mens originais?--Ele fitou as meninas, os olhos
verdes acesos como se ele tivesse acabado de descobrir o veio principal de uma mina.
-- No acredito que gosta de quadrinhos!
-- Porque sou mulher? -- Kara colocou a mo no quadril e empinou o peito numa
atitude de desafio. Jenny deu um passo para trs. Kara podia ser meio apavorante
quando estava irritada.
-- Porque  uma mulher bonita! -- Heath se levantou e estendeu a mo direita com
maneiras estranhamente educadas.
Jenny se lembrou de que, quando conheceu Heath, ele foi incapaz de desviar os olhos de
seus peitos. E aqui estava ele, tentando ser um cavalheiro? Isso no tinha precedentes.
-- Ns no fomos devidamente apresentados.
Kara olhou a mo dele como se ele tivesse dito que tinha gripe aviria.
-- Embora esteja usando meu cachecol na sua cabea e estivesse escondido no meu
armrio. Que engraado.
Heath no se dissuadiu. Na realidade, parecia que a atitude de Kara o deixou ainda mais
excitado. Ele colocou o brao direito no alto da estante como se este fosse seu plano o
tempo todo.
-- Meu nome  Heath.
O olhar de Kara podia cortar vidro.
-- Sei quem voc .
Heath continuou desatento enquanto fingia se espreguiar e coar a barriga, para que
pudesse levantar a camiseta e mostrar o abdmen definido.
-- Olha, todas as garotas novas sempre conseguem me achar. Sou mesmo um dos
poucos caras que vale a pena conhecer na Waverly, quer dizer, se voc gosta de homens
de verdade.
Kara ficou em silncio e Jenny podia sentir que alguma coisa estava errada, embora no
fizesse idia do que poderia ser. Havia alguma coisa estranha acontecendo entre Kara e
Heath -- a tenso entre eles era eltrica e parecia que Kara queria mat-lo. Ou isso, ou
beijar o cara. Embora Heath pudesse ser meio nojento, ele no foi verdadeiramente
ofensivo. E ele era definitivamente lindo. Mas Kara meio que parecia um vulco prestes
a entrar em erupo.
-- Voc ainda no deve ter visto muita coisa do campus. Pelo menos, no os tneis. --
Ele ergueu as sobrancelhas de um jeito provocador para Kara, j tendo se esquecido de
que Jenny estava no quarto. -- Podemos fazer espeleologia.
-- Voc  inacreditvel. -- Kara sacudiu a cabea, os lbios cheios tremendo um
pouco. Jenny avanou um passo, perguntando-se se devia dizer a Heath para sair dali
antes que Kara perdesse a cabea. Era claro que ela estava tendo uma reao alrgica a
ele. -- Voc no me reconheceu, no  mesmo? Heath ficou completamente
desconcertado.
-- Se eu a reconheci? -- Ele fechou o gibi dos X-Men que ainda segurava, colocou-o
na estante e bateu nos bolsos de seu jeans 7 For Ali Mankind, como se a essa altura o
mao de Gameis o pudesse ajudar. -- Ns j no... er... ficamos, no ? -- Jenny podia
ver que todos os "momentos ntimos" dele com as meninas foram igualmente
inexpressivos.
-- No nesta encarnao -- rebateu Kara. Seu rosto estava vermelho e ela claramente
era uma daquelas pessoas que ficavam mais bonitas com raiva. Ela respirou fundo e
endireitou melhor os ombros. -- Eu estava em seu seminrio de ingls com a Srta.
Dubinsky no ano passado. Sentada do seu lado? -- A cara de Heath continuou
inexpressiva. -- Kara Whalen? Mas voc tinha um apelido para mim...
-- Quer dizer...--Heath cambaleou para trs e Jenny viu que ele ficou genuinamente
chocado, no estava s dando um dos showzinhos dele. -- Voc  a Whale? A Baleia?
-- Ele inchou as bochechas como um esquilo.
O queixo de Jenny caiu. O que aconteceu em seguida foi meio bonito e Jenny viu tudo
como se estivesse acontecendo em cmera lenta. Kara, os olhos enormes faiscando de
fria e talvez com certa satisfao, pegou a caneca marrom e branca da Waverly pela
metade de cerveja e, sem pensar duas vezes, atirou na linda cara de Heath. Foi parecido
com o que as mulheres fazem nos filmes ou nos livros, mas no na vida real. E se no
houvesse um Heath Ferro em choque e ensopado na frente dela, a camisa plo Lacoste
azul-real com o crocodilo rasgado pingando cerveja no cho de madeira perfeitamente
limpo, ela no teria acreditado.
Uma risadinha escapou dos lbios de Jenny -- ela no conseguiu reprimir.
-- Uma vez babaca, sempre babaca. -- Kara resplandecia para Heath. -- Tive de sair
da escola por causa de gente como voc. Voc conseguiu que todo mundo me chamasse
assim. Achou que era to esperto, to popular e to charmoso que no importava em
nada tornar a minha vida um inferno!
-- Isso no lhe d o direito de atirar a porra da cerveja em mim! -- Heath afastou a
camiseta do peito e fez um barulho de suco. -- Quer dizer... -- Ele parecia irritado,
mas seus olhos percorreram o corpo de Kara de alto a baixo, como se ele estivesse
tentando entender como podia ser a mesma pessoa que ele atormentara. -- Desculpe se
fui cruel com voc, est bem? Eu nem me lembrava disso.
-- Bom, eu me lembro. -- Kara deu de ombros um pouco e de repente no parecia mais
ter raiva. Parecia cansada e talvez meio constrangida. Olhou para Jenny, nervosa.
-- Tem toalhas de papel no banheiro, Heath. -- Jenny colocou as mos nos quadris e
assentiu para o corredor, como quem diz, V se d o fora daqui. A idia de Heath, ou
qualquer um, sendo to imbecil com uma pessoa to legal como Kara lhe dava arrepios.
Ela no entendia o que algumas pessoas conseguiam sendo cruis -- era por isso que
Tinsley era um mistrio para ela.
-- Vocs, meninas, so todas umas malucas, t sabendo? -- Heath tentou forar uma
risada enquanto abria a porta e ia para o corredor. -- Se quisesse que eu tirasse a
camiseta, era s pedir. -- Ele comeou a tir-la, mas Kara rapidamente bateu a porta
com o p.
Houve um momento de silncio.
-- Acha que sou maluca? -- perguntou Kara em voz baixa enquanto tirava a toalha de
banho do gancho atrs da porta e a jogava na poa de cerveja.
-- T brincando? -- Jenny pegou um leno de papel na caixa da mesa de Kara e passou
nos respingos de cerveja na parede. -- Desde que vim para c, tive vontade de fazer isso
com Heath. Estou com inveja. Mas, para ser franca, acho que isso deixou o cara meio
excitado.
-- Que nojo. -- O rosto de Kara se franziu de nojo, mas depois ela sorriu. -- Voc 
bem legal, sabia? -- Ela suspirou. -- Eu queria que estivesse por aqui... Antes.
Jenny no ia pression-la.
-- Bom, agora estou. -- Ser que Kara realmente teve que sair da escola porque todo
mundo foi to desagradvel com ela? De repente a experincia de Jenny de sair da
Constance Billard -- depois de uma srie de equvocos visveis -- parecia muito menos
dramtica. E, alm disso, ela meio que queria que tudo aquilo acontecesse.
-- Graas a Deus. -- Kara passou o polegar pelos livros na estante. -- Fiquei meio
escondida esse ano. Jamais quis que acontecesse uma cena como essa. Mas agora estou
meio feliz por ter acontecido.
-- Nunca vi o Heath ficar to sem graa, ento voc definitivamente marcou uns
pontos. -- Jenny olhou os prprios sapatos, lembrando-se de repente de Easy,
esperando por ela em seu quarto. Mas ela no queria voltar correndo -- era divertido
ficar com Kara.
-- Mas ele provavelmente vai andar por a sem camisa pelo resto da noite.
-- Acho que tudo tem um preo. -- Jenny tomou um longo gole de cerveja. -- 
verdade que todo mundo era cruel com voc?
-- Nem todos. -- Os olhos de Kara ficaram tristes. -- Algumas pessoas eram legais.
Mas a maioria s me ignorava. Deus nos livre de Waverly Owls que vistam mais que o
tamanho P.
-- Eu teria sido legal com voc -- disse Jenny, perguntando-se se isso era mesmo
verdade. Ela certamente no teria sido cruel -- mas pensou em seu primeiro dia na
Waverly, quando a nerd Yvonne Stidder mostrou o campus e tentou fazer com que ela
entrasse para a banda de jazz. A menina era bem legal, mas Jenny estava louca para se
afastar e conhecer a galera cool. E desde que fez amizade com Brett, Easy, Brandon e
todos os outros, ela no deu muita ateno a Yvonne: Eu sou uma cretina, pensou ela.
Sou igual a eles.
21
UMA WAVERLY OWL NO TEM MEDO DE ESQUELETOS -- VIVOS OU
NO -- NO ARMRIO.
-- E a, como  dividir um quarto com a garota que roubou seu namorado? --
perguntou Benny-Cunningham enquanto abria a porta do quarto 303 do Dumbarton. Ela
foi direto para a cmoda de Jenny e xeretou as coisas que estavam em cima. Abriu uma
caixa de porcelana no formato de borboleta e pegou sem nenhum interesse um brinco de
pingente de prata, depois tirou a tampa do frasco de Euphoria de Calvin Klein de Jenny
e borrifou o ar. Callie revirou os olhos e fechou a porta depois de entrar. Benny podia
ser meio abelhuda--ela adorava detalhes sobre os problemas dos outros, que ela ouvia
compassivamente antes de dar um conselho intil que ningum pediu. Callie passou um
tempo se divertindo sozinha no terrao, lamentando por si mesma e fumando cigarros
naturais do mao que mantinha na gaveta do pijama s para ocasies especiais. Ela
adorava o modo como formigavam seus lbios e a deixavam tonta, mas sua asma a
impedia de fum-los com muita frequncia. Mas ento Benny apareceu para se juntar a
ela, com um cigarro "especial" que Alan St. Girard enrolou para ela (cortesia da
plantao de "erva" dos pais dele em Vermont). Agora sua mente estava toda solta e
flutuante e ela podia sentir suas emoes crescendo e ameaando vazar por sua boca.
-- No  to ruim assim. -- Callie se deitou na cama e fechou os olhos, querendo que
todos no mundo desaparecessem. Que ela pudesse estar totalmente s, esparramada
numa praia tropical, o sol batendo em sua pele nua, com o som das ondas se quebrando
em seus ouvidos em vez das insinuaes de Benny Cunningham.
-- Ah, no? -- perguntou Benny cheia de inocncia, olhando sua imagem no espelho.
Vestia uma camiseta trmica floral Fresh com um colibri multicor no peito e uma
minissaia curta de brim branco, que pegou emprestada no armrio de alguma menina
mais velha no segundo andar. Seu cabelo castanho perfeitamente repartido estava
puxado em duas tranas baixas no estilo Heidi, e Callie sabia que ela queria ter o visual
da vizinha. -- Parece mesmo isso.
-- Me d um tempo, porra. -- Callie se apoiou nos cotovelos, gostando de como a
cintura de seus jeans justos no tocava a barriga. -- As pessoas no so roubadas. Este 
s um mito conveniente para que as pessoas no tenham de se culpar pelos problemas
em suas relaes.
Benny se virou para olhar a bunda no espelho e sorriu para o prprio reflexo.
-- Sem essa... Todo mundo viu que ela se atirou toda pra cima dele.
-- Isso no  verdade.
-- Claro que . Ela estava a fim dele desde o primeiro dia.
-- Eu pedi aos dois para paquerarem... Assim eu no me meteria em problemas. -- Essa
devia ser uma das coisas mais idiotas que ela fez na vida. Pior, s ter ficado com Heath
Ferro.
Duas vezes.
-- E da? Voc pediu para paquerar, e no para se apaixonar. -- Benny pegou o frasco
de batom DuWop e, sem perguntar, passou nos lbios cor de ameixa.
Callie sacudiu a cabea e percebeu que ela era sincera em cada palavra que dizia.
-- Voc no entende. Ningum pode ficar entre duas pessoas se o relacionamento delas
 slido. -- Ela esfregou as mos nos olhos. -- As coisas no estavam bem entre mim e
Easy.  s isso.
Benny no ficou impressionada.
-- Isso  tremendamente maduro de sua parte.
Ela suspirou. Tinha levado muito tempo para chegar a esse ponto. Por muito tempo ela
ficou furiosa com Jenny. Era fcil culpar os peitos empinados de Jenny ou sua
personalidade doce, mas agora parecia uma tolice. Se Easy ainda estivesse apaixonado
por Callie, ningum poderia separ-los. E essa era a coisa mais difcil de aceitar.
-- Que seja.  difcil. -- Ela sentiu a garganta se encher de lgrimas. -- Sinto falta
dele.
-- Ai, meu bem. -- Benny girou. -- Precisa de um abrao?
Callie se afastou dela e foi para a janela semi-aberta.
-- Numa outra hora. -- Benny estava realmente comeando a lhe dar nos nervos. Ela
precisava de umas amigas novas. -- Por que no desce? Vou para l daqui a pouco.
-- Precisa fazer mais exame da alma?
-- Vai se foder! -- Callie quase riu. Benny s vezes tinha dificuldade para levar as
coisas a srio, em especial depois de fumar. -- Tenho de trocar meus sapatos.
-- Vou guardar uma cerveja pra voc -- disse animada Benny, depois fechou a porta.
Callie franziu o cenho -- este era um daqueles dias. Falar de Easy -- pensar em Easy
-- no facilitava em nada as coisas. Ela queria esquec-lo, queria muito. Mas depois do
jantar na sexta-feira, depois do modo como Easy a olhara, ela no conseguia parar de
pensar que talvez sua segunda chance estivesse prxima, quem sabe? E depois a
mensagem instantnea dele -- fez com que ela sentisse que no estava imaginando
nada, que talvez Easy no tivesse exatamente decidido.
Ela no tinha certeza se queria v-lo ou no. Era tudo muito esquisito.
Mas ela sabia que seus ps a estavam matando e ningum podia ser feliz com calos. Ela
se levantou, cambaleou at o armrio e abriu a porta.
-- Aiiiieeee! -- gritou ela, pulando para trs quando uma luz foi lanada nela. Que
diabos era isso?
No cho do closet, agachado em cima de seu amontoado de sapatos e roupas que tinham
escorregado dos cabides e de sua bolsa de roupa suja, havia uma pessoa -- uma pessoa
com um capacete de plstico amarelo com uma lanterna ofuscante. Easy Walsh.
-- Easy! -- ela ofegou. -- Mas que porra voc est fazendo aqui? -- Sua mente
disparou de volta a todas as coisas que ela dissera a Benny. Agora era tarde para ficar
constrangida. Ainda assim, ela sentiu o rosto corar.
As orelhas dele se projetavam um pouco por baixo do capacete.
-- To escondido -- sussurrou ele. Todo agachado no cho daquele jeito, com o
capacete ridculo empoleirado na cabea, ele parecia um garotinho. Como um menino
de 5 anos que encontrou o melhor lugar num pique-esconde e esperava pacientemente
que algum o descobrisse.
No era a praia isolada que ela queria, mas de repente no havia lugar em que quisesse
estar alm do fundo de seu armrio bagunado, com Easy Walsh.
Ela tirou as sandlias de salto douradas e entrou, descala, no armrio, os joelhos
tremendo um pouco. Ela fechou a porta s costas, rindo. Easy empurrou umas roupas,
fazendo o mximo para abrir espao no cho. Callie se acomodou ao lado dele.
-- Voc  um pateta -- disse Callie enquanto Easy sacudia as mos e sua lanterna
projetava a sombra de um pssaro na porta fechada do armrio. Ela riu, um riso cheio e
fundo da boca do estmago. Tudo isso levou cinco segundos com Easy, e ela estava
mais feliz do que nunca.
Easy farejou o ar.
-- Aqui tem cheiro de naftalina.
Callie levou a mo aos olhos.
-- D para apagar essa luz? Est me cegando.
Easy mexeu no capacete por um minuto antes de eles de repente imergirem na
escurido. Ficou mais silencioso, como se de algum modo o escuro encobrisse tambm
qualquer outro barulho. Callie nem conseguia mais ouvir os sons da festa no primeiro
andar -- s o som da prpria respirao. E a de Easy.
-- Oi -- disse ele.
-- Oi -- sussurrou ela. Depois ela riu, e ele riu tambm.
Era tudo to absurdo. Callie sentiu a bainha de um vestido pinicar a testa, fazendo-a rir
ainda mais. Ela queria parar o tempo e ficar aqui no armrio com Easy para sempre, s
os dois, sem ningum mais para atrapalhar. Era perfeito do jeito que estava.
E depois eles estavam se beijando e ficou ainda mais perfeito.
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
BennyCunningham: Pra onde a festa foi?
RyanReynolds: Acho que entrou uma professora. Lon e eu estamos debaixo da cama de
alguma doida, esperando ser resgatados.
BennyCunningham: Mas que aconchegante... D pra tirar uma foto?
RyanReynolds: Talvez mais tarde, se quiser ficar com a gente.
BennyCunningham: Uma Waverly Owl responsvel jamais abandona seus
companheiros.
RyanReynolds: Aleluia.
22
AS WAVERLY OWLS LEVAM A HIGIENE EXTREMAMENTE A SRIO.
Quando espalharam que uma possvel professora tinha se infiltrado, Tinsley havia
acabado de se aproximar de Brandon e Julian para agradecer novamente pela noite
adorvel que tiveram. Era um presente do caramba sair para um jantar elegante quando
o resto das pobres mans do alojamento estavam presas na sala de estar, vendo reprises
de Friends. Ela sentia que tinha conseguido muitas coisas ao mesmo tempo: Marymount
ficou grato a ela por guardar silncio sobre toda a situao constrangedora da deteno,
ento agora ele estava ainda mais no bolso de Tinsley; ela teve uma oportunidade
maravilhosa de dar mole pra Julian--era meio divertido paquerar o velho e enfadonho
Brandon, que parecia se emocionar com isso tambm; e ela comeu o mais delicioso
creme brule de todo o estado de Nova York. Nada mal para uns planos de ltima hora.
Os dois meninos estavam no corredor do primeiro andar, encostados de cada lado da
porta do banheiro, cada um deles segurando uma caneca da Waverly, parecendo Corujas
muito conscienciosas. Eles ficavam uma gracinha juntos -- o compacto e retesado (e
tenso) Brandon, com seu cabelo de corte perfeito com gel, vestindo um suter Armani
sobre uma camisa, e o nodoso Julian, com uma espcie de gorro de esqui, o cabelo louro
descorado espetando por baixo como palha. Ele vestia uma camiseta Question Authority
por cima de um suter vermelho e cala social marrom escura, claramente de uma loja
de descontos. Eles eram meio como o Estranho Casal -- ou Starsky e Hutch, na verso
Ben Stiller-Owen Wilson.
Ela andou at eles pelo corredor, os saltos batendo no piso de mrmore encerado. Os
dois meninos a olharam. Desde que conseguia se lembrar, Brandon parecia desprez-la.
Agora ele estava com o mesmo olhar vidrado que ela costumava conseguir dos meninos
que estavam a fim dela. Embora fosse lisonjeiro, ela sabia que ele no fazia seu gnero.
Brandon era meio tenso demais e provavelmente teria um infarto induzido por estresse
aos 26 anos.
J o Julian... Tinsley sem dvida parecia estar fazendo progressos na tarefa de conseguir
que ele se apaixonasse por ela. E ela tambm estava curtindo. Talvez um pouco demais.
O telefone de Tinsley vibrou justamente quando ela acenava para os rapazes. Ela o abriu
e viu um texto de Heath que dizia, ALERTA DE PROFESSORA. Merda.
-- Algum est vindo...  melhor se esconderem. -- Tinsley andou o resto do corredor
e empurrou a porta do banheiro, e os dois meninos dispararam atrs dela para dentro.
-- Cara, obrigado por se preocupar conosco, Carmichael. -- Brandon claramente no
estava pronto para deixar toda a amargura de lado. Ela gostava de v-lo em conflito. As
coisas ficavam interessantes assim. Cham-la pelo sobrenome era uma tentativa patente
de tentar se convencer de que ele a via como um dos meninos: r. At parece.
Tinsley lhe soprou um beijo.
-- Pensei que gostaria de ver um desses lugares por dentro. -- Os banheiros do
Dumbarton eram surpreendentemente grandes e foram reformados alguns anos antes.
Eram um pouco mais modernos do que o restante do prdio, com trs reservados de
toalete feitos de carvalho escuro de bom gosto, uma parede longa com espelho, trs pias
e trs boxes de banho num canto.
--  to bonito aqui dentro -- observou Julian, os olhos percorrendo a prateleira de
cubculos no alto da pia, onde as meninas guardavam os artigos de banho. Ela no ia
dizer que em geral as coisas no eram to limpas assim -- mas como no tinham nada
melhor para fazer hoje, as meninas fizeram questo de arrumar seus cubculos, limpar as
crostas de pasta de dente, remover os absorventes de vista e arrumar os produtos faciais
em filas organizadas. -- Mas caraca. Tem um monte de merda pro rosto aqui. -- De um
cubculo, ele pegou um frasco de Benefit Fantasy Mint Wash e outro de tonificador
facial de gua de oliva UOccitane. -- Pra que serve isso?
-- Um limpa e o outro tonifica. -- Brandon tocou o frasco de UOccitane. --  coisa
boa.
Tinsley riu. s vezes, Brandon sem dvida no se ajudava em nada. Ela sabia que ele
era sensvel e tudo isso, mas ainda assim era meio esquisito que Brandon soubesse mais
sobre cuidados com a pele do que ela.
-- Isso  meu. Coloque de volta, por favor!
Julian tirou o frasco do alcance dela.
-- De jeito nenhum. Quero experimentar essa poo mgica. -- Ele abriu a tampa do
tonificador e colocou um pouco na palma da mo, depois aplicou no rosto e espalhou
como uma loo ps-barba. -- Estou diferente? Estou bonito agora?
-- No -- respondeu Brandon ao mesmo tempo em que Tinsley dizia, "Sim".
Brandon revirou os olhos.
-- No tem exatamente a pele delicada da Tinsley, sabia?
Minha pele delicada'? Foi a vez de Tinsley revirar os olhos.
Brandon tentando dar em cima dela parecia Brandon puxando o saco dela, e isso era de
desanimar. Ele teria mais sorte se fosse sarcstico.
-- O que  isso? --Julian espiou o canto, onde se enfiavam os trs boxes. Os boxes
eram cobertos de ladrilhos azul-cerleo no estilo Mediterrneo, lindos, doados pela
famlia de Sage Francis, que possua uma cermica no oeste de Massachusetts.
No tinham uma mancha sequer, j que a equipe de limpeza vinha nos sbados pela
manh, aparentemente sem se deixar afetar pela deteno. Ele puxou a cortina de nylon
branco e soltou um assovio baixo.
-- Merda. A ltima reforma nos nossos chuveiros foi tipo em 1945. Isso aqui parece um
spa -- comentou Brandon, com inveja.
Julian entrou no primeiro boxe.
-- Ento  aqui que tudo acontece? -- Ele tinha um sorriso bobo na cara, como se
estivesse recebendo o esprito de todas as meninas nuas que tomavam banho exatamente
ali todo dia.
Tinsley entrou com ele.
--  este que eu sempre uso.
Ele ergueu as sobrancelhas.
-- Ah, ? Como?
Tinsley deu de ombros e colocou o dedo do p na saboneteira embutida na parede.
--  mais fcil para depilar as pernas.
-- Mas que droga. -- Julian sacudiu a cabea. -- Tem razo. Isso facilita tudo. Queria
ter um desses no nosso chuveiro.
Tinsley riu. Ela olhou a cabea dele, que quase batia no chuveiro. Ele era to alto.
-- Por que est usando um gorro? -- perguntou ela.
Ele fingiu passar sabonete no corpo.
-- Na verdade  um tratamento de leo quente para meus folculos... S que parece um
gorro.
Alguma coisa em Julian fazia Tinsley se sentir toda bobalhona. Enquanto ele tombava a
cabea para trs, fingindo enxaguar o cabelo, Tinsley estendeu o brao e abriu a gua.
Mas ele deve ter sentido o que ela estava fazendo, porque, justo quando a mo de
Tinsley chegava na torneira, ele passou os braos em sua cintura e a girou de frente para
ele, abaixando-se e usando-a como escudo. Ela levou um jato de gua fria na cara.
Ela gritou e se debateu, mas os braos de Julian estavam firmes em torno dela. A gua
estava congelando! Por fim ela conseguiu estender a mo e fechar a gua.
-- Seu babaca! -- Ela girou para olh-lo de frente, o cabelo e o corpo completamente
ensopados.
A porta do banheiro bateu. Brandon deve ter sado.
-- Mas no  que a gua sempre demora para esquentar? -- Os lbios de Julian se
retorceram um pouco enquanto ele se esforava para no sorrir. -- Talvez voc deva
chamar um encanador. -- Ele recuou e se encostou na parede de ladrilhos com um olhar
de admirao.
Tinsley avanou para ele, o cabelo que ela cacheara e dera volume com o maior cuidado
agora caindo em mechas molhadas na cara e seu vestido, o vestido de Kara, antes lindo
e sexy, agora parecia um Kleenex cor-de-rosa encharcado colado na pele. De algum
modo Julian conseguira ficar quase totalmente seco.
Mas no por muito tempo.
-- Acha que  engraado? -- perguntou Tinsley, trincando os molares para no rir. --
Acha que  inteligente? -- E ento ela mergulhou nele, atirando os braos molhados em
sua cintura e apertando o rosto em seu peito, esfregando de um lado para outro para
secar a cabea. Era excitante ficar to perto dele -- era meio como lutar com um
menino quando se  criana, e voc fica toda excitada mas no sabe bem por qu.
O que, infelizmente, lembrou a ela que Julian ainda era meio uma criana. Ele era
calouro, ento tinha o qu? Quatorze anos? Talvez 15. Tinsley tremeu e desta vez no
teve nada a ver com a gua fria. Meu Deus. Um calouro. Isso significava que ele estava
fazendo Histria Antiga e Medieval com o Sr. DeWitt, a nica aula que fazia Tinsley
realmente considerar meter uma caneta no olho s para ter motivo para sair. Os calouros
de times esportivos masculinos eram obrigados a fazer coisas bobas, como usar calcinha
cor-de-rosa ou cinta-liga por baixo dos uniformes; eles tinham de fazer reunies
semanais com os orientadores para discutir "estratgias acadmicas para o sucesso",
como cunhou Marymount; no refeitrio, os mais velhos praticamente tinham permisso
para furar a fila -- ou pelo menos era assim que agiam.
23
UMA WAVERLY OWL NO JULGA ALGUM PELOS SAPATOS.
Se a viso de Tinsley e Julian se bajulando no fosse suficiente para dar em Brandon
vontade de vomitar, o som dos dois fazendo uma briga na gua, ou concurso de
camiseta molhada, ou seja l o que estivessem aprontando, definitivamente era. Brandon
disparou para fora do banheiro, furioso consigo mesmo por ser, mais uma vez, um
pssimo julgador de carter. O que havia na Tinsley que fazia todo mundo sempre ficar
to disposto a aceitar seus defeitos? S porque ela era linda? Havia muitas meninas na
Waverly que eram at mais bonitas do que a Tinsley--tudo bem, talvez no muitas.
Mas algumas. Ou, pelo menos, a Callie. Mas s a Tinsley tinha seguidores to
dedicados. As calouras aspiravam ser Tinsley; at os professores, e no s os do tipo
ultra-sebosos como Eric Dalton, pareciam ficar pasmos por ela. Por qu? Por causa de
seus olhos violeta que pareciam ter uma espcie de viso de raios X na mente das
pessoas? Talvez ela fosse uma mutante. O colega de quarto obcecado em quadrinhos
certamente parecia pensar que Tinsley tinha uma espcie de superpoder sexual.
-- Caramba! -- gritou Brandon, quase tropeando nos prprios ps ao parar numa
derrapada. Diante dele estava uma jovem bonita de jaqueta de couro preto e saia de l
cinza apertada que roava o alto de seus tamancos Born de couro caramelo. Os culos
pretos de gatinho estavam empoleirados de um jeito sexy no meio da ponte do nariz, e
ela olhou atravs deles para Brandon com um ar de interrogao. Merda. -- Eu s
estava, hummm, s...
-- Usando o banheiro? -- A cara da garota se torceu num sorriso de diverso. Vendo
mais de perto, estava claro que esta era uma adolescente e no uma professora, como ele
suspeitou no incio. Seu rosto era claramente jovem demais e tinha um brinco de prata
no alto da orelha direita. Suas feies eram fortes: o tipo de nariz comprido e mas do
rosto dramticas que as cmeras adoram, e Brandon se viu perguntando se ela um dia
esteve num anncio de culos Gucci, porque ela parecia meio familiar. -- No  crime,
sabe disso.
-- Ento... -- Brandon tentou recuperar a compostura, -- Imagino que no seja
professora?
-- Agora est entendendo, Einstein. -- Ela atirou a cabea um pouco para trs e
Brandon viu que a raiz de seu cabelolouro era castanho-escura. Ela parecia do tipo que
fazia parte de uma banda s de mulheres. Gostosa. Os tamancos Born no faziam o
gnero dele (meio natureba demais), mas nela ficavam meio punk rock hippie.
Ou talvez ele estivesse sendo influenciado pelos olhos castanhos escuros que tinham
parado nele. Esta definitivamente no era uma Waverly Owl.
Ele deu um pigarro.
-- Ento por que est aqui?
A garota franziu os lbios. Havia uma pintinha uns 3 centmetros abaixo do canto
exterior do olho esquerdo. Por algum motivo, Brandon no conseguiu tirar os olhos
dela. Era como um im ou coisa parecida.
-- Procurando algum -- respondeu ela com um dar de ombros. -- Voc no viu, er,
Jeremiah Mortimer... viu? -- Um rubor lento subiu por seu rosto.
Que interessante. Jeremiah no era desta escola e suas fs o procuravam aqui? Espere s
at a Brett descobrir. Diziam por a que Jeremiah matava todas as festas do St. Lucius
para escapulir para o Dumbarton e ficar com ela, e Brett provavelmente no queria
dividi-lo com mais ningum.
Definitivamente no algum to gata.
-- Eu soube que ele est por aqui, mas, hummm... Eu no vi. -- O que era a verdade.
Normalmente Brandon teria ficado chateado por ela perguntar por outro cara, mas ele
ainda tinha certeza absoluta de que ela estava dando mole para ele.
Ele se encostou na parede pssego e olhou uma mancha de gua no reboco do teto que
descascava. Uma risada escapou do banheiro, mas Brandon a ignorou. -- Voc  da St.
Lucius?
A menina assentiu e olhou o corredor vazio. Bateu as unhas compridas e sem esmalte
no batente de madeira escura da porta do banheiro.
-- Todas as festas de vocs so assim, hummm, turbulentas e loucas?
-- No, s vezes so bem maantes. -- Brandon sorriu de lbios fechados e passou a
lngua nos dentes, para o caso de ela no estar realmente dando mole, e sim estar
hipnotizada por um pedao de espinafre nos dentes dele. Quando teve certeza de que
estava seguro, ele sorriu. --A propsito, meu nome  Brandon.
Os olhos escuros da garota retriburam o olhar convidativo de Brandon.
-- Elizabeth.
-- O nome da minha cachorra  Elizabeth! -- Brandon soltou antes de perceber que
talvez no fosse a coisa mais delicada a dizer. Mas simplesmente saiu, e ele sentia falta
da Labrador da famlia -- ela era a nica coisa que tornava remotamente suportvel a
volta para Westport no Natal e nas frias. Ele certamente no ia dizer isso mas, agora
que pensava no assunto, os olhos castanhos e fluidos de Elizabeth meio que o
lembravam mesmo da cadela Elizabeth. No bom sentido,  claro.
Meu Deus, ele era um imbecil.
-- T brincando? -- Elizabeth realmente riu: um som melodioso e doce que lembrou
Brandon como as primeiras notas pareciam ganhar vida nas cordas de seu violino. Deixa
de poesia, Brandon. Concentre-se. No faa mais nenhuma observao idiota enquanto
tenta azarar. -- No , tipo assim, uma poodle, uma bichon nem nada disso, ? Eu no
queria nenhum desses cachorrinhos frescos esculhambando a reputao do meu nome.
--  uma mestia de pastor com Labrador, e ela parece durona quando est dilacerando
o Times de domingo. -- Brandon olhou pasmo enquanto Elizabeth colocava uma mecha
do cabelo louro atrs da orelha e empurrava os culos para o lugar, tudo num
movimento suave. Havia algo de to sensual nas meninas que usavam culos com
confiana. -- No  nada fresca. Na verdade, uma vez eu a vi dar um pega no
Rhodesian Ridgeback de nosso vizinho.
Elizabeth fingiu pensar, coando a nuca com a mo direita. A manga do casaco
escorregou e revelou uma daquelas pulseiras de algodo tranado de marinheiro  beira
da desintegrao, do tipo que se encontra em quase todas as lojas de suvenir em Cape
Cod.
-- Acho que est tudo bem.--Ela passou o peso do corpo para o outro p e brincou com
o zper do casaco. -- E o que me diz de comear essa festa?
Brandon olhou o zper por um segundo, pensando, talvez ela estivesse falando de... tirar
as roupas? Que tipo de maluca era essa!? Ele quase perdeu o flego.
Mas ento ela o viu encarando e cutucou a barriga dele com o indicador.
-- No quis dizer isso, seu pervertido. -- Seus olhos faiscaram. -- Quer dizer, vamos
acordar todo mundo.
De imediato, ela foi  porta do quarto mais prximo, piscou para Brandon e bateu com
fora.
Depois de um minuto, uma loura de aparncia tmida abriu a porta e espiou.
-- Sabia que tem uma festa rolando aqui? -- perguntou Elizabeth, a voz rspida e cheia
de autoridade. Brandon olhou o perfil dela de longe.
-- Er... Er, no! -- gaguejou a garota, embora estivesse claro que ela estava com roupa
de festa -- uma minissaia vermelha de pregas (seria a Diane von Furstenberg de
Callie?) e top preto que dizia LIBERTE WINONA em strass (definitivamente no era
de Callie). -- No sei de festa nenhuma.
Elizabeth colocou as duas mos nos quadris magros.
-- Bom, por que no?--Ela deu uma gargalhada e Brandon no pde deixar de
acompanh-la. Elizabeth tinha tanta energia. A menina com camiseta de Winona
encarou os dois antes de levar a mo ao corao.
-- Ai, meu Deus, voc quase me fez ter um ataque cardaco. -- Ela rapidamente entrou
no quarto e reapareceu balanando a caneca vazia da Waverly. -- Fiquei sem cerveja h
dez minutos e estava morrendo aqui dentro.
Completamente relaxado, como nunca se sentiu antes, Brandon seguiu pelo corredor,
batendo em todas as portas, assustando a galera que estava dentro antes de arrast-los
para a festa de novo. Ele e Elizabeth correram para o segundo andar. Enquanto os tnis
Adidas dele batiam na escada de mrmore e ele olhava a garota maravilhosamente
moderna subindo a escada com os tamancos barulhentos ao lado, ele se perguntou onde
diabos ela esteve durante toda a sua vida.
24
UMA WAVERLY OWL SABE QUE ONDE H INCENSO, H FOGO.
Depois de Tinsley sair do quarto, Brett e Jeremiah no levaram muito tempo para
recuperar o tempo perdido. Ela o desejara o dia todo, como os cookies M&M de
manteiga de amendoim que o servio de refeies fez na segunda passada, e era meio
legal ter Jeremiah todo para ela em vez de dividi-lo com as massas adoradoras da St.
Lucius. E ela no conseguia deixar de pensar que foi totalmente doce que ele tivesse
entrado escondido ali e ficasse com ela em vez de beber nas incontveis festas de vitria
que iam acontecer em todo o campus. Praticamente em homenagem a ele, uma vez que
foi ele quem venceu o jogo.
Mas ele estava aqui. Na cama de Brett. Usando a cueca samba-cano Gap com os
buldogues e mais nada. Iron & Wine, a msica ambiente preferida de Brett, tocava, e ela
acendeu algumas varetas de incenso de sndalo.
-- Aqui di? -- perguntou ela, colocando a mo no ombro dele. Os dois estavam
deitados cara a cara sob o edredom grosso de Brett, a cabea dela encostada no brao
esquerdo de Jeremiah. Brett sentia-se meio tmida com o suti sem ala L Mystre e
calcinha de cs baixo. Mas no era que Jeremiah j no tivesse visto seu corpo e, alm
disso, era realmente como se estivesse de biquini. Mas agora as coisas eram diferentes
-- agora ela pensava estar pronta para mais.
Jeremiah tentou no fazer uma careta.
-- Tudo di, gata.
-- Aqui?--Ela passou devagar a mo pelo peito dele, por cima da pintura AFOGUE O
GANSO.
-- Na verdade, melhora um pouco. --Jeremiah deu um pigarro e seus olhos tinham
aquela expresso sonhadora que adquiriam quando ele estava completamente excitado,
o que Brett adorava. Fazia com que ela se sentisse a garota mais atraente do planeta e
muito poderosa. Ela esperava que isso no significasse que ela estava destinada a um
dia virar dominatrix.
Mas quando Jeremiah se inclinou e a beijou, todos os pensamentos de Brett
desapareceram. Ela jamais se sentiu to  vontade na vida, to relaxada. To pronta.
-- Quantas vezes voc foi agarrado hoje?
Jeremiah passou os dedos grandes e desajeitados pelos brincos de ouro no alto do lbulo
da orelha esquerda de Brett. Ele gemeu.
-- Umas cinquenta.
Ousada, ela pegou o cs da samba-cano de Jeremiah e puxou-o para mais perto.
-- Cinquenta e uma -- murmurou ela em seu ouvido. -- Trancou a porta, no ?
-- Acho que sim--disse ele, beijando o pescoo de Brett.
A mo dele deslizou pelas costas dela. Ele estava praticamente ofegando.
-- Tem... hummmm, uma coisa que queria te contar. -- Brett estava achando
incrivelmente difcil pensar em qualquer coisa que no fosse os lbios deliciosos de
Jeremiah em sua pele. Parecia que ela estava bbada, mas no tinha tomado nem um
gole de cerveja.
-- Tudo bem. --Jeremiah continuou mordiscando o ombro de Brett. Ela teve que
empurr-lo para conseguir pensar de forma coerente.
E isto era importante.
-- Sabe quando eu te falei, h um tempo, que eu... er... tinha dormido com um suo?
E que foi minha primeira vez?
-- Como eu poderia esquecer? --Jeremiah pousou a cabea no travesseiro dela e olhou
em seus olhos. Ele brincou com o pingente de estrela-do-mar de ouro no pescoo de
Brett. Parecia to pequenininho, comparado com as mos imensas dele.
-- Bom, no foi exatamente verdade. -- Ela engoliu em seco.
-- Ah. --Jeremiah parou de brincar com o pingente deixando-o cair nas costas nuas de
Brett. -- Bom... hummm... Tudo bem, se, sabe como , voc esteve com mais algum.
No importa realmente o que fez antes de mim. Por mim, est tudo bem. -- Ele beijou
com ternura a ponta do nariz de Brett.
-- No ... No foi isso que eu quis dizer. -- Ela podia ouvir gente andando pelos
corredores. O que estava rolando l? -- No aconteceu nada com aquele cara. Nem com
nenhum outro.
-- Quer dizer...
-- Quando voc me falou que era virgem, eu devia tercontado a verdade. Que eu
tambm sou. -- Ela franziu o nariz. -- Desculpe se no fui sincera sobre isso.
Jeremiah ficou em silncio por uns segundos e de incio Brett pensou que talvez ele
estivesse chateado. Mas depois ele tocou o queixo dela e sorriu, os dentes tortos de
baixo ainda mais lindos.
-- Eu no ligo. S o que importa somos ns dois, no ?
-- ! -- Brett soltou um suspiro imenso de alvio, surpresa ao ver como estava nervosa.
 claro que Jeremiah compreendia. Ele sempre era compreensivo. Umjorro de emoes
percorreu Brett, quase levando lgrimas aos olhos, mas ela as reprimiu. Ela na
verdade... o amava, no era? Tudo estava muito bem. To perfeito.
-- Voc est muito linda, sabia? -- sussurrou ele, e passou a mo pelo brao de Brett,
provocando arrepios at seus ps. Ela sentia como segundos antes de fazer um
lanamento no hquei, quando a adrenalina corria pelas veias, aguando todos os
sentidos e deixando-a superconsciente da grama nas travas do tnis, do cu azul, das
colegas de time gritando na linha lateral. Seu corao estava praticamente na boca.
-- Eu acho... -- Ela pegou a mo dele e a colocou no corao. Uma coisa boba, mas ela
queria que ele sentisse como estava martelando. -- Acho que agora estou pronta. Tipo
assim, pronta de verdade.
Neste exato momento, houve uma batida alta e forte na porta.
-- Abra!--gritou uma voz de mulher. O corao de Brett quase saltou do peito. Ela e
Jeremiah se separaram num salto.
-- Debaixo da cama! -- sibilou ela. -- Ou no... No armrio!
Jeremiah disparou para o armrio, prendendo o dedo do p no tapete solto de Brett e
caindo com rudo na cadeira da mesa de Tinsley, tombando-a no cho de madeira.
-- Porra! -- gritou ele, o forte sotaque de Boston tangendo pelo quarto e provavelmente
para o corredor.
A porta se abriu e Brett teve vontade de morrer. Este era o fim, no era? Ela ia ser
expulsa. Mas ento algum disse, "Jeremiah?" Uma garota que Brett nunca viu na vida
estava parada na soleira da porta com cara de surpresa.
Pera... Ela estava surpresa? Mas e Brett, quase nua sob as cobertas e prestes a ter o
momento mais importante de sua vida, s para ser interrompida por essa loura de culos
Uber-modernos que parecia conhecer o namorado dela? O que estava rolando aqui?
-- Elizabeth! Er... O que est fazendo aqui? --Jeremiah pegou a cadeira e esfregou o
joelho esquerdo.
Elizabeth?
Por um momento, a garota olhou para Brett como se a avaliasse. Brett, as cobertas
puxadas at o pescoo, encarou-a numa atitude de desafio. Este era o quarto dela, mas
que droga, e ela no ia deixar que uma tiete de futebol americano da St. Lucius
perseguisse Jeremiah e depois a examinasse como se ela fosse um espcime numa placa
de Petri. A garota virou-se para Jeremiah de novo, claramente confusa -- ou
aborrecida? -- ao v-lo seminu.
-- Brandon e eu... estvamos s... hummm... recomeando a festa.
Pela primeira vez, Brett percebeu que Brandon Buchanan estava parado ao lado da
garota, com o rosto vermelho. Pelo menos ele teve a cortesia de ficar constrangido por
perturbar algumas pessoas que claramente desfrutavam de sua privacidade.
-- Oi, Brett. -- Brandon ajeitou a gola da camisa plo.
Brett o fuzilou com os olhos.
-- Bom, hummm... Brett e eu j estvamos de sada -- murmurou Jeremiah.
T legal, indo para a festa sem roupa nenhuma?
Ele olhou para Brett e deu de ombros como quem se desculpa, e ela teve vontade de
arrancar os cabelos pela injustia de tudo aquilo. -- Esta  a... er.... (No se atreva a
esquecer meu nome, xingou Brett). -- Brett. Brett... esta ... minha amiga Elizabeth.
As duas meninas se olharam, inquietas. Talvez fosse s porque Jeremiah tambm
estivesse to evidentemente confuso, mas tudo parecia to totalmente suspeito, e olha
que Brett nem era do tipo louca de cime, como Callie. Brett deu um sorriso amarelo
para a garota, que sorriu amarelo para ela. Por que ela estava aqui, se ela era da St.
Lucius? Ela no tinha festas para ir? E quem diabos era esta amiga que ficava to pouco
 vontade depois de ver Jeremiah na cama com a namorada? Ou que invadia o quarto de
Brett daquele jeito?
E por que o cabelo dela tinha duas cores, feito uma gamb? Brandon foi o primeiro a
falar.
-- A gente devia sair daqui. Deixar vocs... er.. se arrumarem. -- Ele ps a mo no
brao de Elizabeth, quase protetor. Como ele a conhecia to bem?
-- Ah.  -- murmurou Elizabeth numa voz avoada. -- Encontramos vocs l fora.
-- T. A gente se v. --Jeremiah pegou a camisa no cho enquanto os dois
desapareciam pelo corredor.
Brett no sabia o que pensar. Ou o que sentir. Ela atirou o edredom para fora, sentindo
um calor repentino. O lindo vestido que tinha pegado emprestado com Rifat estava
cado numa poa verde no cho, e ela no estava com humor para vesti-lo novamente.
-- Essa foi esquisita -- disse ela a Jeremiah, procurando a reao dele em seu rosto.
Ele terminou de abotoar a camisa e parou ao lado dela.
-- Eu lamento termos sido interrompidos. -- Ele tocou seu cabelo. -- Mas vamos ter
outras oportunidades. -- Ele pegou o jeans no cho.
Outras oportunidades? Claro, o clima estava totalmente estragado, mas Jeremiah no
devia estar morrendo de vontade de recri-lo? Ainda era cedo -- por que ele no queria,
sabe como , tentar de novo? Agora, Brett certamente no estava no clima, mas ainda
assim... Teria sido bom se ele tentasse. Ela podia ouvir a msica comeando pelo
corredor.
Amargurada, ela pegou uma cala jeans preta de pernas largas no armrio e a vestiu.
Enquanto procurava por uma blusa no armrio, ela olhou por sobre o ombro para
Jeremiah, que a fitava.
-- Que foi? -- perguntou ela, um tanto rspida. Ela arrancou do cabide uma blusa preta
sem mangas e de gola rul.
Jeremiah sacudiu a cabea.
-- Nada. Voc est muito sexy, parada a de suti. -- O sotaque dele de Boston
provocou um sorriso nos lbios de Brett pela primeira vez desde a interrupo.
Mas assim mesmo... Enquanto ela vestia a blusa pela cabea, no conseguiu deixar de se
perguntar o que ele estava deixando de dizer.
25
UM WAVERLY OWL  INTELIGENTE O SUFICIENTE PARA BEIJAR E
NO CONTAR.
Enquanto Easy estava sentado no fundo do armrio de Callie, curtindo o gosto familiar
do beijo dela -- a combinao de fumaa de cigarro e batom de baunilha e... seria
maconha? Callie sempre odiava quando Easy fumava um bagulho, uma ocorrncia bem
comum, uma vez que ele dividia um quarto com Alan St. Girard, cujos pais hippies
cultivavam aquela coisa. Ela dizia que ele tinha cheiro de show do Dave Matthews e se
recusava a beij-lo, mas Easy sabia que ela ficava mais irritada porque fumar o deixava
ligado em si mesmo e no nela. Ela sempre perguntava o que ele estava pensando, como
se no suportasse que houvesse um lugar a que ela no tivesse acesso. Isso o deixava
meio louco.
Ento o que  que ele estava fazendo aqui, com a lngua em sua boca? Jenny, pensou
ele. Ela devia estar voltando com a cerveja. E se ela entrasse agora? Seu estmago
desabou, como se ele estivesse numa montanha-russa, descendo uma ladeira imensa e
de repente percebesse que o cinto de segurana no estava afivelado.
Easy se afastou, a mente disparando. Alguma coisa de babados pinicou sua orelha.
No escuro, Callie sussurrou:
-- O que voc est pensando?
-- Acho que a gente deve dar o fora daqui -- murmurou Easy. Ele procurou no escuro a
maaneta da porta, finalmente encontrando-a e empurrando. A luz o inundou. Callie
estava agachada ao lado dele, to confusa quanto ele. -- A gente devia... descer, de
repente. As pessoas vo estranhar.
-- . Se no, vai ficar suspeito.--Ela se levantou primeiro, esticando o corpo magro e
longo. A maria-chiquinha quicou quando ela se mexeu. -- Por que no vai primeiro?
Tenho que achar uns sapatos mesmo.
Easy respirou funda e longamente antes de se levantar.
-- Tudo bem. A gente se v depois. -- E fechou a porta do quarto ao sair. Cada passo
que dava na escada parecia dizer babaca,babaca, babaca. Ser que ele realmente se
agarrou com Callie? Os ltimos meses de seu relacionamento, mesmo quando eles
estavam separados, tinham sido de matar.
Ela sempre o aborrecia at que ele tinha vontade de explodir. Ele tentou conjurar
exemplos especficos mas, por algum motivo, no conseguia. S conseguia imagin-la
rindo no jantar com seu pai ou defendendo a arte dele.
Ou deslizando para o lado dele no armrio escuro.
Qual era o problema dele? Ser que ele realmente cometeu um erro ao terminar com ela,
ou agora s estava vendo Callie por lentes cor-de-rosa? Ele estava destinado a ser um
daqueles babacas que s queriam as garotas que no podiam ter?
Porra. E tambm tinha a Jenny. Ele precisava conversar com Jenny, mas no conseguia
nem mesmo ver sentido no que estava sentindo, ento como ia conseguir dizer alguma
coisa sobre isso? Ele no queria mago-la... E tambm no queria perd-la.
Era to errado assim, estar apaixonado por duas garotas ao mesmo tempo? Seria isso
possvel?
-- Oi! --Jenny vinha de um dos quartos, uma caneca da Waverly em cada mo. Seu
rosto se iluminou quando o viu.
-- Desculpe por demorar tanto... Teve uma espcie de alarme falso e ficamos todas
escondidas.
Escondidas. T legal. Como em armrios escuros.
-- Est tudo bem. -- Ele pegou uma caneca na mo dela. -- Obrigado. -- Ele bebeu.
-- Hummm, cerveja quente. -- Servia bem para ele -- era s o que ele merecia no
momento.
Jenny era to confiante -- se ele estivesse l em cima, supostamente sozinho, por dez
minutos, Callie ia querer saber o que ele andara fazendo. Mas no parecia passar pela
cabea de Jenny que ele estaria fazendo alguma coisa de suspeito, o que o fazia se sentir
um imbecil total.
-- Ser que vocs podiam se desgrudar por, tipo assim, trs segundos e virem jogar Eu
Nunca? -- perguntou Heath Ferro, parecendo mentalmente desequilibrado vestido numa
camiseta de mulher que dizia LIBERTE WINONA em strass.
A blusa era dez vezes menor do que ele, o que ele provavelmente achava perfeito por
lhe dar a oportunidade de mostrar a barriga de tanquinho de que sempre se gabava.
-- S se voc vestir uma camisa primeiro, cara. -- Easy sacudiu a cabea. -- No sei
por quanto tempo posso olhar isso.
-- O que aconteceu com a que voc estava vestindo, Heath? -- perguntou Jenny
inocentemente.
Heath deu um sorriso malicioso.
-- Quer dizer que esta no teve nenhum efeito em voc?
Jenny olhou de um para o outro, com uma expresso de quem no entendia nada. Easy
queria derrubar Heath no cho, mas decidiu ser superior.
-- Tudo bem. A gente j vai.
-- Queria poder fazer um jogo diferente -- disse Jenny, indo para a sala de estar. Easy
se viu passando o brao por seus ombros. Simplesmente o brao pareceu ir para l. -- O
que aconteceu com o jogo de mmica? -- brincou ela.
-- Nerd -- disse Easy suavemente, beijando o alto da cabea de Jenny. Ele s queria
que tudo ficasse bem de novo -- com Jenny e com Callie. Como devia fazer isso
quando queria beijar as duas?
O jogo de Twister no canto tinha evoludo um pouco, com Ryan Reynolds e Alan St.
Girard envolvidos, embolando-se com as meninas que ainda jogavam. Benny
Cunningham estava num dos sofs ao lado de Lon Baruzza, que enrolava um de seus
rabos-de-cavalo no pulso enquanto ela ria e pegava o joelho dele.
-- Que bom que vocs puderam vir. -- O sorriso de Tinsley enroscou-se em sua
inevitvel malcia. Tinsley estava de camiseta branca e minissaia marrom com
suspensrios -- ningum usava suspensrios, nunca, e assim  claro que nela l ficava
insuportavelmente cool. Ou no. Ela parecia um pouco a patinadora de Boogie nights--
Prazer sem limites -- o suficiente para deixar os meninos loucos. Ela se sentou no brao
de um sof de couro e os sapatos balanaram na mesa de centro, parecendo mais alegre
do que na festa do Ritz-Bradley. Que timo. Talvez isso significasse que ela ia ficar de
roupa, embora, pelo modo como Julian praticamente estava pendurado nela, parecia que
ele esperava por um strip-tease improvisado.
-- Todo mundo tem a caneca cheia?--perguntou Brandon Buchanan. Ele estava
sentado numa poltrona gorda com uma menina incrivelmente bonita de cabelo preto e
louro com um casaco de couro aberto e uma camiseta azul que dizia LIBERTEM O
TIBETE, um contraste estranho com a camiseta da Winona. O cabelo de Brandon
estava todo zoneado e de certa forma no parecia intencional. A menina continuava
olhando nervosa na direo de Jeremiah e Brett. Brett sentou-se no cho com um olhar
irritado enquanto Jeremiah sentou-se atrs dela no sof e brincou com seu cabelo. Uma
menina quietinha da turma de matemtica de Easy -- Tara? Kara? -- estava sentada no
sof, entre Jeremiah e uma loura baixinha com cara de passarinho e uma minissaia preta
que parecia uma coisa que Tinsley usaria. No era aquela esquisita que tocava sax? De
onde vieram todas essas meninas? A garota da turma de matemtica acenou para Jenny.
-- Essa  a Kara -- sussurrou Jenny no ouvido de Easy. -- Ela  bem legal.
Callie apareceu, aparentemente do nada, com um ar meio confuso. De propsito, ela no
olhou na direo de Easy e Jenny enquanto deslizava no sof ao lado de Benny.
-- Onde voc esteve? -- perguntou Tinsley, encarando Callie. Callie limitou-se a dar de
ombros.
-- Desta vez, com as regras normais -- falou Jenny, olhando para Heath, que gostava
de inventar regras, como ter que se agarrar com ele, no importa o qu. -- Se voc fez,
tem que beber.
-- Vou comear--exclamou Heath Ferro, tomando um ltimo gole de boa sorte em sua
caneca. -- Eu nunca... fiquei com ningum no estbulo.
Babaca, pensou Easy. Heath claramente tentava constranger Easy, Callie e Jenny. Por
que ele tinha de ser to irritante? Felizmente, Easy no era o nico que achava o
estbulo romntico -- alm dele, Callie e Jenny, Lon Baruzza e a loura magricela
tambm tomaram goles de sua cerveja. Nem Jenny nem Callie olharam para Easy.
-- Que surpresa voc no ter estado l, Pnei -- Benny Cunningham sacaneou Heath.
-- Voc j esteve em toda parte.
-- Acho que eu no consigo tirar a roupa no cheiro de bosta de cavalo -- grunhiu
Heath.
-- Minha vez -- disse Jenny. Todos os olhos se voltaram para ela, e Easy no
conseguiu deixar de pensar que ela ficava totalmente linda com o cabelo puxado para
trs daquele jeito.
-- Eu nunca levei cerveja de ningum na cara. Esta noite.
Todos ficaram meio confusos at que Heath levantou a caneca e tomou um gole
gigantesco, e todos explodiram de rir. Easy teria gostado de ter visto isso.
-- Ento isso pelo menos explica a roupa. -- Tinsley riu. -- Quem fez isso?
-- No pode fazer perguntas neste jogo, Carmichael. Prenda-se s regras. -- Heath
olhou a prpria cerveja.
-- Sou a prxima -- falou ansiosamente a cara de passarinho depois que o riso
diminuiu. -- Hummm... eu nunca fiz sexo.
Mas que merda. Que jeito de ignorar as sutilezas do jogo e largar a bomba no meio de
todo mundo. Esta era uma daquelas questes que as pessoas sempre meio que sugeriam,
sem querer realmente fazer. A sala pareceu cair em silncio enquanto todos se
encaravam, desafiando algum a fazer o primeiro movimento.
-- D -- disse Heath, erguendo a caneca aos lbios e tomando outro gole gigante.
Lon Baruzza o seguiu, com Benny sorrindo apreciativamente para ele enquanto tambm
tomava um gole. Tinsley balanou-se para trs, rindo. Quem diria que Benny C. no era
a pudica que gostava de fingir ser. E depois, quase no mesmo momento, Jeremiah e a
garota do casaco de couro se olharam nos olhos atravs da sala e levantaram a caneca
rapidamente, como se esperassem que ningum percebesse.
Mas os dois estavam totalmente vermelhos e Tinsley, junto com todos os outros, de
imediato entendeu que eles tinham feito juntos. Ningum se mexeu. Tinsley olhou para
Brett, que mantinha a cabea baixa enquanto remexia na tira do sapato.
-- Volta a um minuto. -- Heath levantou as mos e tentou fazer um barulho de
caminho dando a r. -- Tinsley Carmichael, a Srta. Estive em Todas e Fiz de Tudo,
est querendo dizer que  pura e intocada como uma Branca de Neve?
-- Por que isso  to surpreendente, Heath? S porque eu no dormi com voc? --
Tinsley rebateu para ele, o rosto vermelho.
Heath fingiu arrancar uma flecha do corao.
-- Deve estar brincando comigo. -- Callie olhou de Brett para Tinsley, parecendo mais
do que irritada, de palmas erguidas daquele jeito "que porra  essa". -- Vocs duas so
virgens? O que aconteceu com ser sincera com as colegas de quarto?
Tinsley revirou os olhos exageradamente, como se no acreditasse que todos estivessem
fazendo uma tempestade em copo d'gua.
-- Eu podia pensar em meia dzia de vezes em que voc sugeriu que era menos do que
virgem! -- observou Callie, concentrando-se em Tinsley, agora toda eriada por algum
motivo. Callie odiava que mentissem para ela, mesmo sobre uma coisa que no era da
conta dela. -- E o Sr. Dalton? Chiedo, da frica do Sul?
Um bando de meninas saltou para apontar as vezes em que Tinsley no disse
exatamente a verdade. Mas Easy no dava a mnima para Tinsley -- e ele no ficou
exatamente surpreso. Ela mentiria sobre qualquer coisa, se fosse para benefcio prprio,
e ele jamais acreditou numa palavra que tenha sado da boca daquela garota. Mas ele
olhava Brett com interesse. Ela sempre deu a entender que no era l muito inocente,
mas ele pensava que sua atitude durona talvez fosse s uma cobertura para algum tipo
de complexo.
Mas agora Brett no estava correspondendo a nada. Suas mos tremiam enquanto
Jeremiah sussurrava freneticamente em seu ouvido e tentava acalm-la. Ao que parecia,
a revelao de Jeremiah tambm a surpreendera. E qual era a histria entre ele e a
LIBERTEM O TIBETE?
A irritao de Tinsley chegou ao auge. Ela se levantou de repente e praticamente gritou
com Callie.
-- Eu nunca disse que fiz sexo, t legal? Agora chega.
Isso irritou Easy.
-- Mas que... -- Ele comeou a perguntar, pensando na poca em que Tinsley passou a
noite em um apartamento de estudante de mestrado de Columbia e se gabou disso no
campus todo no dia seguinte.
-- Que tal continuarmos com o jogo? -- Tinsley mexeu nos suspensrios e endireitou a
blusa. -- Sou eu -- disse ela rapidamente, antes que algum pudesse dizer mais alguma
coisa. -- Eu nunca levei minha ex-namorada para jantar com meu pai em vez de minha
namorada atual.
O estmago de Easy desabou. Todo mundo olhou em volta, totalmente confuso e
pensando que talvez o estresse tivesse enlouquecido Tinsley. Ela encarava Easy, os
olhos violeta faiscando de raiva. Do que ela estava com raiva, aquela cretina? Ele a
fuzilou com os olhos.
-- Por que no est bebendo, Easy?--perguntou ela num tom desagradvel. -- Voc
conhece as regras.
Se ela no fosse mulher, ele teria atirado a bebida na cara dela naquele momento. Mas
isso no teria importado -- ela j conseguira o que pretendia. Isto , o escndalo dela
no estava mais sob os refletores, e sim o dele.
Heath riu, um "r r r" grave, como se fosse a coisa mais engraada do mundo.
A cara de Jenny lentamente perdeu a cor. Ela se levantou para encar-lo.
-- Isso... Isso  verdade?
Easy podia sentir que todos o olhavam, e nem todos os olhares eram gentis. No que ele
agora se importasse com o que os outros pensavam. Ele s queria que Jenny no o
odiasse.
-- Bom... er... na verdade... mas meio que... -- No era sua resposta mais eloquente,
mas no importava mais, porque Jenny rapidamente deu as costas e correu para fora da
sala. A sala zumbia e Easy colocou as mos na cabea como se pudesse ter alguma
esperana de bloquear o barulho. Kara, a menina que Jenny tinha cumprimentado, pulou
do seu lugar e correu atrs de Jenny, no rpido demais para se virar e olhar feio para
Easy quando passava. Brett se levantou e disparou sala afora, com Jeremiah em seu
encalo. Parecia que a festa tinha acabado. Callie se levantou, a voz tremendo de fria.
-- Por que voc fez isso? -- perguntou ela, andando para Tinsley e parando diretamente
diante dela.
-- Bom... Vocs todos podem falar dos meus segredos. Por que todo mundo no
deveria saber os dele? -- Ela olhou para Easy.
Callie sacudiu a cabea, as marias-chiquinhas louras batendo.
-- Voc  uma piranha total.
Tinsley pareceu ficar sem palavras pela primeira vez na vida. Sua boca tremeu um
pouco, no como se fosse chorar, mas como se a preparasse para o perfeito revide
sarcstico. Mas depois de alguns segundos, ela atirou o cabelo para trs e saiu da sala.
At que enfim, pensou Easy. Era pssimo que ela no pudesse ficar de boca fechada
pelo resto da vida.
26
UMA WAVERLY OWL SABE QUE UMA RELAO BEM-SUCEDIDA 
BASEADA NA SINCERIDADE.
Depois de sair da festa num rompante, o ltimo lugar em que Brett queria estar era seu
quarto onde, uma hora antes, ela estivera prestes a transar pela primeira vez com o
namorado que amava. Ela pensou que tudo estivesse perfeito--mas agora estava claro
que tudo tinha sido falso. Ela e Jeremiah no podiam fazer o grande gesto simblico de
perder a virgindade juntos porque ele ja perdera a dele -- com outra garota. E nem foi
uma coisa que aconteceu h muito tempo. No, quando ela e Jeremiah namoravam
antes, ele sem dvida era virgem. Eles terminaram, voltaram algumas semanas depois e
de repente ele no  mais virgem? Que merda  essa? Ela ficava enjoada com a idia de
voltar a seu quarto, a seu Iron & Wine, ao incenso de sndalo e suas cortinas fechadas.
No que marchar pela escada at o terrao fosse melhor -- ela ainda se sentia enganada.
O que ela realmente queria fazer era correr pela porta do Dumbarton, pular num carro e
dirigir para algum lugar rpido, mas ela no podia sair do Dumbarton, ento o terrao
era a coisa mais distante aonde podia ir.
Ela abriu a porta de metal e entrou no ar frio e escuro da noite. Seus braos
imediatamente se cobriram de arrepios, mas ela no percebeu; a noite estava linda, o
que irritou ainda mais Brett. Cada uma das dez bilhes de estrelas no cu parecia estar
brilhando de felicidade para ela, e Brett queria matar todas.
A porta se abriu. Jeremiah, praticamente arfando, foi na direo dela, mas Brett se
afastou. Ela esperava que o corpo dele doesse ainda mais depois de ter subido correndo
a escada.
-- Como voc pde? Como pde... fazer isso... e no me dizer nada? -- gritou ela, sem
se importar de ser ouvida.
-- Brett, por favor. Calma, t bem?
-- Eu disse a voc que era virgem. Eu disse que estava pronta pra transar. Ser que um
dia voc ia me contar a verdade?
-- Sim! Claro. --Jeremiah enfiou as mos nos bolsos do jeans escuro, com cara de
cachorro que acaba de morrer.
Meu Deus, pensou Brett com crueldade. Ele merece se sentir mal. -- S no era... o
momento certo.
-- E quando seria o momento certo? -- Brett no conseguia evitar o veneno na voz. Ela
se sentia to trada. Jeremiah devia ser um dos caras legais. Ele era um dos anti-Eric
Daltons, o tipo de cara que no vai pra cama por a nem troca voc pela primeira
gostosa que entra no quarto. Ele no devia fazer isso com ela. -- Depois de a gente
transar? Porque se Brandon e... -- Brett no conseguia dizer o nome de Elizabeth. -- Se
Brandon e a Cara-de-puta no tivessem interrompido quando entraram...
-- Eu teria contado a voc -- insistiu Jeremiah, pegando um Camel Light em um mao
amarrotado e colocando na boca. Ele procurou o isqueiro nos bolsos. -- Mas voc
mentiu para mim por meses. Por que mentiu sobre ser virgem?
-- Porque... porque...--Brett gaguejou.--No sei. No era da conta de ningum. -- E
que diferena isso ia fazer, afinal? Se ele soubesse que ela era virgem, significaria que
ele no ia cair em cima da Cara-de-puta?
-- No  da conta de ningum -- repetiu Jeremiah, puxando fundo o cigarro.--Ento
por que est to irritada agora, se a virgindade no  da conta de ningum?
-- No distora minhas palavras! -- Brett se sentia to... impotente. Ela nunca ficou
furiosa antes e estava com raiva de tudo. De Jeremiah. Dela mesma. De Elizabeth. Ela
podia estrangular a garota. Todos os seus pensamentos eram uma completa baguna,
agitando-se no crebro a uma velocidade vertiginosa.
-- Ns nem estvamos juntos quando aconteceu -- observou Jeremiah em voz baixa.
-- At parece que fui eu que tra...
-- Como ? -- Era to injusto da parte dele lembr-la do Sr. Dalton. Ela j se
desculpara um milho de vezes por isso. -- Eu no dormi com Eric.
-- Como posso saber disso? -- De repente Jeremiah parecia mais irritado do que triste.
Seu cabelo ruivo voava ao vento. -- Voc me largou... pela secretria eletrnica... sem
dar explicao nenhuma, no atendeu a meus telefonemas, nem e-mails, nem mensagens
de texto, e a, dois dias depois, eu soube que voc estava passando a noite na casa
daquele cara mais velho e galinha. O que eu devia pensar?
Brett detestava ouvir sobre como tinha agido. Era medonho.
-- Eu sei... Eu sei que fui uma cabea-oca nisso. Quantas vezes tenho de me desculpar?
-- Ao que parecia, no bastava. -- Mas voc precisava sair e dormir com outra? Meu
Deus, Jeremiah. -- Uma lgrima quente desceu pelo rosto de Brett e ela a limpou com
raiva com as costas da mo. Ela se afastou dele e foi para o muro de pedra na beira do
terrao. O campus estava em silncio -- uma colcha de retalhos da luz dos outros
alojamentos brilhava atravs das rvores e, em algum lugar, na outra extremidade do
campus, os membros do conselho diretor bebiam o vinho do reitor Marymount e se
divertiam muito. Ela passou as mos pelos braos para se aquecer.
Ela ouviu Jeremiah dar um pigarro.
-- Voc me magoou, Brett. -- Parecia que ele estava prestes a chorar, mas ele deu um
trago no cigarro e a voz se estabilizou. -- Eu fiquei totalmente arrasado. No entendi...
Eu pensava, sabe como , que voc me amava.
-- Eu amava voc! -- exclamou ela. Assim que disse isso, ela percebeu como era
estranho ouvir a si mesma falando no tempo passado -- amava. Tipo antigamente
amava, mas agora no. Duas corujas enormes saram de um dos imensos carvalhos e se
perseguiram pelo campus. Brett se perguntou se o macho j se embolou com outras
corujas fmeas e se a fmea era capaz de perdo-lo.
-- Bom, voc tem um jeito muito estranho de demonstrar isso.
-- No se atreva a me culpar por isso. -- Brett girou o corpo para ficar de frente para
ele. -- Foi voc que estava claramente morrendo de vontade de pegar algum. Quanto
tempo esperou? Tipo assim, um dia? Dois?
Jeremiah largou o cigarro meio fumado e o pisou com a ponta dos Pumas verdes. Brett
sempre odiou esses sapatos.
-- Eu precisei falar sobre isso... Com as pessoas, para tentar compreender. Elizabeth foi
uma amiga. Ela me deu apoio. E simplesmente... aconteceu. Eu no estava pensando...
Estava arrasado demais para pensar em alguma coisa.
Brett chutou um cascalho com a ponta do p e ele deslizou pelo terrao.
-- Eu queria que voc fosse o primeiro para mim. Por isso no consegui dormir com
Eric... No era certo. Eu queria que fosse voc. -- Claramente ele no ficou to
magoado assim com ela, se pde transar com a primeira garota que tentou fazer com
que ele se sentisse melhor. Ela esperou 17 anos para perder a virgindade -- no que ela
estivesse pensando nisso l pelos 13 ou 14 anos. E quando ela finalmente se decidiu por
quem amava, com quem ela queria dividir... Ele j tinha feito com Elizabeth. Ser que
essa garota no conhecia outras maneiras de animar um cara? Ela de repente se lembrou
de como era brincar de dana das cadeiras, quando a msica parava e era voc que
ficava de p feito uma idiota. Era assim que parecia, multiplicado por um bilho.
-- Voc tem de entender -- pediu Jeremiah. -- Voc nunca sofreu por amor.
Brett engoliu o bolo na garganta.
-- Estou sofrendo agora.
-- Brett...
-- E como  que foi? -- Brett no conseguiu deixar de imaginar Elizabeth e Jeremiah,
nus, rolando na cama dele. Beijando-se. Ela se perguntou onde eles transaram -- no
quarto dele? No dela? No campo? Num motel barato? O que Elizabeth estava vestindo?
Ele disse que ela era bonita? Ele a chamou de gata? -- Foi bom?
Jeremiah no disse nada por um bom tempo. S a fitou com os olhos verde-azulados
grandes.
-- No era voc.
-- Agora estamos juntos de novo h duas semanas -- disse Brett em voz baixa, olhando
a ponta do mocassim creme. Havia uma mancha preta do cascalho que ela chutou. --
No havia um momento certo em hora nenhuma?
-- Eu no queria que voc terminasse comigo. De novo.
Brett olhou as estrelas, querendo que elas desabassem agora e terminassem tudo. Era
como se ela estivesse sendo castigada por ter se apaixonado feito uma idiota por Eric
Dalton. Ou, mais do que isso, como se ela estivesse sendo castigada por mentir sobre
no ser virgem. Talvez, se soubesse da verdade, Jeremiah no teria ido to rpido para a
cama de Elizabeth.
Um poeminha pessimista de Dorothy Parker saltou em sua cabea:
Quando voc jura que  dele, Tremendo e suspirando, E ele jura que sua paixo 
Infinita e imorredoura, Senhora, tome nota disso... Um dos dois est mentindo.
Era verdade -- os dois mentiram um para o outro e agora estavam numa confuso que
eles mesmos criaram. Ela se sentiu toda pegajosa, como se estivesse gripada, e seus
joelhos estavam frouxos. Era verdade que Jeremiah tinha sido compreensivo o bastante
para perdo-la por sua indiscrio com Dalton. Ela pensou que isso significava que ele a
amava. Mas se ele a amasse, poderia ter dormido com outra? Brett respirou fundo.
-- Acho que voc tem de ir embora.
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...............................................
YvonneStidder: Ai, foi minha questo sobre sexo que acabou com a festa?
KaraWhalen: Mais ou menos, mas no  culpa sua que todo mundo minta sobre tudo.
YvonneStidder:. Quem teria pensado que T nunca transou? Isso me d esperanas...
KaraWhalen: Meu bem, se quiser perder a coisa, s o que tem de fazer  pedir. Os
meninos daqui so todos uns galinhas.
YvonneStidder: Heath Ferro estava uma gracinha hoje com aquela blusa de mulher.
KaraWhalen: Pode conseguir coisa melhor se fechar os olhos e apontar um nome na
lista telefnica.
YvonneStidder: Foi voc que atirou cerveja nele, no foi??
KaraWhalen: Declaro-me culpada.
27
UMA CORUJA RESPONSVEL RESISTE -- MESMO DIANTE DE UM CARA
MUITO GATO.
Callie andava pela sala de estar vazia do Dumbarton meio tonta, ainda sem acreditar no
que tinha acabado de acontecer. Ela sempre soube que os jogos de festa eram perigosos
-- era isso que os tornava divertidos --, mas em geral o perigo significava que ela
tendia a fazer idiotices, como ficar de porre e dar uns amassos em Heath Ferro. Desta
vez, foi um pouco pior. Ela se sentia muito, muito mal -- e, pela primeira vez, no por
si mesma. Por Jenny. Era meio estranho de repente se sentir to mal pela garota por
quem alimentou ressentimentos por tanto tempo, mas Jenny era legal. Ela no
mencionou o fato de que todos os elsticos de cabelo tinham desaparecido
misteriosamente, embora deva ter percebido. Ou o fato de que o lindo e doce desenho
de Easy tinha sumido. Se fosse o contrrio, Callie certamente teria ficado louca. Mas
Jenny era legal demais para fazer alguma coisa. Ela ainda era meio criana e era to
obviamente apaixonada por Easy Walsh que, neste-momento, era a nica pessoa na sala
alm dela, desabado no sof, ninando a cerveja em que acabara de colocar meia garrafa
de Jack Daniels.
Callie parou e olhou a sala. Parecia mesmo que houve uma festa ali. E tinha cheiro de
festa tambm. Canecas da Waverly e copos de plstico abandonados com cerveja pela
metade espalhavam-se pela sala. Que timo. S o que Pardee precisava fazer era entrar
cedo, e era bem capaz de fazer isso, e as meninas do Dumbarton ficariam trancadas ali
por mais um ms. Para onde foi todo mundo? S porque Tinsley estragou a festa, no
queria dizer que elas no precisavam limpar. Ela franziu o nariz e pegou um copo de
plstico.
-- Sabe que o mnimo que voc pode fazer  me ajudar?
Easy mal ergueu os olhos para ela.
-- Hein?
-- Pode parar de pensar em si mesmo por, tipo assim, cinco minutos?--Callie
desapareceu no corredor para a cozinha, que consistia numa geladeira, abarrotada de
caixas de papelo com sobras de comida chinesa e pizza mofada, uma pia e um
microondas que sempre queimava a pipoca de algum. Ela despejou a cerveja na pia e
lavou o copo antes de jogar na lata de reciclagem. Quando voltou  sala, Easy no tinha
se mexido, o que a deixou furiosa.
-- Que foi? -- disse ele, percebendo o olhar dela. -- O que voc quer que eu faa?
Ela pegou duas canecas na mesa de centro e atirou no cho aos ps de Easy.
-- Pode parar de sentir pena de si mesmo e comear a npensar nas outras pessoas
envolvidas.
-- Talvez eu j esteja fazendo isso.
-- Talvez -- rebateu Callie, empilhando as canecas e encarando Easy, ainda
vagabundando. -- Mas voc devia ter pensado nelas antes, quando importava. Foi
muito insensvel de sua parte.
Easy gemeu e esfregou os olhos com os punhos, a bebida equilibrando-se no joelho.
-- Eu sei. Me sinto um completo babaca por isso...
Callie sabia que era verdade que Easy se sentia pssimo, mas e ela? E Jenny? Foi Easy
quem deu as cartas. Era ele que as duas queriam, e ele abusara disso.
-- Ah, que bom. Porque voc foi mesmo um babaca completo.
Easy no disse nada, como se soubesse que Callie tinha razo. E Callie sabia disso
tambm. De repente era bom enfrent-lo. Ele no podia ficar sentado ali, chafurdando
em seu estupor meio bbado, sentindo pena de si mesmo e querendo estar em Paris e
no ter de lidar com todas essas meninas malucas. No, Easy precisava aceitar a
responsabilidade pela baguna que criou.
Callie fez outra viagem  pia da cozinha e largou as canecas, depois pegou uma caixa de
pizza esmagada a caminho da sala. Algumas crostas meio devoradas rolaram dentro da
caixa.
-- Olha, Easy. Eu no queria parecer rspida, mas no  justo de sua parte pensar que
pode conseguir as duas coisas. Se voc tem sentimentos pela Jenny, no pode ter mais
sentimentos por mim.
O que seria meio triste... Mas ainda assim, Callie foi sincera. Ela no queria ser uma das
namoradas de Easy -- ou era Aquela, ou no era nada. Por mais que tenha sido timo
beij-lo de novo -- e foi tremendamente timo --, nenhum cara valia se fazer de boba.
Easy se levantou.
-- Mas no funciona desse jeito.
-- Bom,  assim que tem de ser. Voc precisa decidir o que quer. -- Callie enfiou
alguns guardanapos amarrotados e gordurosos (eca!) na caixa de pizza e se levantou,
sentindo certo orgulho de si mesma. -- E, at que faa isso, eu meio que duvido que
qualquer uma de ns v querer alguma coisa com voc.
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...............................................
AlanStGirard: Soube do que aconteceu na sala?
AlisonQuentin: O que, que T e Brett so virgens? Que Kara atirou cerveja na cara de
HF? Que Easy fodeu tudo com J por causa de C?
AlanStGirard: Hummm, ... Como j sabe disso tudo?
AlisonQuentin: Garoto, as novidades viajam rpido quando ficamos trancadas o dia
todo.
AlanStGirard: Sentindo-se presa? Quer andar nua pelos tneis?
AlisonQuentin: Nem pensar. No percebeu que os segredos no ficam em segredo por
aqui?
AlanStGirard: E o seu quarto? Os segredos ficam em segredo a???;)
AlisonQuentin: Uma Waverly Owl responsvel jamais convida meninos a seu quarto...
(Mas ela no os dispensa tambm!)
28
UMA WAVERLY OWL NO TEM MEDO DE ESCURO -- E S VEZES O
ADOTA.
-- Foi meio desastroso, no achou?--disse Elizabeth de leve, encostada com Brandon
no corrimo da escada do poro, segurando um copo plstico cheio de cerveja. O casaco
de couro estava amarrado na cintura e a camiseta, com o slogan hippie LIBERTEM O
TIBETE, apertava-se no peito. Ele se perguntou se ela era uma daquelas pessoas que
sempre estavam assinando peties para salvar baleias e enviar ajuda humanitria aos
famintos de pases distantes. Porque isso era totalmente sexy. Talvez ele precisasse de
uma garota que no fosse egosta, como Callie. E Tinsley. -- Em geral algum vomita
quando tem muito lcool na histria, ento acho que nos samos bem. -- Brandon
bebera mesmo alguns copos de cerveja a mais e sua lngua estava pesada na boca. Heath
estivera correndo com a camiseta de mulher, futucando as pessoas e dizendo a elas para
beberem, porque ele precisava devolver os barris ao depsito. Mas sim, o jogo de Eu
Nunca meio que saiu de controle. Ele se sentia mal por Jenny--ela era to bacana, foi
horrvel v-la arrasada na frente de todos. Mais um motivo para desprezar Easy, como
se Brandon precisasse disso. O que Easy estava fazendo, levando Callie para jantar com
o pai dele? Meu Deus. Um idiota podia ter dito a ele que essa ideia era horrvel.
-- Gosto da sua camiseta -- disse Brandon, porque no conseguia pensar em outra
coisa para dizer. -- Voc tambm salva baleias?
-- Quando no tenho muito dever de casa -- respondeu ela, passando a mo no
corrimo.
Brandon sorriu. Essa garota era muito atrevida e isso era meio divertido. Se ele no
estivesse meio bbado, teria tentado ser mais espirituoso. Ele queria no ter de se
esforar tanto para pensar em algo a dizer -- mas ele s ficava pensando na pintinha no
lado esquerdo do rosto dela.
-- Hummm... Quer ver os tneis?--perguntou Brandon por fim.
-- Os famosos tneis? -- Os olhos de Elizabeth se iluminaram. -- Eu adoraria.
-- Legal. -- Brandon partiu escada abaixo, as pernas se movendo lentamente.
Elizabeth o seguiu at o depsito, onde a porta do tnel estava escancarada.
-- Isso  tipo o Underground Railroad... que mximo! -- sussurrou ela, claramente
pasma.
Brandon pegou a lanterna no bolso e a acendeu. De imediato, Elizabeth ps a mo na
dele.
-- No tinham lanternas nos tempos do Underground Railroad... Desliga isso. -- Ela
entrou no tnel escuro, com cuidado ao descer os degraus e desaparecer na escurido.
-- Ei, espera. -- Brandon a seguiu sem jeito. --Eles no tinham velas naquele tempo?
Deviam ter alguma coisa. -- Seus tnis bateram no cho de concreto do tnel e ele
semicerrou os olhos na escurido.
Uma chama minscula ardeu no escuro, iluminando o rosto de Elizabeth, e um globo de
luz a cercou.
-- No exatamente Zippos. Mas vai servir. -- Como se fosse possvel, seu rosto era
ainda mais bonito na luz oscilante que vinha do isqueiro.
-- Aonde voc quer ir? -- perguntou Brandon. Ele percebeu que os dois estavam
falando baixinho, como se suas palavras parecessem um eco nos tneis amplos e
silenciosos. Era muito mais legal aqui embaixo com Elizabeth do que foi com os amigos
bobalhes.
Mas que surpresa.
Elizabeth olhou o teto de concreto e tomou um gole da cerveja.
-- Deixei minha Vespa nos arbustos perto da portaria ou sei l o que era aquilo. Voc
sabe, aquele prdio em runas na frente do campus? A gente pode ir para l. -- Ela
estendeu o copo para Brandon. -- Quer?
Brandon pegou o copo enquanto lampejavam em sua cabea imagens de Audrey
Hepburn em A princesa e o plebeu, eliminando os pensamentos de troca de germes. Ele
bebeu a cerveja.
-- Uma Vespa?
-- Que foi,  hipster demais para voc, Armani? -- Ela beliscou maliciosamente o
suter dele. Como Elizabeth sabia que era Armani?
-- Na verdade, pensei que voc dirigisse um carro hbrido... Mas o casaco de couro de
motoqueiro me fez mudar de idia.
Elizabeth se inclinou para ele.
-- No fique revoltado -- sussurrou ela --, mas  couro vegetal.
Brandon sorriu. Ele gostava de que essa garota fosse algum fora de toda a incestuosa
Waverly.
Mesmo que ela tivesse alguma coisa comjeremiah, que tinha alguma coisa com Brett,
que... Brandon livrou-se dessas idias confusas, sacudindo a cabea.
-- Como voc sabia que o Jeremiah estava aqui?
Ela ficou meio constrangida e fechou a tampa do Zippo, imergindo os dois na escurido.
-- Eu no sou, tipo assim, de perseguir ningum. -- Silncio. -- Ele me contou.
-- Ento... Vocs no esto juntos agora, esto? -- De algum modo era mais fcil
perguntar sobre isso no escuro.
Agora a luz da porta aberta do depsito do Dumbarton estava muito atrs deles, e os
olhos de Brandon precisaram de um minuto para se adaptar ao novo nvel de escurido e
conseguir distinguir o perfil de Elizabeth.
-- No! -- a resposta dela foi rpida e Brandon se acalmou um pouco. -- No era nada
disso, alis. -- Os dois andaram, como se soubessem aonde iam. -- S somos bem
ntimos, entendeu? E depois ela... aBrett... magoou Jeremiah. E ento acho que ns dois
fomos presa das emoes disso tudo, embora no se tratasse bem de ns dois.
-- No precisa me dizer tudo isso, sabia?--disse Brandon, embora estivesse louco para
ouvir que ela no estava querendo Jeremiah. Porque se os jogadores de futebol
americano de ombros largos fossem o gnero dela, Brandon no ia ter l muita sorte.
-- Eu sei. -- O Zippo se abriu novamente, banhando o rosto de Elizabeth em seu brilho
quente. --Eu s meio que queria... esclarecer as coisas.
O corao de Brandon martelou.
-- De qualquer modo -- continuou ela, passando a mo na parede -- eu tinha que dar
uma olhada em Brett... Para saber se ela no estava brincando com ele de novo. --
Elizabeth parou. -- Infelizmente, acho que posso ter estragado tudo para ele.
-- No foi culpa sua.
-- Bom, eu no precisava ser sincera... At parece que no Eu Nunca voc est sob
juramento ou coisa assim. Ento talvez ele pudesse ter mentido e...
-- No acho que isso ajudasse. Um dia ele teria de contar a verdade a ela. -- De repente
Brandon percebeu que no queria mais falar de Jeremiah e Brett -- eles que se
entendessem.
O que ele queria era beijar essa garota.
-- E voc? E aquela garota, a Jenny? -- perguntou timidamente Elizabeth. -- Voc
pulou da cadeira depois que ela saiu, como se quisesse correr atrs dela.
Ele fez isso? Brandon nem se lembrava.
-- Bom, ela  gente boa. Quer dizer, ela  uma amiga. -- E o matava de raiva que Easy
estragasse tudo com ela tambm, mas isso no o surpreendia. Esse cara no tinha
escrpulos -- se numa semana ele quisesse Jenny, teria a Jenny. Se quisesse Callie na
semana seguinte, bom, era s tentar e a teria tambm. -- Eu s, sabe como , me senti
mal por ela. O namorado dela  um babaca.
-- Ento no preciso ter cime de ningum?
Cime? Ah, sim. Como se Brandon conseguisse pensar em qualquer coisa que no fosse
o fato de estar sozinho num tnel escuro com essa garota excitante de casaco de couro
vegetal e cabelo estranho que o fazia se sentir to totalmente desinibido.
-- No quero falar mais de outras pessoas -- disse Brandon, tomando outro gole da
cerveja de Elizabeth como se fosse uma espcie de energtico com eletrlitos.
-- Ah, sim? -- Elizabeth ergueu a sobrancelha direita emquanto brincava com o
isqueiro, fechando-o e abrindo e fechando de novo. Ela o manteve fechado. -- Do que
voc quer falar?
Brandon ps a cerveja no cho e se aproximou para onde pensava que Elizabeth estava.
No foi to difcil encontr-la. Ele sorriu no escuro, sentindo que o rosto dela estava a
centmetros do dele.
-- Sei l... guerra nuclear?
Ele a ouviu rir e, enquanto a boca de Elizabeth se abria para dizer alguma coisa, ele a
beijou. Ela retribuiu o beijo com ansiedade, e Brandon s pde pensar em como era
diferente e excitante. As mos dele desceram pelas costas de Elizabeth. Ele nem
percebeu o quanto estava escuro, porque seus olhos estavam fechados.
29
UMA WAVERLY OWL SEMPRE CONTA A VERDADE, A NO SER
QUANDO NO  SENSATO FAZER ISSO.
Jenny se sentia meio a rainha do drama correndo da sala de estar daquele jeito, mas no
conseguiu evitar. Ela teria sufocado se ficasse mais um segundo ali -- com Easy, que
tinha mentido para ela. E com o resto deles, todos encarando e rindo com malcia,
fazendo com que ela se sentisse uma idiota por pensar que Easy podia estar apaixonado
por ela. Por que tudo isso tinha de acontecer? As coisas no podiam ser mais simples?
Por que, srio--por que Easy levou Callie para jantar com o pai dele se ele estava
apaixonado por ela? Isso no fazia sentido nenhum. Ser que ele tinha vergonha dela?
Porque ela era baixa demais? Nova demais? Nova York demais para o pai dele? S
Callie, com o cabelo louro perfeito e a linhagem sulista, era boa para ele?
Depois de voltar ao quarto, Jenny sentiu-se um pouquinho melhor. Pelo menos no
havia ningum a encarando agora. E pelo menos ela no precisava enganar Tinsley, que
devia mesmo odi-la se estava to ansiosa para constrang-la na frente de todos os
amigos. Ou talvez eles no fossem seus amigos, pensou Jenny melancolicamente
enquanto ligava o aparelho de som. Suas palmas tinham parado de suar, embora ela
ainda sentisse que podia vomitar a qualquer momento.
Houve uma leve batida na porta meio fechada -- Easy? Mas Kara colocou a cabea
para dentro.
-- Posso entrar? Quer companhia?
Jenny na verdade ficou meio feliz por no ser Easy -- ela no estava com vontade de
conversar com ele, no mesmo. No se ele no pudesse dizer a ela que era tudo mentira,
ele nunca levou Callie para jantar. Ento talvez ela ouvisse. Mas como isso no ia
acontecer, Jenny queria primeiro chegar a algumas concluses sozinha.
-- Pode entrar, se no se importa que eu vista roupas mais confortveis.
Kara soltou um assovio baixo e se sentou na cama de Callie. Jenny pegou a cala do
pijama de flanela Calvin Klein e o top preto na gaveta de cima.
-- Tinsley sem dvida tem jeito com as palavras, n?
Jenny quase riu ao tirar o vestido tomara-que-caia de Verena e seu suti de esmagar
peitos. Ela rapidamente vestiu o top preto e a cala confortvel de pijama. Havia algo na
flanela que era to reconfortante, mesmo que o xadrez cinza estivesse quase totalmente
rasgado nos joelhos.
-- Pode apostar que sim.  assim que ela consegue humilhar os outros.
Kara enfiou o p por baixo do corpo.
-- No devia se sentir humilhada. Quem liga para o que os outros pensam?
-- Acho que eu no ligo... Eu s no fazia a menor idia do que Easy estava pensando,
e  esse o problema. Quer dizer, eu perdi alguma coisa? Por que ele levou Callie
parajantar? -- Ela se jogou na cama e abraou o travesseiro no peito. -- E no me falou
nada?
-- Talvez no devesse exagerar. Ou, pelo menos, no at que converse com ele. Deixe
que ele explique. Talvez ele tenha uma tima explicao... Tipo assim, ele odeia o pai e
no suportaria te submeter a ele. -- Kara deu de ombros. -- E como ele no gosta
realmente de Callie, no se importou de lev-la.
Jenny soltou um riso seco.
-- T legal. S que estou comeando a pensar que o problema talvez seja que ele goste
demais de Callie.
-- Ele  louco por voc -- insistiu Kara.
Houve outra batida suave na porta. Callie a empurrou, hesitante. Como se no tivesse
certeza se algum ia atirar alguma coisa nela. De imediato Jenny se tranquilizou -- no
era culpa de Callie, nada disso. A no ser, talvez, a sada com Easy, e ningum podia
culp-la por isso.
-- Est tudo bem... pode entrar. No estou chateada. -- Mas ver Callie na soleira da
porta--to magra, elegante e linda -- deixou sua voz meio trmula. Como se ela
estivesse prestes a chorar.
-- Jenny, eu sinto muito. -- Callie correu para ela, parecendo que meio que queria
abra-la mas no sabia como fazer isso. -- Eu no... queria que voc descobrisse desse
jeito.
-- Est tudo bem. Easy  que devia me contar, e no voc. -- Jenny deu de ombros. Ela
se sentia uma criana naquele top preto, com os ombrinhos e a cala de flanela larga. --
E no  sua culpa que a Tinsley seja uma cretina das grandes.
Callie mordeu o lbio.
-- Eu no sei por que ela  assim. Talvez seja coisa de TPM.
-- Nunca conheci ningum com TPM o tempo todo -- observou Kara.
Jenny lanou um olhar suplicante a Kara e foi para a ponta da cama para dar espao
para Callie, que ainda estava de p diante dela.
-- Ento... -- Sua voz falhou. Ela respirou fundo. -- Ento, alguma coisa, hummm...
aconteceu no jantar? Com Easy?
-- No! -- respondeu Callie com veemncia. -- Foi total uma coisa de amigos. As
coisas so estranhas com o pai dele, sabe disso. -- Ela deu de ombros. -- Acho que s
foi mais fcil porque eu j o conhecia.
Kara deu para Jenny um sorriso que parecia dizer "eu te falei". Jenny sorriu meio
amarelo. Isso no a fazia se sentir melhor. Callie sempre ia conhecer Easy por mais
tempo do que ela -- no havia como contornar isso, a no ser que ela pensasse num
jeito de voltar no tempo. Simplesmente no era justo.
Bastou uma expresso de Jenny para Callie ver que ela j estava prestes a desmoronar.
No havia necessidade de falar em suas agarradas no armrio. Que sentido tinha contar
a ela uma coisa que a entristeceria ainda mais? Uma coisa que ela nem precisava saber?
Callie tentou parecer natural.
-- A Tinsley s estava... sendo uma cretina. Ela sempre quer criar os maiores problemas
possveis, sabia? -- Ela esperava no estar atraindo um carma ruim por mentir de novo.
Mas era verdade. Teria sido cruel contar a Jenny sobre o beijo.
-- Eu diria que ela conseguiu.--Brett entrou no quarto, os olhos vermelhos e inchados.
O cabelo parecia pegajoso, como se ela tivesse passado as mos neles repetidas vezes.
Ela se atirou na cama de Jenny. Jenny ps a mo no ombro de Brett, fazendo Callie
perceber o quanto sentia falta de amigas de verdade. No como Tinsley, que s parecia
querer magoar as pessoas, ou como Benny, que s queria uma fofoca picante.
-- Voc est bem, Brett?--perguntou Kara, preocupada. Ela ainda estava com as roupas
de festa -- uma blusa romntica e cala escura cintilante. Roupas legais.
-- Vou sobreviver. Por enquanto. -- Brett tirou os sapatos aos chutes e eles bateram no
cho. -- Mas se vocs estiverem falando de como os homens so um porre, seria muito
til.
-- Voc atirou mesmo cerveja na cara de Heath? -- perguntou Callie a Kara de repente.
-- S porque ele merecia muito, muito mesmo -- respondeu ela. -- Ele  to galinha.
Foi um total babaca comigo por um ano inteiro, e agora que estou... sei l, no sou mais
gorda... ele acha que pode jogar charme pra mim e eu vou ficar cada por ele? -- O
rosto de Kara estava rosado de irritao.
Callie assentiu devagar, sem entender realmente. Algum ia ter que contar essa histria
a ela. Mas atirar cerveja na cara de Heath era muito engraado. Heath sempre parecia
receber tudo numa bandeja de prata -- das notas, pelas quais ele no se esforava, s
meninas que no merecia. Um dia algum tinha de atirar isso na cara dele.
Ser que todos os meninos tm memria curta? -- Ela, obviamente, estava pensando em
Easy ao dizer isso. Teria ele se esquecido de que a largou? Que ele a teve por um ano
inteiro e depois decidiu que no a queria mais? E ento, duas semanas depois, pensou,
Mas que diabos! Posso muito bem lev-la para jantar, e beij-la, e quem  Jenny? Grrrr.
No estava certo tratar uma pessoa desse jeito, e Callie se sentia uma idiota por deixar
que isso fosse to longe. -- Ser, tipo assim, um lance da testosterona?
-- Quer dizer que a testosterona faz com que eles pensem com o pnis? -- Brett se
sentou na cama. -- Bom, isso  totalmente revoltante. At parece que ns pensamos
com os ovrios. Suas mos estavam fechadas em punhos. Na verdade, ela parecia com
mais raiva ainda do que quando saiu da festa.
-- No vamos falar de nossos rgos reprodutores -- piou Callie. -- Isso me deixa
meio esquisita.
-- Pnis. Testculos. Trompas de Falpio. tero -- Kara recitou rapidamente enquanto
Callie colocava as mos nas orelhas. Todas riram, at Jenny e Brett, que parecia meio
morta.
-- No podemos s concordar que todos os homens so uns babacas? Pelo menos s
vezes? -- Callie esfregou a nuca, cheia de ns depois da longa noite estressante.
-- Os homens s agem como babacas quando algum deixa -- observou Kara,
passando o dedo pela colcha xadrez de Callie. -- E se cada garota s concordasse em
parar de deixar que eles se safem?
-- Ento eles iam ter de aprender a se comportar como seres humanos. -- Brett
enroscava uma mecha de cabelo ruivo no dedo.
-- Vamos fazer um pacto -- sugeriu Callie, de repente interessada em fazer uma coisa
para garantir que no ia mais deixar que Easy fosse babaca com ningum.
-- Tudo bem -- disse Jenny rapidamente, saindo de seu longo silncio. -- E se todas
ns concordarmos em nos respeitar para que os homens nos respeitem? -- Ela mordeu o
lbio. -- Quer dizer, se fizermos a nossa parte, a parte deles simplesmente... vai
acontecer.
-- Talvez a gente possa fazer o trabalho da Waverly Owl responsvel -- sugeriu Brett,
batendo a unha de esmalte pssego no queixo. -- Sabe como , uma Waverly Owl
responsvel no cede  presso dos meninos etc. Pode ser uma coisa de girlpower.
-- Acha que d para ser um trabalho coletivo? -- perguntou Kara, cheia de esperana.
-- Quer dizer, eles devem ter visto Clube dos cinco nos cinemas quando foi exibido.
Colocar a gente em priso coletiva  meio, tipo assim, pedir por isso.
-- Podia ser meio simblico... Como se ns s tivssemos uma resposta porque... --
Jenny abriu um sorriso tmido e parou. -- Estamos todas na mesma, sabe como ,por
baixo.
 verdade. Embora parecesse ridculo, e parecia muito ridculo, as meninas se olharam e
pensaram como era verdade. Jenny, de pijama, com os cachos escuros puxados num n
bagunado atrs da cabea. Brett, os olhos turvos mas decididos. Kara, que era quase
uma completa estranha, com seus enormes olhos castanhos esverdeados absorvendo a
cena, o rosto corado como se estivesse realmente animada com todo o fim de semana. E
Callie -- bom, pela primeira vez, ela no ligava para sua aparncia. E todas sabiam que
isso era meio legal.
-- Um pacto -- repetiu Callie.
Sorrindo como se concordassem, as quatro se inclinaram para a frente e empilharam as
mos, como se estivessem se preparando para comear um jogo de hquei. Era meio
desconfortvel mas, como estmulo, fez Callie achar, pelo menos por um momento, que
ela fazia parte de alguma coisa. Que talvez ela no estivesse mais to sozinha.
30
UM OWL RESPONSVEL SABE GUARDAR SEGREDO -- EM ESPECIAL SE
ISSO SIGNIFICA FICAR COM A GAROTA.
Nem acredito que Heath e eu arrastamos um barril at aqui! -- exclamou Julian. Ele
estava parado na beira do terrao, olhando por cima de um muro de pedra, pela escada
de incndio enferrujada.
-- Um meio-barril -- observou Tinsley de brincadeira atrs dele. -- E por que vocs
fizeram isso mesmo?
-- Uma garota bonita disse para fazer. -- Julian pegou um seixo do terrao, soprou nele
e balanou o brao algumas vezes antes de atir-lo no ptio, como se estivesse lanando
uma pedra num lago.
-- Voc faz tudo o que as garotas bonitas lhe dizem?
-- O que posso fazer? Eu fui criado direito.
Ele certamente fazia uma coisa direito. Depois que a festa se dispersou, Julian, Tinsley e
alguns outros foram at a sala de estar menor no segundo andar, que abrigava a TV e o
aparelho de DVD. Julian, meio tmido, pegou na bolsa de carteiro uma cpia da
biblioteca de Rosencrantz and GuMenstemAre Dead.
-- J que sua reunio de cinema foi adiada -- sussurrou ele. Tinsley, nesse momento,
ficou grata por eles no estarem sozinhos--caso contrrio, s Deus sabe o que teria
acontecido. Em vez disso, enquanto Lon e Benny se aninhavam no sof de chintz de
dois lugares, os dois sentaram-se a uma distncia confortvel um do outro no sof
grande. Que afundava no meio, o que significava que eles aos poucos foram
escorregando para o outro, e no comeo de cada cena Tinsley tinha de se afastar ou
acabaria no colo dele.
No que ela viesse a ter algum problema com isso se eles ficassem sozinhos. Mas...
Havia muitos fatores a considerar. Ela sabia que era uma bobeira--a idade no devia ter
importncia. Madonna era dez anos mais velha do que Guy Ritchie! Mas Guy Ritchie
no era um calouro.
Era mais do que isso. Seus momentos preferidos eram aqueles que levavam ao primeiro
beijo -- quando voc no tem certeza se vai acontecer ou como vai ser, quando seus
nervos esto  flor da pele, esperando por isso. s vezes--infelizmente, vezes demais
para Tinsley -- a expectativa era melhor do que o resultado. O beijo, e o cara, em geral
a decepcionavam. E depois que o beijo acabava e ele foi mais ou menos, toda a coisa
basicamente chegava ao fim.
E ela no queria que isso acontecesse com Julian. Era meio emocionante ficar sentada
ao lado dele no escuro, com Benny e Lon a pouca distncia, vendo um dos filmes mais
divertidos do planeta e tentando no se perguntar que gosto teriam os lbios de Julian.
Ele tambm tinha uma risada tima--como se no se importasse de ser ouvido.
Depois que os crditos rolaram, eles escapuliram da sala de estar, a cabea de Benny
deitada no peito grande de Lon, um deles roncando alto, e foram para o terrao. Onde
estavam agora.
-- Venha c -- disse Julian de repente, olhando por sobre a beira de novo. Tinsley
rapidamente se aproximou dele e espiou, perguntando-se se Pardee finalmente estava
voltando para casa. Mas ela no viu nada, a no ser a grama escura e os
arbustos bem embaixo. Nada se mexia.
-- O que tenho que olhar a?--perguntou Tinsley, ciente da proximidade de Julian. Ele
estava a centmetros de distncia.
-- Ah, sei l.
Tinsley olhou para ele, confusa. A certa altura da noite, ele havia tirado o gorro e a brisa
agitava seu cabelo sujo. A covinha no canto dos lbios se aprofundou.
-- Eu s queria que voc ficasse mais perto.
-- Oh -- respondeu Tinsley. -- O que mais voc quer? -- Um tremor percorreu seu
corpo.
-- Quero que pare de fazer perguntas para eu poder te beijar.
-- Por que voc no... -- comeou ela, sentindo-se nervosa de repente, porque as coisas
estavam acontecendo rpido demais. Ela no sabia se estava preparada para abrir mo
da expectativa. Mas ento Julian se inclinou para ela e colocou a boca em sua face,
mantendo ali por um momento, e Tinsley se lembrou do cheiro do cabelo dele --
pinheiro.
Ele no tinha lhe dito nada sobre o jeito cretino com que ela terminou o jogo de Eu
Nunca, e Tinsley gostou disso. Ele no parecia surpreso, nem decepcionado, nem nada
-- s parecia gostar dela.
E assim ela no conseguiu se reprimir mais. Deixou que o nariz roasse o dele, e depois
os lbios dela tocaram os dele, delicadamente e em seguida com mais intensidade, e as
mos de Julian envolveram sua cintura enquanto ele a puxava.
Ele pode ser novo, mas sem dvida sabe beijar, pensou ela.
-- Est vendo? -- disse Tinsley quando se afastou dele, mas no muito. -- s vezes eu
sei calar a boca.
Julian empurrou o cabelo dela e a beijou na orelha, ou meio que beijou, os lbios
macios s tocando-a de leve. Depois sua boca desceu pelo pescoo, provocando uma
exploso gelada de prazer pelo corpo de Tinsley.
-- No me leve a mal, eu gosto quando voc fala demais... -- As palavras dele
pareciam ainda mais ntimas do que os beijos na pele de Tinsley. -- Mas  bom variar.
Eu to muito a fim de voc, sabia?
Tinsley suspirou.
-- Voc mal me conhece. -- Ela trouxe os braos de volta e se encostou no muro do
terrao.
-- No sei no -- rebateu Julian. -- Sei que voc depila as pernas no banho. Sei que
voc comea a rir antes mesmo de uma frase engraada num filme s porque sabe que
ela vem. Sei que voc tem um sinal pequenininho e engraado atrs da orelha esquerda
que s as pessoas de sorte podem ver. Ou beijar. Tinsley olhou a multiplicidade de
estrelas no cu, que pareciam estar piscando para ela.
-- Obrigada -- disse ela de um jeito sonhador, querendo que os dois pudessem dormir
ali em cima. -- Eu tambm gosto de voc.
Julian passou a mo no cabelo, fazendo-o cair de lado. Ele parecia meio um daqueles
astros de rock famintos. Ele podia ter alguma carne nos ossos. Tinsley pegou um mao
de cigarros naturais que algum -- Callie? -- deve ter deixado ali, uma caixa de
fsforos ao lado. Ela acendeu um e ofereceu a caixa a Julian. Ele sacudiu a cabea.
-- Ningum vai acreditar nisso. -- Ele tinha um sorriso
bobo estampado na cara.
-- Pera, o qu? -- Tinsley de repente ficou muito desperta. -- No pode contar s
pessoas sobre isso. Este tem de ser, tipo assim, nosso segredo.
Julian deu a impresso de ter levado um balde de gua fria.
-- Por qu?
Porque voc  um calouro, ela queria gritar. Mas, em vez disso, ela organizou os
pensamentos e falou calmamente, como se tivesse apresentado seu argumento num
debate -- s que este definitivamente no era para ser discutido.
-- Eu no quero que leve a mal... Mas voc no est aqui h muito tempo, ento no viu
como todos os relacionamentos na Waverly tendem a se acabar com tanta gente de olho
nele. -- Ela deu de ombros com inocncia, mas j estava pensando no colapso iminente
de Jenny e Easy. -- S no quero que acontea... isso, entendeu?
-- No  porque voc tem medo de namorar um calouro, ? -- Os olhos castanhos de
Julian examinaram o rosto dela, como se procurassem por pistas.
-- No um to gato como voc -- respondeu ela rapidamente. A fama de calouro fazia
mesmo parte da histria. Na realidade, Tinsley era meio... ruim... nos relacionamentos.
Assim que ela achava que estava em um, queria sair. E os olhos xeretas das Waverly
Owls no ajudavam em nada. Logo que se espalhasse o boato de que duas pessoas
estavam namorando, as pessoas sempre pareciam loucas para v-las separadas. Tinsley
odiava a idia dos outros a cumprimentando com "Cad o Julian?". Era como se, depois
de fazer parte de um casal, voc deixasse de existir como indivduo. Isso a deixava meio
enjoada.
E, agora, seus sentimentos por Julian eram to agradveis que ela no queria estragar
tudo.
-- Vai ser muito mais legal se ficar s entre ns -- continuou ela, vendo que Julian
estava hesitando. -- No haver ningum para atrapalhar.
-- Algum um dia disse no a voc? -- perguntou Julian depois de uma curta pausa.
Seus olhos cintilavam de exasperao, como se ele soubesse que estava se envolvendo
numa coisa a que devia resistir, mas no conseguia.
-- Raras vezes--admitiu ela, a boca curvada num sorriso.
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
De: BrettMessertschmidt@waverly.edu
Para: ReitorMarymount@waverly.edu
CC: KathrynRose@waverly.edu;
Residentes do Dumbarton
Data: Domingo, 6 de outubro, 17h14
Assunto: Trabalho
Prezados reitor Marymount e Srta. Rose,
Aceitamos o fato de que tivemos de sacrificar todo um fim de semana em deteno pelo
que fizemos. O que fizemos FOI errado. Mas chegamos a uma concluso diferente
depois de discutir o que achamos ser uma Waverly Owl responsvel. Vocs vem as
Waverly Owls como querem ver as Waverly Owls -- nos termos mais simples e de
acordo com as definies mais convenientes. Vocs nos vem como herdeiras,
patricinhas, casos de hospcio, delinquentes, nerds de banda e Waverly Owls
responsveis. Correto?  assim que nos vamos antes da deteno. Tnhamos sofrido
lavagem cerebral.
Nem todas somos culpadas do que vocs pensavam que ramos -- mas todas somos
culpadas de uma coisa. Todas somos culpadas de ceder aos rtulos, deixar que eles nos
sejam impostos e por tentar corresponder a eles.
Portanto, chegamos a nossa percepo coletiva do que  ser uma "Waverly Owl
responsvel".
No tentar ser algum que no , mesmo quando veste a roupa das outras
Saber quem so suas colegas de quarto e quem elas no so
No mentir sobre si mesmas, aos outros ou a si
Dizer o que quer e querer o que diz
Respeitar-se para que os outros tambm a respeitem
Esta  nossa resposta coletiva. Foi o que aprendemos neste fim de semana e  o que no
vamos esquecer.
Atenciosamente,
As Meninas do Dumbarton
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
BennyCunningham: Bom trabalho, B! estou orgulhosa de cham-la de representante da
minha turma. Como chegou a toda essa besteirada?
BrettMesserschmidt: Jenny, Callie e Kara me ajudaram. E no estou convencida de ser
uma besteirada...
BennyCunningham: Quer dizer que J e C no se estrangularam ainda??
BrettMesserschmidt: No acho que isso v acontecer -- pelo menos, no mais.
BennyCunningham: Todo mundo est falando de Kara atirar cerveja na cara de Heath
-- essa foi tremendamente demais... Ela  uma garota engraada. Fico feliz por
descobri-la.
BrettMesserschmidt: Ela estava l o ano todo.
BennyCunningham: B... At parece que ela estava esperando que voc a descobrisse ou
coisa assim. Mesmo assim... Gosto do estilo dela. Ela tem... sei l. Alguma coisa.
BrettMesserschmidt: Talvez todas ns tenhamos.
